Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Como Elaborar um Programa de Estudos

janeiro/2011 - Por Coordenadoria de Estudo da Doutrina Espírita

O início de um novo ano, para muitas instituições espíritas, marca, no que concerne aos grupos de estudo, uma época de reflexão sobre os trabalhos que serão desenvolvidos.

Parece ser normal que, quando nos preparamos para o planejamento de um novo projeto, busquemos, no arquivo das memórias vivenciadas, o material básico para as nossas reflexões. Dessa forma coloquial de organização e programação, permitimos que nosso passado dê contornos às linhas gerais das metas que virão. Algumas vezes, entretanto, os resultados desse procedimento nos permitem supor que talvez fosse melhor repensarmos, abandonarmos alguns dos caminhos já trilhados e criar um novo.

Destacamos isso porque, ao pensarmos no estudo espírita, como não poderia deixar de ser, somos atraídos por uma força quase incontrolável que nos impele a repetir no centro espírita o modelo educacional aplicado e recebido ao longo da existência a cada um de nós. O material principal de estudo nesse modelo é, via de regra, a matéria, assunto ou conteúdo.

Entretanto, as novas linhas do pensamento pedagógico e andragógico parecem voltar o foco das discussões a fatores que, embora valiosos, vêm sendo pouco explorados: as potencialidades e os desejos do educando. E é justamente nessa mudança de paradigma que acreditamos localizar-se um dos pilares para o desenvolvimento de um programa de estudos vigoroso dentro da instituição espírita.

Para os que pensam e repensam a fórmula ideal para expansão da Doutrina Espírita, cumpre refletir sobre o que se está ofertando nos grupos de estudos da sua própria instituição: Sabemos o que procuram os participantes? Alguma vez isso já lhes foi perguntado? Temos oportunizado a reflexão dos temas juntamente com os participantes, que, como dito, são os interessados? Temos procurado eleger os temas de acordo com a disposição íntima dos participantes e seu grau de desenvolvimento cognitivo e emocional? Temos confiado no potencial latente dos que nos batem à porta, mesmo sem credenciais? Temos acolhido as sugestões, normalmente tímidas, dos que chegam?

Dizemos isso porque, pensamos, o ponto sensível no processo de criação de um programa de estudos funcional encontra-se na identificação da necessidade do estudante e no estabelecimento de uma estrutura maleável a ponto de se moldar para o acolher, dentro dos limites que somente cada grupo, dentro de suas próprias características, poderá definir. Todo projeto de sucesso implica um planejamento minucioso, autoquestionamento, reflexão, aplicação, coleta de opiniões dos educandos (feedback), reformulações, refinamento, nova tentativa e, principalmente, paciência e perseverança.

Sabemos de antemão que a descoberta do programa ideal não será, portanto, uma conquista de uma só investida. O processo de aperfeiçoamento, aliás, é naturalmente lento e trabalhoso, e os vitoriosos não serão os mais brilhantes, mas aqueles que persistirem e adotarem a disciplina como baliza nessa valiosa empreitada. Outrossim, a sólida teoria que se formou sobre o tema, já exaustivamente exercitada e aprovada, instiga-nos a pressupor que os resultados, em médio e longo prazo, tenderão a ser profundamente satisfatórios. Reflitamos sobre isso.

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