Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

Comparação

novembro/2018 - Por Vianna de Carvalho

Sobre o dorso limoso do rochedo, a semente invisível, trazida pelo vento, conseguira transformar-se em planta. Dia a dia, foi-lhe crescendo a haste e as raízes se insinuaram nos poros do granito.

Dizem que a pedra também possui uma sensibilidade obscura. E, quem sabe se não ama a seu modo, se não sonha igualmente através da mudez insondável da matéria?!!

O certo é que dá seiva a outros seres, concentra no íntimo forças criadoras, deixa-se penetrar pelas garras das algas e líquens que lhe vestem de verde a ossatura aparentemente hostil! O arbusto aproveitou o acolhimento desinteressado. Fez um pacto misterioso com a mansuetude do penhasco e, em breve, oscilava a vergôntea [ramo fino de árvore ou arbusto, rebento, broto] flexível ao beijo da viração…

Numa linda manhã abriu-se em flor: cinco pétalas virentes [viçosas], matizadas a capricho, expandindo veludo e arminho à carícia do sol nascente. Estava cumprido o seu destino: viver, sorrir um pouco e inclinar-se vencida ao toque da morte triunfadora…

Tal é o emblema da afeição humana. Brota às vezes no seio mais endurecido e luta por se eternizar. Mas apenas floresce chega-lhe o cansaço: definha, sofre e expira afinal no perpétuo conflito das emoções renovadas…

Revista de Espiritualismo, julho de 1925

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