Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2022 Número 1650 Ano 89

Cambaraense é um dos divulgadores da Doutrina Espírita no Brasil e países da América latina

julho/2015 - Por Graça Maria Cruz

Nos anos de 1930, chegava ao lar de Maria Anunciata Síndice Romano, que ficaria conhecida, na cidade de Cambará, como Lúcia, e de Henrique Romano, o segundo filho do casal, Hélio Romano.

Lúcia, italiana, espiritista, além de criar quatro filhos biológicos, recebeu em sua casa várias meninas órfãs, ou abandonadas pela família, o que inspirou Hélio a trabalhar com os desvalidos.

Na adolescência, tornou-se gráfico e, próximo à empresa gráfica na qual trabalhava, conheceu a futura esposa, Zinair Pinheiro, cuja mãe, Nair Trautwein Pinheiro, espírita de berço, seria fundamental na decisão de Hélio mergulhar na Doutrina Espírita.

Ele tinha dezoito anos e Zinair, treze. Foi quando Nair Pinheiro iniciou a formação de uma mocidade espírita, no Centro Espírita Camille Flammarion, de Cambará, que recebeu o nome de Cairbar Schutel, uma homenagem ao trabalhador da Doutrina na cidade de Matão/SP, e amigo pessoal de Pedro Trautwein, pai de Nair.

A Mocidade tinha vinte e poucos jovens, e influenciou a criação de mocidades em Santo Antonio da Platina, Jacarezinho e Joaquim Távora.

Pouco depois, Hélio tornou-se proprietário da sua própria gráfica  e surgiu a ideia da criação de um jornal para a divulgação das atividades das mocidades dos quatro municípios. Aldrovando Goes, da mocidade de Santo Antonio da Platina, sugeriu o nome do periódico mensal: O Moço, que circulou até o ano de 1965.

Em 1957, Hélio e Zinair contraíram matrimônio. Da união nasceram os filhos Telma, Walter e Rodrigo. O casal e os integrantes das mocidades da região selecionavam mensagens de livros espíritas, além das atividades realizadas pelos grupos, e publicavam no periódico, voltado exclusivamente para espíritas.

A partir de 1965, outra ideia surgiu: passariam a imprimir mensagens das obras espíritas, e se distribuiria para todos que as aceitassem, e não somente entre espíritas.

Foi um sucesso. A cada lote de mensagens impressas, saíam os jovens dos quatro municípios a distribui-las em outras cidades, especialmente do Estado de São Paulo, como Ourinhos, Chavantes, Bernardino de Campos, entre outras. De acordo com Hélio, um dos endereços eram as estações ferroviária e rodoviária dessas cidades, devido ao grande número de pessoas. Entregávamos as mensagens aos passageiros pela janela. Até que apareceram os trens blindados, em que as janelas não abriam. Colocávamos os jovens dentro dos trens, se tivesse que pagar passagem, pagávamos, e íamos de carro esperá-los nas próximas cidades, recorda ele.

 

A amizade com Chico Xavier

Poucas pessoas mostravam desagrado ao receber as mensagens. A maioria pedia mais, para repassar a outras pessoas. As mensagens também eram enviadas, pelos Correios, a pessoas e Centros Espíritas de quase todos os Estados brasileiros. Foi assim que elas chegaram ao conhecimento de Francisco Cândido Xavier.

Uma moradora de uma cidade próxima a Cambará, foi até Uberaba. Disse ao Chico que residia próximo à cidade e ouviu dele: Conhece em Cambará, a Gráfica Romano?

Quando soubemos disso, eu e Zinair decidimos procurar o Chico. O trabalho de atendimento era realizado na sexta-feira. No sábado, fomos convidados a almoçar na casa dele. Desde então, desenvolvemos uma amizade profunda, que o tempo não irá apagar, conta Hélio.

A partir dessa viagem, Chico Xavier passou a enviar mensagens para impressão, mesmo antes dos livros serem publicados. Também, próximo a Finados, mensagens psicografadas abordando a morte eram enviadas para a impressão e distribuição.

Chegamos a imprimir seiscentas mil mensagens, para distribuição nas portas de cemitérios. A mensagem Eles vivem foi psicografada, especialmente, para imprimirmos em Cambará,  narra Romano. Diz ainda que, mensalmente, ia até Uberaba, levar novas mensagens impressas para Chico Xavier.

A amizade com Divaldo Pereira Franco

O trabalho da impressão das mensagens espíritas abriu campo para a amizade com outro grande trabalhador da Doutrina: Divaldo Pereira Franco. Por ocasião da inauguração da Creche Lar Anália Franco, em 1974, Chico Xavier não pôde comparecer. Divaldo o substituiu, ficando hospedado na casa do promotor de justiça da época, Jorge Derbis, que se tornou espírita e muito colaborou para a organização de entidades sociais do município.

O início das Uniões Regionais Espíritas

Hélio e Zinair, Nair e outros trabalhadores do Centro Espírita Camille Flammarion e das mocidades espíritas da região, ajudaram ainda na constituição da URE – União Regional Espírita.

Ocorreu uma reorganização dos Centros Espíritas do Norte do Paraná, no eixo Maringá, Londrina e Cambará. Primeiramente, ficaríamos agrupados com os municípios citados, mas depois foram inclusos na nossa regional, Andirá, Bandeirantes, Jaguariaiva, Wenceslau Braz, e os outros municípios que a integram até hoje. O primeiro presidente dessa URE foi Haroldo Bastos, e eu assumi a vice-presidência, sendo depois presidente, conta.

Após mais de cinquenta anos como distribuidor de mensagens espíritas, Romano diz que o volume atual da confecção das mensagens diminuiu muito, devido a desencarnação de muitos colaboradores do projeto, entre outros motivos. Mas, continua em escala menor, a impressão e distribuição para todo o país, e também para países de língua latina, como Argentina, Paraguai e Uruguai.

Completa: Não sei se é uma missão. Nunca me disseram, mas sinto uma força dentro de mim que me impulsiona na impressão dessas mensagens, que só deverá acabar quando desencarnar.

Diz sentir-se feliz por ter participado e ajudado a impulsionar o Espiritismo no Brasil, nos anos de 1960, 1970 e 1980, quando ainda a Doutrina não tinha ganho o status que possui nos dias atuais.

Zinair Pinheiro Romano desencarnou em 1996, deixando profundas marcas no coração do companheiro, e em todas as pessoas que conviveram com ela, devido a sua postura e vivência espírita.

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