Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Atitudes

janeiro/2015

Nada como o estímulo de um novo ano para reformularmos projetos de vida.

Do ano findo, o que não realizamos volta para a pauta do ano seguinte, com destaque como urgente, ou fica descartado de vez.

Curiosamente, os problemas, as dificuldades, as circunstâncias, os desejos, as promessas são quase sempre as mesmas, apenas repaginadas, com ares de novidade.

De certo modo, nós também não apresentamos senão prenúncios de mudanças.

O Espírito Emmanuel1 aborda a questão dessa inação e mesmice, convidando-nos a amadurecidas reflexões a respeito:

Iniciados na luz da Revelação Nova, os espiritistas cristãos possuem patrimônios de entendimento muito acima da compreensão normal dos homens encarnados.

Em verdade, sabem que a vida prossegue vitoriosa, além da morte; que se encontram na escola temporária da Terra, em favor da iluminação espiritual que lhes é necessária; que o corpo carnal é simples vestimenta a desgastar-se cada dia; que os trabalhos e desgostos do mundo são recursos educativos; que a dor é o estímulo às mais altas realizações; que a nossa colheita futura se verificará, de acordo com a sementeira de agora; que a luz do Senhor clarear-nos-á os caminhos, sempre que estivermos a serviço do bem; que toda oportunidade de trabalho no presente é uma bênção dos Poderes Divinos; que ninguém se acha na Crosta do Planeta em excursão de prazeres fáceis, mas, sim, em missão de aperfeiçoamento; que a justiça não é uma ilusão e que a verdade surpreenderá toda a gente; que a existência na esfera física é abençoada oficina de trabalho, resgate e redenção e que os atos, palavras e pensamentos da criatura produzirão sempre os frutos que lhes dizem respeito, no campo infinito da vida.

Efetivamente, sabemos tudo isto.

Em face, pois, de tantos conhecimentos e informações dos planos mais altos, a beneficiarem nossos círculos felizes de trabalho espiritual, é justo ouçamos a interrogação do Divino Mestre:

– Que fazeis mais que os outros?

Naturalmente que os que já sentimos a mensagem de Jesus, ouvindo-a, lendo-a, auscultando-a no coração, mais motivos ainda temos para não nos determos na busca de melhoria moral continuadamente. De rompermos com essa passividade, com essa omissão, com esse descompromisso.

Tal conquista, a de melhoria moral, nos é possível e se faz um dever existencial.

Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, nos deparamos com os ensinos:

909. Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?

“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”

911. Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las?

“Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios. Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como ‘querem’. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em consequência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir. Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.”

A conclusão é simples: somos fracos de vontade.

Até sabemos o que deveríamos fazer, como deveríamos ser. Mas nos faltam atitudes renovadoras.

O nosso Amigo de Todas as Horas não nos deixou sem roteiro, legando-nos atitudes notáveis2 que estabeleceram divisão na História:

 

Jesus sempre aproveitou o mínimo para produzir o máximo.

Com três anos de apostolado acendeu luzes para milênios.

Congregando pequena assembleia de doze companheiros, renovou o mundo.

Com uma pregação na montanha inspirou milhões de almas para a vida eterna.

Converte a esmola de uma viúva em lição imperecível de solidariedade.

Corrigindo alguns espíritos perturbados, transforma o sistema judiciário da Terra, erigindo o “amai-vos uns aos outros” para a felicidade humana.

De cinco pães e dois peixes, retira o alimento para milhares de famintos.

Da ação de um Zaqueu bem-intencionado, traça programa edificante para os mordomos da fortuna material.

Da atitude de um fariseu orgulhoso, extrai a verdade que confunde os crentes menos sinceros.

Curando alguns doentes, institui a medicina espiritual para todos os centros da Terra.

Faz dum grão de mostarda maravilhoso símbolo do Reino de Deus.

De uma dracma perdida, forma ensinamento inesquecível sobre o amor espiritual.

De uma cruz grosseira, grava a maior lição de Divindade na História.

De tudo isso somos testemunhas em nossa condição de beneficiários. Em razão de nosso conhecimento, convém ouvirmos a própria consciência. Que fazemos das bagatelas de nosso caminho? Estaremos aproveitando nossas oportunidades para fazer algo de bom?

Aproveitemos este momento importante de nossas vidas e deixemo-nos penetrar pela mensagem redentora de Jesus, fazendo dela uma aprendizagem valiosa, que nos facultará a alegria de viver, liberando-nos das causas das aflições e emulando-nos ao crescimento interior incessante.

O dia é hoje e o momento é agora de nos engajarmos como trabalhadores na Vinha do Senhor.

Que 2015 seja um novo e bom ano, efetivamente.

 

1 XAVIER, Francisco Cândido.Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília: FEB. cap. 60.

2_______. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília: FEB. cap. 161.

Assine a versão impressa
Leia também