Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Começou há 111 anos…

agosto/2013

A história da Federação Espírita do Paraná – FEP teve início em 1902, quando, no dia 24 de agosto, foi fundada. Ao longo desses 111 anos, acompanhou e participou da História paranaense e brasileira, por conseguinte.

Dedicou seus dias em benefício da sociedade, quer através de obras de apoio social, como escolas, creches, hospital, albergue, quer com a divulgação e o estímulo ao bem constante, veiculando a mensagem imorredoura do Cristo, através das letras do Espiritismo.

Permanece presente nos variados locais do Estado onde haja um Centro Espírita, do mesmo modo que todas as regiões do Estado estão presentes na FEP, uma vez contarem com seus representantes em seu Conselho Federativo.

O processo de integração com o meio espírita é ininterrupto, pois o processo de interação também o é, em decorrência dos múltiplos eventos doutrinários que promove e apoia,envolvendo cada um dos Centros Espíritas, em uma relação direta com os programas desenvolvidos e aplicados pela FEP em cada região, ou com a participação de várias regiões ao mesmo tempo, ou, ainda, em atividades de âmbito estadual.

Ciente de que solidários, seremos união. Separados uns dos outros, seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos. Distanciados entre nós, continuaremos à procura do trabalho com que já nos encontramos honrados pela Divina Providência[1], fomenta a concórdia e a união entre todos, do mesmo modo que enaltece a importância do respeito e da solidariedade entre todas as religiões e demais organizações que objetivam o bem-estar da Humanidade.

Não se faz alheia aos graves problemas que afligem todos nós, ao longo dos dias. Mas propugna que não basta identificar o erro, é preciso modificar as causas, para poder saná-lo definitivamente.

Com muita justeza, Allan Kardec situa, na transformação do homem, o efeito positivo do Espiritismo, porque, elucidando a gênese dos problemas que afetam o indivíduo, simultaneamente oferece os recursos para equacionar as dificuldades de qualquer natureza, que produzam aflição e desequilíbrio.[2]

Assim, ao divulgar intensamente o Espiritismo, o faz ciente de que está realizando a veiculação de resposta dos Céus aos apelos da sofrida Humanidade.

Sabedora de que a ação espírita, em qualquer lugar, é vida nova, atraente, chamando a atenção para a liberdade e a saúde, valoriza, estimula e lança mãos desses meios, pois reconhece que:

Uma página espírita breve é carta de alento ao homem em depressão.

Uma palestra espírita é classe de otimismo e ensino para a ignorância em predomínio.

Um livro espírita é curso de profundidade para despertamento e conduta dos que se atêm no desconhecimento dos valores e da oportunidade da vida.

Uma conferência espírita é fecundo veio aurífero de informação e roteiro, ao alcance de quem pensa.

Um debate espírita é intercâmbio  de esclarecimentos com que se reformulam conceitos.[3]

Na amplitude de suas ações objetivando a divulgação doutrinária, aplica o conhecimento de que diversos são os efeitos do conhecimento espírita, todos oportunizando a nossa melhoria espiritual.

Allan Kardec fala-nos desses efeitos[4]:

O primeiro e mais geral consiste em desenvolver o sentimento religioso até naquele que, sem ser materialista, olha com absoluta indiferença para as questões espirituais. Daí lhe advém o desprezo pela morte. Não dizemos o desejo de morrer; longe disso, porquanto o espírita defenderá sua vida como qualquer outro, mas uma indiferença que o leva a aceitar, sem queixa, nem pesar, uma morte inevitável, como coisa mais de alegrar do que de temer, pela certeza que tem do estado que se lhe segue.

O segundo efeito, quase tão geral quanto o primeiro, é a resignação nas vicissitudes da vida. O Espiritismo dá a ver as coisas de tão alto, que, perdendo a vida terrena três quartas partes da sua importância, o homem não se aflige tanto com as tribulações que a acompanham. Daí, mais coragem nas aflições, mais moderação nos desejos. Daí, também, o banimento da ideia de abreviar os dias da existência, por isso que a ciência espírita ensina que, pelo suicídio, sempre se perde o que se queria ganhar. A certeza de um futuro, que temos a faculdade de tornar feliz, a possibilidade de estabelecermos relações com os entes que nos são caros, oferecem ao espírita suprema consolação. O horizonte se lhe dilata ao infinito, graças ao espetáculo, a que assiste incessantemente, da vida de além-túmulo, cujas misteriosas profundezas lhe é facultado sondar.

O terceiro efeito é o estimular no homem a indulgência para com os defeitos alheios. Todavia, cumpre dizê-lo, o princípio egoísta e tudo que dele decorre são o que há de mais tenaz no homem e, por conseguinte, de mais difícil de desarraigar. Toda gente faz voluntariamente sacrifícios, contanto que nada custem e de nada privem. Para a maioria dos homens, o dinheiro tem ainda irresistível atrativo e bem poucos compreendem a palavra supérfluo, quando de suas pessoas se trata. Por isso mesmo, a abnegação da personalidade constitui sinal de grandíssimo progresso.

Sempre enaltecendo tais paradigmas: sentimento religioso, resignação perante as vicissitudes da vida e indulgência para com os defeitos alheios, como referenciais de comportamento cristão, ao completar 111 anos, a Federação Espírita do Paraná reafirma seus propósitos pela divulgação do Espiritismo por todos os meios lícitos possíveis, para que, a cada dia, uma nova e boa página seja escrita na história do Paraná Espírita, e dela todos possamos nos beneficiar, tendo como conteúdo essencial o enredo ditado por Jesus: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.



[1] Bezerra de Menezes – Psicografia de Francisco Cândido Xavier – Mensagem de União – “Unificação” – Reformador: nov.- dez./1980.

[2] FRANCO, Divaldo Pereira. Reflexões espíritas. Vianna de Carvalho, cap. 27, ed. Leal.

[3]Idem. Cap. 28.

[4] KARDEC, Allan.O livro dos Espíritos. Conclusão, item VII, ed. FEB.

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