Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Bandeirantes da Luz

julho/2019

O Espírito Humberto de Campos, fala-nos1 de aspectos históricos da previdência e providências divinas, em prol da semeadura, germinação e frutificação da Boa Nova em toda a Terra, com destaque para o Brasil:

Foi (…) no último quartel do século XIV, que o Senhor desejou realizar uma de suas visitas periódicas à Terra, a fim de observar os progressos de sua doutrina e de seus exemplos no coração dos homens.

Ele e os demais luminares da caravana celestial, constataram que o planeta terreno lhe apresentava ainda aquelas mesmas veredas escuras, cheias da lama da impenitência e do orgulho das criaturas humanas, e repletas dos espinhos da ingratidão e do egoísmo. Embalde seus olhos compassivos procuraram o ninho doce do seu Evangelho; em vão procurou o Senhor os remanescentes da obra de um de seus últimos enviados à face do orbe terrestre. No coração da Úmbria haviam cessado os cânticos de amor e de fraternidade cristã. De Francisco de Assis só haviam ficado as tradições de carinho e de bondade; (…).

—“Helil” —disse a voz suave e meiga do Mestre a um dos seus mensageiros, encarregado dos problemas sociológicos da Terra —,meu coração se enche de profunda amargura, vendo a incompreensão dos homens, no que se refere às lições do meu Evangelho. Por toda parte é a luta fratricida, como polvo de infinitos tentáculos, a destruir todas as esperanças; recomendei-lhes que se amassem como irmãos, e vejo-os em movimentos impetuosos, aniquilando-se uns aos outros como Cains desvairados.

O diálogo prossegue, bem como a larga visita da caravana celeste pelos diversos recantos da Terra, quando Helil sugere:

(…)Visitemos os continentes ignorados, onde espíritos jovens e simples aguardam a semente de uma vida nova. (…)

Visitaram o continente onde, mais tarde, seria o mundo americano e chegaram ao recanto planetário do qual se enxerga, no infinito, o símbolo da redenção humana.

E, quando no seio da paisagem repleta de aromas e de melodias,contemplavam as almas santificadas dos orbes felizes, na presença do Cordeiro, as maravilhas daquela terra nova, que seria mais tarde o Brasil, desenhou-se no firmamento, formado de estrelas rutilantes, no jardim das constelações de Deus, o mais imponente de todos os símbolos.

Mãos erguidas para o Alto, como se invocasse a bênção de seu Pai para todos os elementos daquele solo extraordinário e opulento, exclama então Jesus:

—Para esta terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e de amor. No seu solo dadivoso e fertilíssimo, todos os povos da Terra aprenderão a lei da fraternidade universal. (…)

*

O tempo corre na sua linha interminável, e os acontecimentos históricos se sucedem. O advento da Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, que ferira os interesses particulares de todas as classes conservadoras, patenteara aos olhos de todos o advento da República.

Por essa razão os anos de 1888 e 1889 assinalaram os derradeiros tempos do único império das plagas americanas. Por toda parte e em todos os ambientes civis e militares acendiam-se os fachos do idealismo republicano, sob o pálio da generosidade da Coroa.

No mundo invisível, reúne o Senhor as falanges benditas de Ismael e dos seus dedicados colaboradores e, enquanto as luzes tênues douravam o éter da imensidade, que se enfeitava de luminosas flores dos jardins do Infinito, falou a sua voz, como no crepúsculo admirável do Sermão da Montanha:

—“Irmãos, a Pátria do Evangelho atinge agora a sua maioridade coletiva. Profundas transições assinalarão a sua existência social e política. Uma nação que alcança a sua maioridade é a responsável legítima e direta por todos os atos comuns que pratica, no concerto dos povos do planeta.(…)”

“(…) Abrireis para a caravana do Evangelho, que marcha ao longo dos caminhos da sombra, a estrada da revolução interior, cujo objetivo único é a reforma de cada um, sob o fardo das provas, sem o recurso à indisciplina perante as leis estatuídas no mundo e sem o auxílio das armas homicidas.”

*

Nos sublimes planos do Mestre, não faltou o concurso dos bandeirantes da luz, abrindo picadas nas densas matas do pouco entendimento humano em várias regiões do Brasil, a fim de que a derradeira caravana da Nova Revelação encontrasse caminhos abertos.

Observemos as datas e se destacará, para nós, o reconhecimento do glorioso pioneirismo de corações abnegados e devotos de Bem Maior.

É o caso do jornal O Echo d’Além Túmulo, fundado em julho de 1869, que está completando 150 anos neste mês.

A revista O Reformador, da Federação Espírita Brasileira, de 1883.

As publicações periódicas no Paraná: A Luz (1889-1934); A Doutrina (1900 a 1907);  Monitor Espírita, então órgão oficial da Federação Espírita do Paraná, que circulou de 1910 a 1917.

*

O Brasil foi e continua sendo  o país em que a Doutrina Espírita encontrou um ninho acolhedor desde os seus primórdios. Aqui foi zelada, aprendida e vivenciada, alcançando foro de maturidade, com expressivo número de seus adeptos, que somam hoje milhões, bem como se faz presente e atuante, com milhares de organizações espíritas, podendo contribuir, retribuindo ao mundo cristão, os ensinos da Luz do Mundo, que, por suas letras, reprisa Seus ditos e feitos, conclamando-nos a que brilhemos nossa luz!

Disse Jesus à Falange de Ismael: Acordemos a alma brasileira para a luminosa alvorada desse novo dia!

E disse a todos aos cristãos e homens de boa vontade: Bem-aventurados todos os trabalhadores da seara divina da verdade e do amor, pois deles é o reino imortal da suprema ventura!

 

Referência:

1.XAVIER, Francisco Cândido. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Pelo Espírito Humberto de Campos. Rio de Janeiro: FEB, 1971. cap. 1.

  1. Op. cit. cap. 27.
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