Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

As moedas dos evangelhos

dezembro/2013 - Por Maria Helena Marcon

Na leitura dos Evangelhos, constatamos o quanto estava atento o Rei Solar aos detalhes do Seu entorno. Não desconhecia as questões políticas e os fatos momentosos que ocorriam, aqueles que o povo comentava, deles se servindo para lecionar a coerência, o justo falar e o correto proceder.

Assinalou Lucas, 13:4, as seguintes palavras de Jesus: E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém?

O fato ocorrera e provocara exatamente a morte de dezoito pessoas.

A riqueza de alguns detalhes chama a atenção e nos remete a pesquisas históricas. Interessante se constatar a diversidade das moedas citadas pelo Mestre de Nazaré, em diferentes momentos e situações.O valor de cada uma atesta do Seu conhecimento a respeito e do valor preciso que desejava frisar.

 

Denário (denarius, em latim, plural denarii) –  pequena moeda de prata que era a de maior circulação no Império Romano. Acredita-se que no fim da República e no início do Principado, o denário correspondia ao salário diário de um trabalhador, cujo valor permitia a aquisição de oito quilos de pão.

Valia dez asses, por isso o nome que significa que contém dez. Os estudiosos apontam o ano de 211 a.C. como o da sua primeira cunhagem e somente em meados do Século III d.C. foi substituído pelo antoniniano.

Vários países adotaram o termo denário ou variações para designar suas moedas nacionais, como o denier francês, o dinar árabe, o denaro em italiano, o dinero em espanhol e dinheiro, em português.

Dependendo das traduções bíblicas, a referência a denário ou dinheiro se encontra em:

Mt (Mateus), 18:28: Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros…. (Parábola do credor incompassivo);

Mt, 20:2, 9, 10 e 13: E, ajustando com os trabalhadores a um denário por dia…

E chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um denário cada um;

…mas do mesmo modo receberam um denário cada um;

…não ajustaste tu comigo um denário?  (Parábola dos trabalhadores e das diversas horas do trabalho);

Mc (Marco), 6:37 e Jo (João), 6:7:…e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer?

Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão… (A primeira multiplicação dos pães);

Mc, 14:5 e Jo, 12: 5:…porque podia vender-se [o frasco de perfume] por mais de trezentos denários, e dá-lo aos pobres.

Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros…? (O banquete em Betânia);

Lc (Lucas),7:41: …um devia-lhe quinhentos denários… (A pecadora que unge os pés de Jesus);

Lc, 10:35: … tirou dois denários, e deu-os ao hospedeiro... (Parábola do bom samaritano); e

Lc, 20:24: Mostrai-me um dinheiro. De quem tem a imagem e a inscrição? ( O tributo a César).

 

Dracma (em gregoδραχμή — plural, δραχμές ou δραχμαί (até 1982) é o nome de uma antiga  unidade monetária, encontrada em muitas cidades-estados gregas e Estados sucessores, e em muitos reinos do Médio Oriente do período helenístico.

A dracma era a mais antiga moeda ainda em circulação no mundo, até ser substituída pelo euro, que começou a circular a partir de janeiro de 2002. Seu valor seria equivalente a um denário.

Lc, 15:8 e 9: … mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma

Alegrai-vos comigo, porque jáachei a dracma perdida. (Parábola da dracma perdida).

 

CEITIL ou ASSE (do latim assis): moeda romana de cobre, originariamente equivalente à décima parte de um denário. Ao tempo de Jesus, equivalia à décima sexta parte do denário.

Mt, 5:26: Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último ceitil. (O cumprimento da lei e dos profetas);

Mt, 10:29: Não se vendem dois passarinhos por um asse? (Os doze e sua missão);

Lc, 12:6: Não se vendem cinco passarinhos por dois asses?

 

QUADRANTE: Moeda romana de cobre, cujo valor equivalia a um quarto do asse ou a 1/64 do denário.

Mc,12:42 e Lc, 21, 2: Vindo uma pobre viúva, lançou duas moedinhas, isto é, um quadrante;

E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas. (O óbolo da viúva).

As duas moedas (lepta, em grego, singular lepton) eram as moedas menos valiosas que circulavam na Palestina, na época.

 

ESTÁTER (do grego isthmi, istemi, que também significa fixar, instituir): moeda grega de prata, cujo valor equivaleria a quatro denários.

Mt, 17:27:  Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar e joga o anzol. O primeiro peixe que subir, segura-o e abre-lhe a boca. Acharás aí um estáter. Pega-o e entrega-o a eles por mim e por ti. (Jesus paga o tributo).

 

MINA: peça grega de ouro, cujo valor seria equivalente a cem dracmas. Os gregos, hebreus, egípcios dividiam o talento em sessenta minas. Uma mina grega pesava entre 431 a 437 gramas.

Lc, 19:13, 16,18, 20,24: Chamando dez de seus servos, deu-lhes dez minas e disse-lhes: Fazei-as render até que eu volte.

…a tua mina rendeu dez minas.

…a tua mina rendeu cinco minas.

…aqui está a tua mina…

Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas. (Parábola das dez minas).

 

TALENTO (do latimtalentum, do grego antigo: τάλαντον, talanton, significando escala, balança: peça em barra de ouro, cujo valor equivaleria a 6.000 denários. O talento usado nos tempos do Novo Testamento pesava 58,9 kg.

Como era uma unidade de massa, confundia seu significado com moedas, pois era usado para designar grandes quantidades de ouro ou prata.

Para se ter uma ideia da riqueza dos aristocratas romanos, pode-se citar os exemplos dos dotes atribuídos às jovens, que variavam entre cinquenta a trezentos talentos, normalmente de ouro.

Júlia Cesaris, a filha de Júlio César, foi dotada com cem talentos de ouro no seu casamento com Pompeu. Essa quantidade corresponde a cerca de 3,6 toneladas de ouro. (mais de cento e cinquenta milhões de euros em moeda atual).

Mt, 18:24:…foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; (A parábola do credor incompassivo);

Mt, 25:14-15: A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um…;

…o que recebera cinco talentos, negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos;

…o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles;

….recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos;

…o que recebera um talento…;

Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. (A parábola dos talentos).

 

Bibliografia:

Bíblia Sagrada, trad. João Ferreira de Almeida, Imprensa Bíblica Brasileira, 1966.

Bíblia Sagrada, trad. Pe. Matos Soares, Edições Paulinas, 1953.

Concordância Bíblica, Sociedade Bíblica do Brasil, 1975.

Dicionário Enciclopédido da Bíblia, A. Van Den Born, Editora Vozes, 1985.

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