Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2020 Número 1633 Ano 88

Calma e confiança

julho/2020 - Por Antônio Moris Cury

O título deste artigo é formado por dois substantivos femininos que têm considerável importância em nosso dia a dia.

Comecemos pela calma. Se ainda não a temos, devemos procurar conquistá-la, desenvolvê-la e até mesmo aperfeiçoá-la, o que é perfeitamente possível, ainda que a pouco e pouco, por ser de enorme valor e utilidade possuí-la para o melhor enfrentamento das dificuldades, tribulações, vicissitudes e dos problemas do cotidiano, comuns em maior ou menor grau a todos os viventes nesta pequenina província do Universo chamada planeta Terra.

Até o ditado popular aponta nessa direção: Com calma, tudo se resolve! Sem sombra de dúvida, é com calma que conseguimos resolver as questões que se nos apresentam quase todos os dias. A resolução dos problemas com calma, por exemplo, nos ajuda não só a ultrapassá-los, como também contribui para o aperfeiçoamento de nossa inteligência, que devemos cultivar continuamente.

A propósito, vale reproduzir aqui dois pequenos trechos de texto ditado pelo Espírito Fénelon, na cidade de Lyon, França, em 1860:1

Vive o homem incessantemente em busca da felicidade, que também incessantemente lhe foge, porque felicidade sem mescla não se encontra na Terra. Entretanto, malgrado as vicissitudes que formam o cortejo inevitável da vida terrena, poderia ele, pelo menos, gozar de relativa felicidade, se não a procurasse nas coisas perecíveis e sujeitas às mesmas vicissitudes, isto é, nos gozos materiais em vez de a procurar nos gozos da alma, que são um prelibar dos gozos celestes, imperecíveis; em vez de procurar a paz do coração, única felicidade real neste mundo, ele se mostra ávido de tudo o que o agitará e turbará, e, coisa singular! o homem, como que de intento, cria para si tormentos que está nas suas mãos evitar.

Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é. Esse é sempre rico, porquanto, se olha para baixo de si, e não para cima, vê sempre criaturas que têm menos do que ele. É calmo, porque não cria para si necessidades quiméricas. E não será uma felicidade a calma, em meio das tempestades da vida?

Em vez de procurar a paz do coração, única felicidade real neste mundo…

E não será uma felicidade a calma, em meio das tempestades da vida?

Formidável! Sem dúvida, muito admirável!

Por outro lado, confiança é o sentimento de quem confia, é uma segurança íntima que possui quem confia em sua experiência, é uma esperança firme.2

A Doutrina Espírita, se for lida, estudada e compreendida, gerará enorme confiança, porque daí decorrerá a convicção de que Deus não só existe como é a Inteligência Suprema, Causa primária de todas as coisas,3  de que Ele não erra, de que as Leis Naturais se aplicam a todos, em todos os mundos habitados do Universo, e que são perfeitas. Por isso mesmo imutáveis.

E, a toda evidência, Deus está no comando de tudo!

Haverá a convicção, e como decorrência a confiança, de que todos nós somos Espíritos, imortais e indestrutíveis, razão pela qual viveremos para sempre, ora num mundo material, como este em que nos encontramos agora, ora no mundo espiritual, invisível.

Também passamos a ter confiança que avançaremos sempre, aperfeiçoando-nos, crescendo, progredindo e avançando intelectual e moralmente, na medida em que nos empenharmos com determinação, esforço, disciplina e vontade, sobretudo a vontade que é o motor da existência.

Confiança de que tudo transcorre neste pequeno planeta azul, chamado Terra, de conformidade com as nossas necessidades evolutivas.

O acaso não existe. Mesmo em situações consideradas de extrema preocupação, de que é exemplo o último vírus, este tsunami invisível a olho nu, que chacoalhou o globo terrestre, não é algo solto, sem razão de ser. Mesmo que desconheçamos, certamente há uma séria e necessária razão para ter surgido, e com tamanha e pleonástica virulência. No mínimo, traz uma grande lição e confere-nos um excelente aprendizado, sugerindo por si a revisão de conteúdos, de posturas e composturas, de comportamentos.

Por fim, não esqueçamos que Jesus, o Cristo, Guia e Modelo da Humanidade, é o Governador Espiritual do planeta. Mais do que isto, Jesus é o Rei Solar, do sistema solar, que naturalmente engloba a Terra e que não está à deriva, portanto.

Tenhamos calma e confiança, pois, sempre e sempre!

 

Referências:

1 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2013. cap. V, item 13.

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