Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87
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Daniel Dunglas Home

agosto/2016 - Por Jaqueline Ribeiro da Costa de Souza

Um dos médiuns mais notáveis do século XIX. Assim Divaldo Pereira Franco define Daniel Dunglas Home, por sua trajetória pautada pela mediunidade ostensiva que o acompanhou desde criança.

Ele nasceu em 15 de março de 1833, próximo a Edimburgo, na Escócia. Aos seis meses de idade, observava-se que seu berço balançava sozinho, mas sua mediunidade só foi verdadeiramente reconhecida aos dezessete anos.

Com nove anos, foi da Escócia para a Nova Inglaterra com uma tia que o havia adotado, e aos treze, começou a demonstrar a faculdade psíquica de previsão. Mais tarde, a tia o colocaria na rua logo em seguida aos fenômenos mediúnicos que tomaram conta de sua casa.

Nos períodos seguintes, Home habitou casas de amigos e conhecidos, onde realizava frequentes sessões, pois sua mediunidade havia se desenvolvido poderosamente.

Segundo conta Jean Burton, era efusivo nas expressões de gratidão, rápido em tomar a cor local, eminentemente adaptável, sempre pronto para ajudar as crianças nos seus deveres, brincar com o gato ou admirar o desenho de uma nova manta. A natureza preparou-o, em suma, para ser o hóspede perfeito.

Em 8 de agosto de 1852, em casa de Ward Cheney, de conhecida família de industriais da seda, Home levitou pela primeira vez. Repetiria esse fenômeno inúmeras vezes, sob as condições mais estranhas e os olhos atônitos de testemunhas do mais alto gabarito.

Ficou conhecido como O Médium Voador – cujas histórias e relatos de pesquisadores e estudiosos da doutrina transformaram-se em um livro de mesmo nome, organizado por Adilton Pugliese, em 2011.

Informam os biógrafos que o menino foi orador precoce, muito fluente e com entonações de pregador sacro, gostando de recitar versos sentimentais e religiosos e pequenos discursos.

Há uma verdadeira torrente de livros e referências sobre esse homem curioso, que tinha livre acesso às brilhantes cortes europeias do século XIX. Jean Burton, na excelente biografia Heyday of a Wizard, publicada por George G. Harrap, em 1948, comenta a dificuldade que enfrentaram os contemporâneos do médium para entendê-lo e classificá-lo. Não era um artista de palco nem um religioso. Gostava de ser recebido como igual e que jamais alguém se lembrasse de oferecer-lhe dinheiro pelas suas sessões.

Não só pelos efeitos físicos o médium chamava a atenção. Conforme descreve Arthur Conan Doyle, era  De uma honestidade inflexível e tão rigorosa que por vezes chegava a ofender seus aliados, havia um dom tão admirável que apagava todos os demais. […] Por outras palavras, ele era um médium – o maior que o mundo moderno já viu, no campo das manifestações físicas.

Sua personalidade e conduta também foram pauta para o Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, contemporâneo do médium, que assim o descreveu: É um jovem de talhe mediano, louro, cuja fisionomia melancólica nada tem de excêntrica; é de compleição muito delicada, de costumes simples e suaves, de caráter afável e benevolente, sobre o qual o contato das grandezas não lançou nem arrogância e nem ostentação. Dotado de excessiva modéstia, jamais exibiu a sua maravilhosa faculdade, jamais falou de si mesmo, e se, na expansão da intimidade, conta coisas que lhe são pessoais, é com simplicidade, e jamais com a ênfase própria das pessoas com as quais a malevolência procura compará-lo. Vários fatos íntimos, que são do nosso conhecimento pessoal, provam nele nobres sentimentos e uma grande elevação de alma; nós o constatamos com tanto maior prazer quanto se conhece a influência das disposições morais sobre a natureza das manifestações.

Com fé em sua missão de provar a existência da imortalidade da alma, Daniel Dunglas Home ofereceu-se a estudos de pesquisadores como William Crookes, que chegou a afirmar que  de todas as pessoas dotadas de poder de desenvolver essa força psíquica, e que são chamados de médiuns, o Sr. Daniel é sem dúvida, o mais extraordinário.

Por seus relatos referente às atividades, era notória sua paixão e crença por sua missão: Sinceramente, penso que essa força aumentará cada vez mais para nos aproximar de Deus. Perguntareis se ela nos torna mais puros. […] ela ensina que aqueles de coração puro e verdadeiro verão a Deus. Ela nos ensina que Deus é amor e que não há morte. Aos velhos ela vem como uma consolação, quando se aproximam as tempestades da vida e quando vem o descanso. Aos moços ela fala do dever que temos uns para com os outros e diz que colheremos o que houvermos semeado. A todos ensina resignação.  Vem desfazer as nuvens do erro e trazer a manhã radiosa de um dia interminável.

A caridade era uma das mais belas características de Home. Como toda verdadeira caridade era secreta e só se tornava conhecida indiretamente, e por acaso. Ele ajudava amigos, vagava por campos de batalha levando apoio e é lembrado por salvar um soldado de morrer de hemorragia, carregando-o nos ombros para fora da zona de fogo. Home era simples, bondoso, de bom humor e disposição amorável.

Morreu a 21 de junho de 1886, aos cinquenta e três anos, e foi enterrado no cemitério russo de Saint-Germain-en-Laye, junto aos restos físicos de sua filha.

 

Bibliografia:

1.DOYLE, Arthur Conan. A história do espiritualismo. Brasília: FEB, 2012. cap.9.

2.KARDEC, Allan. Revista Espírita, 1858. v. 2, item Home.

3.MIRANDA, Hermínio C. Sobrevivência e comunicabilidade dos Espíritos. Brasília: FEB, 1990.

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