Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2020 Número 1633 Ano 88

As funções reencarnatórias da infância

fevereiro/2014 - Por Cezar Braga Said

A grande lei da evolução, que rege todos os seres, deve também servir de base a toda organização social. Cada um tem o direito a uma situação relativa às suas aptidões e suas qualidades morais. Ora, é a aquisição que trazemos de nossas vidas anteriores que a educação espírita poderia esmerilhar.

Léon Denis (Socialismo e Espiritismo)

Diferentes autores, nos mais variados campos do conhecimento, tais como o biólogo Jean Piaget (1896-1980), o advogado e estudioso da psicologia, Lev Seminovitch Vygotsky (1896-1934), a psicanalista Anna Freud (1895-1982), o filósofo e médico francês, Henry Wallon (1879-1962), além de outros, ao escreverem sobre o desenvolvimento humano assinalaram etapas, fases ou estágios pelos quais uma criança passa até alcançar o amadurecimento biopsicossocial de que seja capaz.

É esse amadurecimento que para alguns pesquisadores criará condições para que haja aprendizagem. Para outros, a aprendizagem ocorrendo é que criará condições para que haja o desenvolvimento. E, para uma terceira linha de pensadores, os dois processos, aprendizagem e desenvolvimento, ocorrem simultaneamente, não sendo possível demarcar com precisão quando um e outro se dão.

Embora a prioridade do evangelizador espírita seja conhecer o Espiritismo e se evangelizar a cada dia, num processo ininterrupto que se confunde com a própria evolução, tomar contato com as teorias desses autores, mesmo que não sejam espíritas, pode ensejar importantes reflexões e analogias, facilitando o nosso entendimento a respeito de quem seja e como se comporta o Espírito reencarnado com o qual estamos lidando.

Afinal, precisamos abrir e não fechar nossas possibilidades de compreensão, distinguindo, naturalmente, o que seja convergente ou não com o pensamento espírita.

Um autor espírita que nos ajuda a ampliar a visão acerca das questões da educação e, particularmente, sobre a infância e a juventude, é Ney Lobo. Seu livro, Espiritismo e Educação, nos apresenta um estudo fundamentado na codificação (O Livro dos Espíritos – LE) sobre seis funções importantes ensejadas pela reencarnação. Funções que não são etapas que se superam, mas características que se interpenetram e se completam. Conhecê-las é importante, pois uma definição possível para o educando à luz do Espiritismo é que ele é um Espírito reencarnado. São elas:

– Transição (LE – Questão 183)

– Repouso (LE – Questão  382)

– Ocultamento (LE – Questão 385, §3º)

– Atratividade (LE – Questão 385, §4º)

– Plasticidade (LE – Questão 385, §7º)

– Emersão (LE – Questão 385, §1º)

 

Transição – o Espírito transita de uma para outra reencarnação. Transita da vida espiritual para a corporal e também transitará da infância para a adolescência e assim sucessivamente.

Repouso (relativo) – o Espírito vem de dois traumas ou duas grandes mudanças: a redução, constrição do seu corpo perispiritual para se ajustar ao novo corpo em formação no ventre materno e o parto, onde toda a situação de conforto oferecida pelo útero tem fim com o nascimento.

Ocultamento – tendências e aptidões encontram-se camufladas e só paulatinamente  aflorarão, exigindo a intervenção educativa dos pais e demais educadores.

Atratividade, decorrente da fragilidade, da graça, da beleza, das limitações próprias da infância que despertam em nós o cuidado, a proteção e o carinho.

Plasticidade – no estado transitório da infância corporal o Espírito é mais sensível e moldável às impressões que sobre ele exerçam todos os agentes educativos.

Emersão – tudo o que se encontra oculto em termos de pendores positivos ou negativos irá, gradativamente, aflorar e se confrontar com as influências benéficas ou não que o ser haja recebido nos primeiros anos da sua vida terrena.

O estudo espírita continuado e o esforço em nos transformar em seres melhores são as ferramentas, por excelência, para a tarefa abraçada pelos evangelizadores da infância e da juventude.

Sem eles, poderemos até ser bons evangelizadores, mas nunca evangelizadores espíritas. Poderemos até nos convencer intelectualmente, mas não teremos nos convertido no santuário do nosso coração, dulcificando a alma a fim nos tornar o sal da Terra e a luz do mundo a que alude Jesus.

 

Bibliografia:

LOBO, Ney. Espiritismo e Educação. FESPE: Vitória, 1995.

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