Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2021 Número 1647 Ano 89

Criança interior

outubro/2021 - Por Cezar Braga Said

Mas Jesus chamou a si as crianças e disse: Deixem vir a mim
as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence
aos que são semelhantes a elas.

Lucas 18:16

Cuide da sua criança interior!

Todos temos uma criança viva em nós clamando por acolhimento, aceitação e carinho.

Ela pode estar, sem que o saibamos, nos comandando com as suas carências. Pode estar com medo de sofrer, viver novas perdas, por isso foge e se retrai, tentando se proteger como um caracol em sua concha. Nesse movimento, interfere diretamente nas decisões que tomamos, nas relações que criamos, em nosso jeito de dar e receber afeto.

Pode ter sido mimada e com isso não aprendeu a trocar, oferecer, apenas receber.

Pode ter dores e frustrações acumuladas, traumas antigos precisando ser diluídos, para que sem o peso do passado, consiga correr livre, leve e feliz.

São aspectos infantis que precisamos cuidar e amadurecer para não esperar nem exigir dos outros, da vida e de nós mesmos, além do que é possível e razoável. Esse processo requer sensibilidade, paciência e coragem para se olhar e se transformar.

Cuidar da criança interior pede o reconhecimento da sua existência e a sensibilidade para ouvi-la, buscando meios de ajudá-la a integrar-se na pessoa adulta que nos tornamos (ou não).

Dar a ela nosso olhar mais terno, envolvendo-a num abraço acolhedor, num sorriso de alegria com a sua presença, tocando com segurança na sua delicada mão, é convidá-la a abandonar o medo.

É poder dizer que ainda há tempo e espaço para brincar, rir, crescer, errar e acertar, dar e receber amor, conviver sem precisar se esconder, se calar e apenas chorar.

Busquemos pela meditação, por meio de vivências e, principalmente, pela psicoterapia, fazer contato com essa criança e olhando para ela sem censura, pesar ou preconceito, caminharemos com alegria ao encontro da autoaceitação e do autoamor.

Ame sua criança interior!

Ame-se como é, independentemente de como tenha sido e do que ainda não seja e aprimore seu amor, esculpindo com carinho, paciência e simplicidade a obra prima divina que você é.

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