Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

Corajosos

maio/2012 - Por Maria Helena Marcon

Do ensino ditado pelos Espíritos superiores, colhemos em O livro dos Espíritos, item 582, de que a paternidade é uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro.

Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões.1

O que nos deixa felizes é constatar como a temática Ser pai vem sendo tratada, nesta época de transição e, consequentemente, de tantas mudanças.

Da inconsequência e da irresponsabilidade, aproximamo-nos dos tempos de mais ampla responsabilidade. Demonstram isso projetos do Conselho Nacional de Justiça, como o intitulado Pai presente, que objetiva identificar os pais que não reconhecem seus filhos e garantir que eles assumam as suas responsabilidades.

É uma fase inicial, mas que nos diz que as mentes principiam a entender que ser pai vai muito além de contribuir, geneticamente, para a geração de um filho.

É preciso estar presente, participar. Ser atuante na vida do filho.

O filme Courageous, traduzido no nosso idioma para Corajosos, é um exemplo a ser divulgado.

Produção independente dos Irmãos Kendrick, conta a história de quatro policiais, em Albany, na Geórgia (EUA), que têm a vocação de servir e proteger.

Enquanto agentes da lei, eles enfrentam o perigo todos os dias e se acostumam a ver o pior da criatura humana: fraudes, assaltos, tráfico de drogas, homicídios.

No entanto, ao final do dia, eles enfrentam um desafio que, verdadeiramente, nenhum deles está preparado: a paternidade.

Mantêm um vínculo de amizade entre si e suas famílias. Quando, porém, a morte trágica da filha de um deles acontece, eles tomam uma decisão que mudará radicalmente suas vidas.

Durante cento e vinte e nove minutos, o que se assiste nesse drama, dirigido por Alex Kendrick, lançado em 2011, é um hino de fé, de confiança em Deus, um convite ao perdão e à responsabilidade.

O imigrante mexicano Javier é um exemplo de fé e de integridade. Ele procura trabalho para sustentar sua família, a braços com inúmeras dificuldades, que vão da falta de comida à mesa ao aluguel da casa, para evitar o despejo.

Suas preces se fazem constantes e, quando, preterido em uma empresa, retorna para casa, um tanto tristonho. Em plena rua, olha para o céu e indaga: Senhor, que queres de mim? Eu confiei em Ti.

Inesperadamente, alguém o chama pelo nome e lhe diz que o aguardava há muito tempo. Ele está atrasado. Sem entender o que ocorre e porquê, ele começa a trabalhar. Somente depois descobrirão, ele e seu empregador, que este aguardava outro carpinteiro de nome Javier, que não comparecera no dia e hora aprazados, por ter sofrido uma crise renal e ter sido hospitalizado, de urgência.

Demonstrará, em outro momento, a sua integridade, ao declinar de uma oferta desonesta que lhe garantiria não somente manter seu trabalho mas, ademais, receber uma promoção com compensador ganho salarial.

O xerife adjunto Nathan Hayes cresceu sem pai e, como resultado, tem dificuldades para ser bom pai para seus três filhos jovens. Hayes sofre para perdoar o abandono da família por seu pai, lembrando do quanto lhe doeu aquela ausência.

Ele é o pai que ensaia caminhos para chegar ao coração da filha adolescente. E, uma das cenas mais emocionantes é a do jantar com a menina, em um restaurante, onde a presenteia com um anel, lhe fala do seu amor, pedindo que ela tenha confiança nele, na sua orientação paterna.

David é o jovem que, tendo descoberto grávida a namorada, a abandona. Envolvido pela ação dos colegas policiais, retoma o caminho, assumindo a paternidade.

Adam é o pai que ama aos seus filhos mas não convive mais intensamente com eles. Com a morte brusca da menina de nove anos, parece ruir seu mundo. Entre a dor da ausência física e o remorso, por não ter sido o pai ideal, por ter sido ausente e indiferente em tantos momentos, ele busca reformular-se.

A partir desse fato, idealiza um compromisso de responsabilidade e escreve uma Resolução. Primeiramente, envolve os colegas oficiais que, em plena natureza, perante um pastor, selam o compromisso de amar suas esposas e filhos. Batalhar para que seus filhos não caiam em equívocos. Essa é a  decisão. Essa é a  resposta ao chamado Divino.

O compromisso é impresso, assinado, colocado em um quadro na parede de cada um dos seus lares, a fim de que fique bem à vista.

Ao final do filme, a demonstração é de que a iniciativa de um homem consegue envolver uma grande comunidade.

O enredo emocionante evoca a qualificação divina de todos nós, os filhos de Deus, enfatizando que não fomos criados para a mediocridade, mas para muito mais.

Os criadores do filme inserem nas falas dos personagens alertas impressionantes, nesse convite de converter os corações dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, como, por exemplo, a estatística de que 24,7 milhões de crianças americanas vivem sem seus pais biológicos. Ainda, as estatísticas do governo federal americano de que 63% dos suicídios são realizados por jovens, 90% das crianças de rua são fugitivas e 85% dos jovens nas prisões vêm de lares sem pai.

Stephen Kendrick, produtor de Corajosos, disse que sua esperança para esse filme não é sobre números de bilheteria, mas sobre a transformação no coração.

Queremos especialmente que os homens saiam do cinema dizendo: “Que tipo de pai eu estou sendo, que tipo de pai eu posso ser?” e perceber o papel crucial e influente que têm”, disse ele.

Sim, somos deuses, como nos ensinou Jesus. Compete-nos realizar a nossa parte para que este imenso mundo de Deus se transforme no jardim de delícias com que sonhamos.

Um jardim onde todos trabalhem e sejam felizes, onde todos produzam e se alegrem, onde todos vivam em paz, zelando pelos seus amores e pelo bem-estar de todos os seus irmãos em Humanidade.

 

Ficha Técnica:

Diretor: Alex Kendrick

Produtor: Stephen Kendrick

Produtores Executivos: Michael Catt, Jim Mcbride, Terry Hemmings

Roteiro: Alex e Stephen Kendrick

Diretor de Fotografia: Bob Scott

Trilha Sonora: Mark Willard

Elenco: Alex Kendrick, Bem Bevel, Kevin Downes, Robert Amaya, Renee Jewell

Duração: 129 minutos

Ano: 2011

Gênero: Drama

Classificação: 13 anos

 

Bibliografia:

1.KARDEC, Allan. Das ocupações e missões dos Espíritos. In:___. O livro dos espíritos. 81. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. pt. 2, cap. X, itens 582 e 583.

2.FRANCO, Divaldo Pereira. Deveres dos pais. In:____.S.O.S. Família. Pelo Espírito Joanna de Ângelis e outros Espíritos. Salvador: Leal, 1994.

3.TEIXEIRA, J. Raul. Carta aos Pais. In:___. Vereda familiar. Pelo Espírito Thereza de Brito. Niterói: Fráter, 2004. cap. 30.

4.____. Paternidade e confiança. In:___. Vozes do infinito. Por diversos Espíritos. Niterói: Fráter, 1991. pt. III, cap. 7.

 

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