Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Desencarnação

julho/2017

Izaura Alpendre Daher nasceu em 28 de janeiro de 1930. Muito jovem se interessou pelo Espiritismo. Nascida em família católica, um dia se viu expulsa da Igreja quando o padre, do púlpito, a excomungou por tê-la visto entrar na Casa Espírita.

Não chegou a concluir o primeiro grau, pois sua irmã Glória e ela tinham que trabalhar para que os outros irmãos tivessem a possibilidade de estudar. Casou-se com José Daher (conhecido como Nazir). Tiveram dois filhos: Maurício, desencarnado e Marisa, que foi quem a atendeu até o final de seus dias.

Izaura era uma pessoa dinâmica, determinada e habilidosa. Organizou a casa principal do Centro Espírita e se empenhou na sua manutenção. Realizava diversos serviços gerais, incluindo trabalhos de pedreiro e de marcenaria. Por vezes, por falta de recursos financeiros da Instituição, Izaura recebia a doação de tábuas e fazia ela mesma a urna funerária para o sepultamento dos falecidos.

Foi evangelizadora de crianças e adolescentes, ministrando aulas dominicais. Organizou também a biblioteca do Centro Espírita, União Espírita Jesus Maria José, encapando e catalogando cada livro recebido em doação, sendo que ela mesma cedeu grande parte do acervo.

Por muitos anos, cuidou dos idosos e das casinhas em que eles viviam. Na época em que cuidava do asilo, havia um fogão a lenha em cada uma das quinze casas que abrigavam os idosos. Devido às dificuldades de adquirir lenha, Izaura se servia de um jeep com carroceria adaptada e fazia várias viagens até a fábrica de lápis, localizada na região de Anhaia, para buscar retalhos de madeira, a fim de que os idosos pudessem cozinhar e aquecer o ambiente em época de inverno. Tratava cada idoso com muito carinho e desvelo, dando-lhes banho, trocando-lhes as fraldas e cuidando das feridas, quando necessário.

Na ocasião em que o Retiro Fraterno de Meninos foi desativado, os jovens foram realocados em outros orfanatos mas, ficou difícil achar lugar para todos. Três adolescentes foram acolhidos em sua casa e orientados até ficarem adultos.

Em Morretes, ia de bicicleta às casas da periferia fazer atendimento aos doentes com dificuldades de locomoção, levando o Evangelho, a oração, limpando feridas.

Sua última atividade na União Espírita Jesus Maria José, antes de ser acometida pelo mal de Alzheimer, foi dar aulas de caligrafia a quem quisesse melhorar a letra, servindo-se de frases de reforma íntima e cunho moral.

Este é apenas um breve resumo dos mais de cinquenta anos em que Izaura se dedicou a um trabalho fraterno e amoroso para o próximo.

Ela encerrou esta jornada terrena em 26 de maio de 2017.

Foto: Acervo pessoal

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