Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
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Movimento Espírita do Paraná

Centro Espírita Luz Eterna – CELE

janeiro/2008

O CELE tem uma história “sui generis”, entre as casas espíritas: nasceu numa estrebaria! Desativada e adaptada, é claro! Poucos meses depois, a estrebaria ficou pequena para receber o número crescente de freqüentadores, e ele foi mudado para um porão!

Foi concebido exatamente no dia 4 de abril de 1947, quando os irmãos Sinibaldo, Geraldo e Mirtilo Trombini, membros de uma respeitadíssima família paranaense, receberam a visita de um velho amigo e confrade, Antônio Gonçalves Filho, mais conhecido por Toni, na antiga Casa Raymundo, casa comercial de propriedade deles, situada na então Avenida Pilarzinho, hoje Avenida Desembargador Hugo Simas, integrando atualmente o bairro Bom Retiro, em Curitiba.

Os quatro eram velhos conhecidos de Morretes, litoral paranaense, onde iniciaram juntos suas lides espíritas. No bate-papo que se seguiu, surgiu algo comum entre os espíritas que se reencontravam naquela época: a idéia de uma sessão mediúnica.

“Aceita por todos e efetivada minutos após com resultados confortadores”, diria mais tarde Sinibaldo Trombini no 25º aniversário do CELE. E, prosseguindo: “Passados dias, nós, os irmãos Trombini, sentimos a necessidade de novas reuniões, concretizadas já com convites a companheiros e amigos. Faltava uma sala para abrigar, tempos depois, mais de duas dezenas de praticantes. Surgiu então a idéia de transformarmos a velha estrebaria, existente na dita Casa Raymundo, em um salão que, mesmo precariamente, pudesse atender às reuniões do grupo em formação”.

Quatro meses se passaram e, em 1º de agosto de 1947, presente grande número de pessoas, foi organizado o “Centro Espírita Luz do Céu, Luz Eterna”, denominação sugerida por Espíritos comunicantes e prontamente aceita por todos.

Escolhida e empossada a primeira Diretoria, a proposição apresentada a seguir e aprovada de imediato foi a filiação do Centro à Federação Espírita do Paraná. Mais alguns meses e, não mais sendo possível manter o Centro na estrebaria, o Sr. Augusto Suckow ofereceu os porões de sua propriedade, também casa comercial, situada defronte à Casa Raymundo. Somente nas festividades do primeiro aniversário, festejado a 4 de abril de 1948, surgiu a idéia da compra de um terreno para instalação definitiva do CELE, o que foi concretizado com a ajuda da Federação Espírita do Paraná.

O CELE iniciou suas atividades organizando um grupo de estudos da Doutrina e prática da mediunidade. Parece que, desde o início, sua principal vocação foi o estudo doutrinário.

A 9 de maio de 1952, foi fundada a União Assistencial Dr. Joaquim Trajano dos Reis. Durou até 1955, quando, em 5 de novembro foi fundada a União Assistencial aos Necessitados – UAN, que, por sua vez, foi extinta em 8 de fevereiro de 1971, passando as atividades de promoção social do CELE a serem desenvolvidas, desde então, por um Departamento do Centro, procedimento mais adequado, tendo em vista a unidade de ação necessária para a boa administração de um Centro Espírita.

Por volta de 1965, o Centro Espírita Luz do Céu, Luz Eterna iria passar por profundas modificações. É ainda Sinibaldo Trombini quem conta: “Em palestra com nosso companheiro Hugo Marçal, soubemos da existência de um grupo de espíritas jovens que necessitavam de um local para se reunirem e se dedicarem à Doutrina Espírita. Conversamos com o mano Geraldo, e com os irmãos Arthur e Rubens Mômoli, para acolhermos em nosso Centro esse grupo, a fim de provocarmos uma renovação que somente poderia beneficiar-nos. Já éramos conhecidos como ‘donos do Centro’, pois a referência para esta casa era ‘Centro dos Trombini’. Isso não ficava bem e, se nos mantivemos muitos anos na administração o foi, unicamente, pela exigência de nossa participação.”

O fato é que, um grupo de jovens dinâmicos, citando-se, principalmente, Alexandre Sech, Célio Trujilo Costa, Neuton e Ney Paulo de Meira Albach, Hilton Gomes da Silva, Maria Tereza Albach, Maderli Silveira Sech, Teinar Alice Alves Costa, somando-se a alguns frequentadores antigos, como os Trombini, os Mômoli, Luiz Gobel Júnior e Anna Aurélia Born Gobel, passaram a imprimir ao CELE suas características que perduram até hoje.

As mudanças começaram com a modificação do nome para Centro Espírita Luz Eterna, elaboração de novos Estatutos e reorganização geral dos trabalhos mediúnicos. Foi criada a Escola Espírita de Evangelização, funcionando até hoje com a denominação de Infância Espírita, e a Mocidade Espírita Obreiros do Bem, posteriormente, Mocidade do Centro Espírita Luz Eterna.

As sucessivas gerações de jovens dessa Mocidade tiveram intensa participação no Movimento Espírita, colaborando na criação do Programa de Estudos da Doutrina Espírita Para as Mocidades – PEDEM (1972), com ampla repercussão e publicação de jornais como “Evos de Paz” e “Semeando.”

Nessas mais de cinco décadas de existência o CELE recebeu a visita de inúmeras personalidades, destacando-se: Arthur Lins de Vasconcelos Lopes, ilustre líder espírita; Armando de Oliveira Assis, Presidente da Federação Espírita Brasileira; Divaldo Pereira Franco e José Jorge, excelentes oradores; Hamendras Nat Banerjee, conhecido estudioso indiano da memória extra-cerebral; Clev Bekster, pesquisador americano da sensibilidade das plantas; Hernani Guimarães Andrade, nosso mais famoso parapsicólogo, assim como caravanas de espíritas de diversos países.

O CELE está situado na abrangência da União Regional Espírita Metropolitana Norte – URE Norte.

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