Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Cristãos, voltai para o Mestre

fevereiro/2019

Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade.1

No mesmo sentido de a cada um será dado segundo suas próprias obras, está a cada um segundo o seu próprio esforço de melhoria.

O despertar da consciência vai se apresentando paulatinamente em cada um. Nalguns, ainda muito tenazes são os laços da matéria para permitirem que o Espírito se desprenda das coisas da Terra; a névoa que os envolve tira-lhes a visão do infinito, donde resulta não romperem facilmente com os seus pendores, nem com seus hábitos, não percebendo haja qualquer coisa melhor do que aquilo de que são dotados. Têm a crença nos Espíritos como um simples fato, mas que nada ou bem pouco lhes modifica as tendências instintivas. Numa palavra: não divisam mais do que um raio de luz, insuficiente a guiá-los e a lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de lhes sobrepujar as inclinações.1

Essas palavras refletem a mesma compreensão sobre o homem demonstrada por Jesus Cristo, em situações semelhantes, quando lemos2: E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

Uma Casa Espírita, nas oportunas palavras de Emmanuel, Espírito Benfeitor, pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, é uma escola onde podemos aprender e ensinar, plantar o bem e recolher as graças, aprimorar-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna. É onde se aprende a conviver respeitosamente com todas as diversidades, nada se exigindo em contrapartida do Bem que se distribui através daqueles que ali estão a serviço de Jesus.

Adentram na Casa do Consolador, tanto aquele identificado por Leon Tolstói que passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira, ou quem se enquadre na descrição de Lao Tsé: Sua presença é modelo para todos.

O verdadeiro espírita sabe, pelas lições do grande apóstolo Paulo3 que somos filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. (Trevas: aqui no sentido de ausência da luz.)

A Casa Espírita deve envolver a todos os que chegam e os que já estão, com afeição e fraternidade, conquistando um a um pela simpatia e solidariedade, em clima de atração ao Bem pela semelhança de propósitos e inclinações. Disseminar a mensagem espírita e vivenciar o amor ao próximo como a si mesmo, e a Deus acima de todas as coisas, pois junto estará o Mestre a convidar: Quem quiser vir após mim…, e a anunciar: Eu sou a luz que vim ao mundo…

E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam, comentou o Evangelista João4. Muitos veem, e não entendem; muitos ouvem, mas não compreendem.

Quais faróis projetando a convidativa luz, que indica os caminhos seguros aos navegantes do mar da vida, a Casa Espírita se apresenta como o albergue a todos que a busquem, quer venham do continente, cheguem pelo mar, venham pela própria vontade, quer sejam trazidos pelas ondas da dor, acolhendo-os com o caldo refazente e revigorante do Consolador, e presenteando-os com o mapa indicativo do Caminho, da Verdade e da Vida.

Quando Jesus se pronunciou como sendo o Caminho que leva a Deus, contextualizou o Caminho, demarcando-o com Seus ensinos, diferenciando-o dos demais.

Um caminho somente se faz caminho, quando iniciamos a caminhada, e somente permanece como caminho, se seguirmos caminhando. No momento em que paremos, se desfaz o caminho. Logo, caminho, caminhante e caminhar formam um todo indissolúvel, unem-se em unidade.

Essa é a unidade buscada por Jesus conosco. Aquela que levou Paulo, o apóstolo, a exclamar, em estesia: Já não sou quem vive; Ele é que vive em mim.

Para isso, o Mestre enaltece a necessidade de que nos façamos um com Ele, adotando-O como Caminho, dizendo-nos5: Eu e o Pai somos um. E, em nome da nossa plenitude com o Pai6: Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.

É um hino à esperança para todos, e um convite a que compreendamo-nos uns aos outros, reconhecidos da natural diversidade que expressamos, respeitando o momento-vida de cada um, estejamos ou não a caminho pelo Caminho da verdadeira vida, porém juntos, solidários e fraternos, unidos pela paz, até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, conforme as sempre lúcidas palavras de Paulo7.

O próprio Cristianismo é quem abre o caminho e serve de apoio ao Espiritismo.

Fénelon8 deixa-nos seu convite de sublime oportunidade: Cristãos, voltai para o Mestre, que vos quer salvar. Tudo é fácil àquele que crê e ama; o amor o enche de inefável alegria.

Jesus é nosso Guia e Modelo.

 

Referências:

  1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 120. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. cap. XVII, item 4.
  2. BÍBILA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 12, vers. 47.
  3. ______. Primeira Carta aos Tessalonicenses. Op. cit. cap. 5, vers. 5.
  4. ______. João. Op. cit. cap. 1, vers. 5.
  5. Op. cit. cap. 10, vers. 30.
  6. Op. cit. cap. 17, vers. 23.
  7. BÍBILA, N. T. Efésios. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 4, vers. 13.
  8. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 120. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. cap. I, item 10.
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