Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Bendita Escola

abril/2019 - Por Antônio Moris Cury

A Terra, com os seus contrastes e renovações incessantes, representará bendita escola de aprimoramento individual, em cujas lições purificadoras deixará você o egoísmo para sempre esmagado1.

Os espíritas e os simpatizantes do Espiritismo certamente já ouviram falar em palestras públicas, por mais de uma vez, que o planeta Terra pode ser um educandário, um hospital, ou uma prisão. E, algumas vezes, em certas circunstâncias e necessidades, pode ser tudo isso ao mesmo tempo. Qualquer uma dessas possibilidades, sem qualquer sombra de dúvida, constitui valioso aprendizado e aprimoramento individual para o Espírito imortal.

Neste artigo procuraremos observar o planeta azul como um educandário, como uma escola, nada obstante de maneira muito ligeira, em pequenas e rápidas anotações.

Como sabemos, a Terra é um planeta de provas e de expiações, de categoria inferior no Universo, onde ainda prevalecem o mal e a imperfeição. Não é difícil concluir, por isso, que aqui nos encontramos fundamentalmente para aprender, muito aprender, a começar pelo aprendizado da fraternidade, enxergando-nos e tratando-nos reciprocamente como irmãos, uma vez que somos filhos do mesmo Pai Universal, que nos criou simples e ignorantes, com todos partindo do mesmo ponto inicial, sem exceção. Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas2.

Se assim nos comportarmos e agirmos, estaremos colocando em prática o ensino máximo de Jesus: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, com o qual Ele resumiu toda a lei e os profetas.

E exatamente por essa razão seremos mais felizes desde agora, aqui mesmo na Terra, porquanto o ser humano só é infeliz quando se afasta das Leis de Deus, como nos orienta e esclarece a veneranda Doutrina Espírita: O homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade. Praticando a Lei de Deus, a muitos males se forrará e proporcionará a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira3.

Alcançaremos tal objetivo quando conseguirmos ver no próximo um irmão e fizermos a ele somente aquilo que gostaríamos que ele nos fizesse; quando formos mais tolerantes diante dos defeitos e das falhas alheias, até mesmo porque também os temos e cometemos e, portanto, dependemos da tolerância dos outros; quando tivermos mais caridade, sendo benevolentes, indulgentes e tendo cada vez mais facilidade para perdoar; quando formos mais pacientes (importante conquista que se obtém a pouco e pouco, visto que a paciência pode ser considerada a ciência da paz); quando formos úteis, e cada vez mais úteis, onde quer que nos encontremos; quando formos cumpridores da parte que nos compete realizar, fazendo-a com qualidade, com dedicação e do melhor modo possível; quando nos tornarmos bem mais confiantes e otimistas. E especialmente quando não tivermos um átimo de hesitação em optar pelo Bem, em qualquer circunstância ou situação.

Por outra parte, a toda evidência, o aprimoramento individual implica deixar para trás também, esmagado (para usar, enfatizando, a palavra escolhida pelo Espírito André Luiz no texto antes reproduzido), o egoísmo que insiste em permanecer conosco e, mais grave ainda, prevalecer em nossas decisões. Egoísmo, o nosso maior mal, a nossa chaga social4.

Vale relembrar: Não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Basta que se esteja em relações com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça, a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de praticá-lo. Porque fazer o bem não consiste, para o homem, apenas em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu concurso venha a ser necessário5.

Relacionamos acima apenas alguns exemplos do dia a dia que poderão ser úteis ao aprimoramento, ao aperfeiçoamento, ao crescimento e ao progresso, intelectual e moral, de todos nós. Assim, acreditamos, poderemos ser pessoas melhores, mais otimistas, mais confiantes (com fé inabalável) e mais felizes na atual existência.

Cezar Braga Said escreveu importante e interessante mensagem: Tem havido espaço para o otimismo em sua vida? Como é importante ser otimista! Acreditar em Deus, em si, nas pessoas, na vida… A energia gerada pelo otimismo afasta as nuvens do pessimismo, do derrotismo e faz a pessoa renovar-se por inteiro. Ser otimista não significa ignorar a realidade, criando para si uma outra totalmente ingênua e alienada. Significa ser sábio, pois se na vida tudo é impermanente – beleza, poder, dinheiro, juventude – as dificuldades, por mais áridas que sejam, também são passageiras. E o verdadeiro otimista sabe disso. Quem é otimista não se intimida com a multiplicação dos problemas, não desanima diante dos obstáculos nem se dá por vencido antes de ter tentado. É alguém que ousa, que vai adiante, sem temores irreais. E quanto mais avança, sob a inspiração divina, mais aumenta a sua convicção no seu poder pessoal de remover montanhas. Por isso, o otimista é empreendedor e criativo por excelência. O alicerce do otimismo é a fé raciocinada. Fé que se desenvolve mediante a observação dos fatos, das reflexões em torno das intenções divinas em situar-nos neste mundo, da índole que temos e de tudo o que ocorre à nossa volta. As colunas do otimismo são formadas pela alegria de viver e pela intensidade com que nos envolvemos com o nosso próximo. O otimismo não é só para ser exercitado e posto à prova nos momentos cruciais. É estado de espírito que deve nos acompanhar em todos os instantes da nossa caminhada. Necessitamos dele sempre, pois sua força dilui qualquer onda de pessimismo que tente se acercar de nós. Se é difícil estar assim com os pensamentos e os sentimentos sempre elevados, podemos fazer um esforço para irmos criando condições para tal; de maneira que o pior acontecimento não nos abata tanto, pois estaremos construindo “uma casa sobre a rocha” como ensinou o Apóstolo Paulo. A “casa do otimismo” é confortável, acolhedora e superprotegida contra toda sorte de assaltos. Erguê-la agora ou mais tarde é questão de opção. O que equivale dizer que podemos agora, desde já, ser felizes ou então adiar para mais tarde a conquista desse fantástico e imprescindível estado de espírito6.

Não é difícil concluir, pois, que a Terra é uma bendita escola, um magnífico educandário, que nos permite avançar sempre, até mesmo em circunstâncias que provoquem preocupação, angústia, aflição, dor, sofrimento, medo etc. porque elas funcionam como verdadeiras alavancas de progresso, embora possam aparentar exatamente o contrário. Com elas advirão o exame, a análise profunda, a reflexão acurada, que certamente conduzirão o Espírito imortal a nova postura, a outra compostura, para melhor, com opção por mais humildade, mais simplicidade, mais seriedade, mais amor na mente e no coração.

 

Referências:

  1. XAVIER, Francisco Cândido. Agenda cristã. Pelo Espírito André Luiz. 43. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.  cap. 39.
  2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 88. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. pt. 1, cap. I, q. 1.
  3. 3. Op. cit. 4, cap. I, q. 921.
  4. Op. cit.pt. 3, cap. IX, q. 811.
  5. 5. Op. cit. pt. 3, cap. I, q.
  6. SAID, Cezar Braga. Conversando com você. 2. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2007. cap. Otimismo.
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