Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

César Lombroso

fevereiro/2009

César Lombroso nasceu em Verona, no dia 6 de novembro de 1835. Faleceu no dia 19 de outubro de 1909, em Turim. Foi um dos fundadores da corrente positivista do Direito Penal. Suas pesquisas e seus livros, notadamente sobre antropologia criminal, tornaram-no conhecido e respeitado mundialmente. Foram-lhe concedidas inúmeras honrarias. Perquirindo sobre as causas primeiras dos atos delituosos, direcionou a atenção dos estudiosos à pessoa do delinquente, visando precipuamente à humanização das penas. Concebeu a chamada “teoria do criminoso nato”, também conhecida como “teoria lombrosiana”, ainda hoje estudada nas Faculdades de Direito e de Medicina, na Cadeira de Medicina Legal.

Como os materialistas de sua época, acreditava que a personalidade moral nada mais era que a secreção do cérebro. E, nessa linha de raciocínio, a morte tudo extinguia (mors omnia solvit).

Em 1891, às insistências de um amigo, Lombroso foi assistir a uma  experiência com a médium Eusápia Paladino. Observou inúmeros fenômenos de efeitos físicos. Admitiu a realidade dos fenômenos. Todavia, preso às suas convicções materialistas, não podendo admitir pensamento sem cérebro e nem a sobrevivência do espírito após a morte, entendeu que ditos fenômenos eram causados por funções neurofisiológicas da sensitiva.

Em 1902, em outra sessão, Eusápia foi encerrada numa jaula, literalmente amarrada numa cadeira confortável. A jaula foi fechada e envolvida por pesados reposteiros. Alguns fenômenos de efeitos físicos. De repente, Lombroso percebeu que das cortinas emergiu um vulto, que veio deslizando em sua direção. Um arrepio intenso percorre-lhe a epiderme, seus pelos ficam eriçados. Ele reconhece sua mãe. A mãe aproxima-se mais e mais, abraça-o carinhosamente, beija-lhe a face. Ele abraça-a também, sente sua carne, sente seu calor. Embora já um pouco surdo, ouve distintamente ela dizer-lhe em dialeto: “meu filho”.

O fenômeno atrai, a doutrina orienta. Lombroso devorou tudo que havia sobre Espiritismo. Tornou-se espírita. Entre outros, escreveu um livro muito sugestivo, traduzido para o português e editado pela FEB sob o título “Hipnotismo e Espiritismo”. Nesta obra ele refuta sua teoria do criminoso nato. Nesta obra ele refuta sua teoria do criminoso nato. Não é o tipo físico que determina o tipo psicológico. É exatamente o contrário. O espírito reencarnante é quem, acoplando-se ao óvulo fertilizado, passa a dirigir a multiplicação e a diversificação das células, direcionando-as à constituição dos mais diversos tecidos do corpo, conforme modelo adredemente impresso em seu corpo espiritual. É o que a ciência de vanguarda denomina “MOB – modelo organizador biológico”, encarregado da elaboração e da manutenção do corpo físico.

No prefácio da citada obra, Lombroso confessou que seus melhores amigos tentaram demovê-lo da intenção de publicá-la, que certamente viria denegrir sua reputação. Todavia, tendo consagrado sua vida ao desenvolvimento da psiquiatria e da antropologia criminal, entendeu dever coroar sua carreira de lutas pelo progresso das ideias, defendendo a ideia mais contestada e zombada do seu século. Assim, não hesitou em refutar a teoria do criminoso nato e publicou a obra. Efetivamente, a Academia só se reporta à primeira fase da produção científica de Lombroso, fase rica de conteúdo, mas incompleta porque inspirada no modelo materialista. Efetivamente, a ciência oficial resolveu esquecer Lombroso como espírita e grande inovador na relação “crime e castigo”.

Dia virá, e não está longe, que se cuidará mais da prevenção que da repressão da criminalidade; em que a pena perderá cada vez mais a característica de vindicta para se transubstanciar no instrumento maior de reabilitação do delinquente à vida social; em que, na aplicação e dosagem da pena, se analisará não apenas os motivos que levaram o delinquente ao ato tipificado como crime, mas também se questionará a responsabilidade moral do agente; em que os governantes compreenderão que vieram para servir, não para serem servidos (João, 13:12, 21:!% a 17); em que os motivadores de opinião resolverem implantar o reino de Deus já no plano material, conforme promessa foi lembrada por Jesus no Sermão da Montanha, quando asseverou que os “mansos herdarão a Terra”. Nesse dia, Lombroso será reconhecido como um dos grandes difusores da nova era.

Assine a versão impressa
Leia também