Jornal Mundo Espírita

Abril de 2020 Número 1629 Ano 88
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Camilo Rodrigues Chaves

janeiro/2020 - Por Mary Ishiyama

A notícia da desencarnação do antropólogo e humanista foi sentida por espíritas e não espíritas: A desencarnação do querido e bondoso Dr. Camilo Rodrigues Chaves no dia 3 de fevereiro de 1955 causou profunda e indescritível saudade à Família Espírita de Minas e do Brasil.

A Academia Brasileira de Letras, em sessão realizada no dia 17.2.1955, através do acadêmico Augusto de Lima Junior, inseriu em ata votos de profundo pesar pelo falecimento do escritor e intelectual Dr. Camilo Rodrigues Chaves; na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em reunião extraordinária ocorrida no dia 7.2.1955, todas as bancadas políticas manifestaram seu pesar pelo falecimento do Dr. Camilo Chaves, ex-senador e ex-deputado; a União Espírita Mineira, através de confrades que representavam a Associação Cristã Educadora Ltda, Sopa dos Pobres, Casa dos Cirineus, Abrigo de Jesus, fizeram homenagens ao homem que ajudou de todas as formas que lhe era possível; a Revista O Reformador prestou homenagem editando seis páginas sobre a vida deste grande divulgador espirita.1

Era filho de João Evangelista Rodrigues Chaves e Maria Matilde do Amaral Chaves, natural de Campo Belo do Prata, hoje cidade de Campina Verde, Minas Gerais. Nasceu em 28 de julho de 1884. Casado com Damartina Teixeira Chaves, teve três filhos.

Estudou em Roma, na Universidade Gregoriana do Vaticano, era doutor em Teologia, Filosofia, Ciências Naturais e Matemática. Homem de vasta cultura, falava italiano, francês, espanhol, latim clássico e grego antigo, tocava piano com perfeição. Foi orador, poeta, escritor, jornalista, comerciante, fazendeiro e advogado.

Foi vereador, deputado e senador do antigo Congresso Mineiro. Como deputado estadual ajudou na criação do Ginásio Mineiro e na Fazenda Experimental da Semente, em Uberlândia, MG.

Foi professor no Liceu de Uberlândia e no Colégio Nossa Senhora das Lágrimas. Na Revolução de 1930, foi Comandante em Chefe das Forças Revolucionárias do Triângulo Mineiro.

Como autor, publicou Caiapônia, livro bem acolhido pela Academia e Semíramis – Rainha da Assíria, de Babilônia do Súmer e Akad. No prefácio de Semíramis, Camilo fala de sua admiração incompreendida pela deusa, heroína, mulher e rainha. Desencarnado, ele saberá dos profundos vínculos que a ela o ligavam.4

Abandonou a política e dedicou-se às letras e à Doutrina Espírita. Foi presidente da União Espírita Mineira – UEM, de 1945 a 1955, iniciou a construção da atual sede, forneceu Assistência Dentária e Farmácia Homeopática gratuita para milhares de necessitados. Por iniciativa sua foi criado o Ginásio Espírita O Precursor. Fez circular com regularidade O Espírita Mineiro, órgão de orientação doutrinária. Elaborou novo Estatuto e ampliou o Departamento Estadual da Mocidade Espírita e do Conselho Federativo Estadual, obedecidas as normas do Pacto Áureo de Unificação. Promoveu o II Congresso Espírita Mineiro, onde foi aprovada a Declaração de Princípios Espíritas. Foi fundador do Cenáculo Espírita Tiago, o Maior, presidente de Honra do Centro Espírita Amor e Caridade, fundador da Sociedade de Amparo à Pobreza, conhecida como Sopa dos Pobres, conselheiro, sócio e irmão benemérito de várias sociedades espíritas que lhe adotaram o nome.6

As homenagens a esse homem não foram em vão, ele dedicou sua vida em favor dos necessitados. Divaldo Pereira Franco4 nos conta que, em desdobramento, esteve com o Espírito Camilo Chaves, que lhe narrou que, ao despertar no mundo espiritual, periodicamente, sentia angústia e uma tristeza que não sabia explicar. Doutor Bezerra de Menezes lhe explicou que ele fora um rei impiedoso e o levou a uma região de grande sofrimento coletivo. Milhares de Espíritos ali estavam e, muitos deles bradavam com ódio o nome de um homem: Nabucodonosor. O Espírito Bezerra apontou para aqueles sofredores e disse: São suas vítimas de mais de quatro mil anos. Quando eles se sentem tristes você o registra.

Prosseguindo na elucidação, o benfeitor disse que ele, Camilo, os deveria resgatar. De que forma? Intercedendo junto a amigos encarnados para que os recebam, pelas vias da reencarnação.

Divaldo complementa que ele mesmo aceitou a chegada de alguns, dizendo que ao aportarem na Mansão do Caminho, os identificava pela dificuldade de se adaptarem à nossa cultura e à língua portuguesa, considerando terem sido babilônios.

No relato da vida proveitosa do ex-senador Camilo Rodrigues Chaves, descobrimos a Justiça Divina através da bendita reencarnação.

Que possamos nos espelhar na figura desse grande homem que errou no passado, mas que muito acertou na oportunidade reencarnatória que lhe foi concedida.

 

Referências:

  1. DR. CAMILO, Rodrigues Chaves. Reformador, ano 73, n. 5, maio 1955.
  2. CHAVES, Camilo. Semíramis – Rainha da Assíria, de Babilônia do Súmer e Akad. São Paulo: LAKE, 1995.
  3. MINIBIOGRAFIA. Presença Espírita, Salvador, ano III, n. 25, mar. 1976.
  4. https://www.youtube.com/watch?v=WcPLc-dOq-o
  5. http://www.camilochaves.org.br/camilo-chaves.php
  6. https://www.uemmg.org.br/biografias/camilo-rodrigues-chaves
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