Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Chorar é humano

abril/2019 - Por Cezar Braga Said

Disse uma criança que chorar é chover pelos olhos.

Falando nisso, há quanto tempo você não chora? Chora de quê?

Chora de rir.

Chora de tristeza, porque é natural ficar triste de vez em quando.

Chora de saudade.

Chora por amor.

Chora de inconformação.

Chora por sentir um vazio…

Chora orando, pedindo forças para não sucumbir diante dos problemas e desafios que a vida nos coloca.

Chora ouvindo música, lendo poesia, conversando e abraçando uma pessoa querida.

Chora de gratidão por todas as dádivas recebidas.

Chora em silêncio, ouvindo a melodia das próprias lágrimas.

Chora apenas por chorar.

Não é saudável conter o pranto do mesmo modo que não devemos interromper um rio que busca o mar.

Chorar alivia, faz desaguar no oceano da vida as tristezas e dores acumuladas, torna mais leve o fardo que carregamos.

Jesus chorou algumas vezes e o fez em público também, como a lecionar que o pranto sincero é legítimo, é uma expressão humana decorrente da sensibilidade e da fragilidade de que somos portadores.  (Jo, 11:37- 44)

Chore, só tenha cuidado para não se afogar nas próprias lágrimas, desesperando-se e fazendo disso um hábito recorrente.

E depois que tiver chorado o suficiente, enxugue os olhos, levante a cabeça e estampe um sorriso no rosto, mesmo que seja um sorriso tímido feito um sol coberto por nuvens. E guarde a certeza de que na vida tudo passa, tristezas e alegrias, escassez e fartura, frio e calor, dores e prazeres, numa impermanência sem fim.

Portanto, quando nossas lágrimas forem o retrato vivo de uma tempestade pela qual estejamos passando, sem que tenhamos conscientemente  semeado ventos , mantenhamos a certeza de que uma nova aurora se anuncia, convidando-nos a recomeçar, tentar mais uma vez e com maior maturidade.

Chore sim, pois chorar nos faz humanos. E aprendamos a transformar lágrimas em energia de crescimento e mudança, para que elas representem o regar das sementes de um novo tempo. Sementes que sempre estiveram dentro de nós, no solo do nosso coração, aguardando o instante certo para germinar.

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