Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Capela da Reitoria se abre como Espaço Inter-Religioso

dezembro/2014 - Por Assessoria de Comunicação Social da UFPR

A Federação Espírita do Paraná, representada pelo seu 1º vice-presidente Adriano Lino Greca, participou,  na noite de 28 de outubro, da solenidade de reinauguração da Capela da Reitoria da UFPR. O reitor Zaki Akel Sobrinho recebeu, em cerimônia inter-religiosa,  representantes das igrejas Católica, Ortodoxa, Batista e Luterana, do Islamismo, Espiritismo, de terreiros de Umbanda e Candomblé.

“A Universidade é laica, mas é justo que ofereçamos a oportunidade e o espaço para todos que desejem, de alguma maneira, praticar sua fé. Que este local sirva também à cultura, às manifestações artísticas e outras atividades que reúnam pessoas no objetivo comum de praticar e pensar a espiritualização e a fraternidade,” disse o reitor.

O Sheikh Mohammad Ebrahimi, da Mesquita Al Iman Ali IBN ABI TALEB, abriu as falas dos religiosos e ressaltou a importância da união da ciência com a fé. “O conhecimento científico nos diz como nos desenvolver enquanto sociedade, mas a religião nos mostra o porquê de fazermos isso. A ciência torna a vida mais fácil, mas a fé torna a vida possível de ser entendida em sua plenitude. O conhecimento sem a religião torna-se um perigo para o mundo”, explicou.

Na sequência, o espaço foi aberto à Igreja Ortodoxa Antioquina São Jorge de Curitiba. Abdo Abage, falando em nome do arcebispo de São Paulo, contou aos presentes um pouco sobre a história da religião e a importância da tolerância e da compreensão pela relação com a “igreja-irmã” Católica. Para o representante da Igreja Batista em Piraquara, Pastor Jonathan, a experiência do encontro serve como precedente para que outros momentos iguais aconteçam. O amor foi o sentimento mencionado por todos os religiosos. Segundo a pastora da Igreja Luterana, Vera Immich, “o amor é um sentimento profundamente mobilizador e transformador”. O Pai de Santo Roberto Guimarães, do Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, elogiou a iniciativa e agradeceu a oportunidade de poder falar sobre a Umbanda. “Admiro a UFPR pelo arrojo em revelar o verdadeiro sentido da laicidade: proporcionar a todos nós a mesma oportunidade.”

A Mãe de Santo Yia Gunan do Candomblé, Dalzira Maria Aparecida, fez o depoimento mais emocionante reforçando a preocupação com a discriminação enfrentada pela crença: “Nossa religião surgiu já de grandes dificuldades, de proibições a nossos ancestrais escravizados em cultuar seu Deus. A discriminação ainda é a mesma. O chicote é o mesmo. Mudou apenas o modo de chicotear”, manifestou. “A inter-religiosidade é algo difícil de acontecer, e aqui estamos fazendo existir algo que não ocorre no país. Sorte nossa que estamos aqui vivenciando esse momento, praticando a tolerância. Que lá na frente tenhamos uma trajetória de iguais perante a humanidade.”

“De cada fala ouvida aqui, podemos perceber como temos tanto em comum, não importando nossa crença”, ponderou, em seguida, o vice-presidente da Federação Espírita do Paraná, Adriano Greca. “Que esse espaço possa ser usado sobretudo pela juventude que aqui busca seu enriquecimento científico. Porque hoje a espiritualidade superior, que não tem preconceitos está certamente em festa com a revitalização deste espaço.”

Padre Volnei Campos, da Igreja Católica, encerrou a cerimônia dizendo: “O verdadeiro ecumenismo, o verdadeiro diálogo, é quando cada um pode se sentar junto ao outro, amar sua própria Igreja e respeitar ainda mais a Igreja do outro. Rezar juntos. Perceber que Deus não é operário de nenhuma igreja.”

Fotos: Ana Assunção

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