Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2020 Número 1626 Ano 87

De volta à fonte dos melhores recursos educativos

Maio/2015

Vivemos momento em que as comunicações se apresentam revolucionando usos e costumes.

As redes sociais, as comunicações via satélite, os smartphones, os mecanismos de buscas de informações, e-mails e os mais variados aplicativos, conectam, instantaneamente, uns aos outros, fazendo do mundo uma aldeia global.

A tecnologia é senhora das relações e os homens seus adoradores. O seu uso massivo é evidente. O seu avanço, irreversível. Mas o aproveitamento de sua real utilidade ainda está por vir para a maioria de nós.

Vejamos, na área da educação formal, o quanto as novas tecnologias oferecem de recursos. No entanto, as instituições se veem como que travadas em seus avanços. Os alunos ainda estão a decorar datas, nomes de pessoas e lugares, como se isso fosse o suprassumo da aplicação da inteligência humana e o máximo de suas conquistas. As escolas se fazem prisioneiras de um modelo de ensino arcaico e mantêm os alunos na sua estreiteza de conceitos e práticas. Forçam a decorar e não ensinam a buscar informações, a saber pensar, deduzir, concluir, enriquecer-se de conhecimentos úteis.

Para a quase totalidade de nós, os avanços tecnológicos são amplos como um grande lago, mas o uso que deles fazemos têm a profundidade de um pires. Horas e horas diante dos modernos aparelhos eletrônicos e suas ferramentas de comunicação. Contudo, quase que sem proveito, por se compartilhar apenas as futilidades do dia a dia.

Podemos utilizar a tecnologia para divulgar o prato que estamos saboreando no restaurante, ou para se fazer cirurgia a distância.

A consistência dos valores que cada um busca e aplica no comportamento diário, tem sua origem na formação do seu caráter, que começou na família, onde reside o primordial compromisso educacional do ser.

O lar é a melhor escola na formação do Homem, enquanto as escolas do mundo auxiliam na formação do cidadão, conforme aprendemos com o Espiritismo.

E os lares têm seus pilares de sustentação nas figuras dos pais e das mães. Cada um com suas funções, num constante apoio mútuo e colaboração constante. O que significa ressaltar a importância de ambos, nos cuidados devidos aos filhos, bem como na educação de raiz.

Há que se reconhecer, porém, que, pela natural sensibilidade do espírito feminino, as mães tem papel essencial no lar, em todos os seus aspectos.

Sua condição de cocriadora com Deus toma forma desde a gestação, período de estreita e diuturna vinculação física, psicológica, afetiva, energética, espiritual, com o ser que se prepara para renascer. Segue na sustentação dessa vida com os cuidados diários depois do seu nascimento, com a higiene, com a saúde, com a alimentação, com a orientação. Esses estreitos vínculos são suficientemente elásticos para acompanhar os afetos nas distâncias que a jornada de cada um exija ir, sem que se rompam.

Por isso, os verdadeiros educadores mantêm-se firmes no chamamento à que humanizemos as comunicações e as relações entre nós, indicando-nos o necessário retorno à manutenção e valorização da abençoada fonte disseminadora dos melhores recursos para isso: a família, o lar.

Por conseguinte, um convite-apelo à  mulher, com sua atenção, seu zelo, sua dedicação em prol da harmonia do lar, fazendo com que essa insubstituível célula básica da sociedade, forme os melhores homens e mulheres, capazes de conduzir o mundo para um futuro de paz, de melhoria comum, de igualdade, de fraternidade, onde o trabalho se faça solidário, as relações humanas se deem amparadas na tolerância, e juntos reencontremos Deus, uma vez que teremos descoberto o próximo e sua importância como irmão, o que nos conclama a amá-lo.

O mundo conheceu Madre Tereza de Calcutá, a mãe dos mais miseráveis; conheceu Florence Nightingale, que deixou o conforto de sua família para enfrentar os preconceitos de uma época e as agruras de uma guerra, para ensinar a prática da verdadeira enfermagem ao mundo; conheceu Marie Curie, que deu sua vida pesquisando a radioatividade.

Já esteve entre nós Eunice Weaver, que se dedicou aos cuidados dos hansenianos; também Benedita Fernandes, a Dama da Caridade, que atendeu tantos filhos sem mães.

Demarcou a História Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, que acolheu, até o final de seus dias entre nós, os órfãos do Calvário, cuja vida exemplar deu-lhe a condição de Mãe de todas as mães.

Para qualquer área do pensamento humano, antigo e moderno, encontraremos mulheres de valor, de honradez, de destemor, de sabedoria, de afeto materno.

O mundo carece de mulheres assim, de mães incondicionais, que edifiquem homens de bem.

O eminente escritor francês, Victor Hugo, bem retratou, nos versos de O homem e a mulher, aquela com a qual Deus conta nos melhores caminhos da Terra:

 

A mulher é o mais sublime dos ideais.

O homem é o cérebro; a mulher, o coração.

O cérebro fabrica a luz; o coração, o Amor.

A luz fecunda, o amor ressuscita.

(…)

O homem é o código; a mulher, o evangelho.

O código corrige; o Evangelho aperfeiçoa.

O homem é um templo; a mulher, um sacrário.

Ante o templo nos descobrimos; ante o sacrário, nos ajoelhamos.

(…)

O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta.

Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma.

Enfim, o homem está colocado onde termina a Terra; a mulher, onde começa o Céu.

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