Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2020 Número 1626 Ano 87

As regiões inferiores

abril/2008

Umbral, inferno, tártaro, purgatório, geena, são expressões que identificam zonas de retenção espiritual e de sofrimentos após a morte, que objetivam despertar a alma, recondicionando-a para a reencarnação ou para a ascensão às esferas imediatas.

Desde os tempos mais remotos, hebreus, egípcios, gregos e romanos admitiam a vida eterna, a alegria e a dor como aspectos da justiça Divina e educavam os filhos na crença de um julgamento celeste para o espírito humano, a partir do decesso carnal.

Oratórios, indulgências, confissões, extrema-unção, são artifícios do religiosismo dogmático que induzem à falsa ideia do perdão e da fuga dessas plagas de grandes martírios para entrar num céu de prazeres comprados.

A literatura mundial está referta de descrições apavorantes, que tentam despertar a consciência humana para as responsabilidades da vida.

Dante Alighieri, notável escritor italiano, em plena idade Média, lançou a imortal obra “Divina Comédia”. Conduzido por seu guia espiritual Virgílio, Dante visita as regiões infernais, cheias de lugares sombrios, com penhascos, rios e furnas lamacentas, repletas de pecadores.

No início desse século, surge na Inglaterra um outro livro que aborda o mesmo tema, agora em versão menos poética e mais descritiva das zonas purgatoriais. Trata-se de “A vida além do Véu”, do reverendo da Igreja Anglicana G. Vale Owen. O mentor espiritual do religioso inglês era Astriel, homem sério que, quando em vida, fora diretor de uma escola na cidade de Warwick, no século 18. Os planos das trevas, os núcleos de transição e as metrópoles organizadas são trazidas com impressionante clareza.

Yvonne A. Pereira psicografou a primeira obra brasileira que descreve as faixas em que se situam homens e mulheres que se mataram, mostrando as formas existentes nessas regiões de pavor. “Memórias de um Suicida” é um dos clássicos da literatura mediúnica.

Anos depois, André Luiz, pelo incomparável Chico Xavier, traz as contundentes revelações sobre a existência de cidades organizadas no plano espiritual e mostra como se relacionam as entidades desencarnadas e se desenvolvem suas ações sobre os seres encarnados. “Nosso Lar” é sucesso de venda há mais de 60 anos.

Nenhuma outra obra do gênero é tão rica e tão bela em seus textos como “Nosso Lar”. São revelações gradativas que espiritualizam a cultura terrena; e chamam a atenção para a imortalidade da alma e seus compromissos com as leis de Deus, como bem evidenciou Jesus, ao falar das muitas moradas da casa de Nosso Pai, materiais e espirituais.

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