Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2020 Número 1634 Ano 88

As atividades espíritas após o isolamento social

setembro/2020 - Por Alessandro Viana Vieira de Paula

No mês de junho passado, neste mesmo jornal mantido pela Federação Espírita do Paraná, em nosso artigo As tarefas espíritas e o isolamento social, tivemos a oportunidade de fazer uma reflexão acerca da conduta ideal do espírita, neste momento de isolamento social, e quais as atividades a Casa Espírita poderia manter no formato virtual ou a distância.

Espera-se que o espírita consciente e responsável esteja utilizando o período de quarentena prolongada para crescer intelectual e moralmente, bem como aproveite o ensejo para os ajustes emocionais e para a grandiosa tarefa do autoconhecimento, a fim de que, após o isolamento social, esteja mais equilibrado e qualificado para o retorno às atividades da Casa Espírita.

Gostaria de compartilhar um atendimento fraterno que fiz com uma trabalhadora da Casa Espírita.

Estávamos no terceiro mês de isolamento social e a amiga espírita me procurou para pedir um passe e para dizer que estava muito deprimida, desanimada, porque estava com saudades das tarefas espíritas, o que é natural.

Ao ser indagada sobre o que estava fazendo para suprir esse afastamento momentâneo, ela me disse que não estava fazendo nada.

Orientei-a a estudar a Doutrina Espírita, reler alguma obra, buscar um livro novo, realizar mais vezes o Evangelho no lar, assistir as palestras virtuais, estar disponível para praticar o bem etc. Ainda enfatizei que o trabalhador espírita, porque vem demonstrando um nível de comprometimento maior com as tarefas religiosas, deve regressar, após o isolamento social, mais forte e compenetrado, até porque a Casa Espírita enfrentará alguns desafios.

Muito se indaga acerca de como será o retorno das atividades da Casa Espírita.

Após ouvir diversos dirigentes responsáveis, que atuam há anos nas atividades doutrinárias, não temos dúvida de que a Casa Espírita funcionará de forma híbrida, com público presencial e on-line, e que tal formato não será por um período determinado, mas de forma permanente.

Essa observação traz um novo desafio para a Casa Espírita, que terá que qualificar trabalhadores para que saibam utilizar as ferramentas tecnológicas e os aplicativos, que permitam a conexão com a internet, seja para uso e pesquisa nos estudos, seja para transmissão ao vivo das atividades de estudos, reuniões de explanação do Evangelho, excetuadas as reuniões mediúnicas e outras atividades que o bom-senso recomendar. Parece-me que o Departamento da Comunicação Social das Casas Espíritas tenderá a crescer e poderá orientar e/ou se responsabilizar por essas tarefas. Quem sabe os jovens espíritas se constituam valiosos voluntários, nesse particular.

Sabe-se que temos Casas Espíritas de pequeno porte, que dispõem de poucos trabalhadores e poderão apresentar dificuldades econômicas para investir nessas melhorias (p. ex.: boa conexão de internet), em que pese as plataformas digitais terem suas versões gratuitas. Esses Centros poderão continuar apenas com o público presencial, até porque o formato híbrido não é para ser imposto, mas será uma alternativa que, certamente, crescerá com o passar do tempo e com o progresso tecnológico que não cessa e está cada vez mais intenso. Isso acena com a possibilidade de vir a se tornar mais acessível do ponto de vista econômico e do manuseio.

Contudo, não cogitemos de que as atividades serão exclusivamente virtuais, porque a relação pessoal, a convivência com o próximo e a afetividade decorrem das leis de sociedade e de amor e nos ajudam em nosso progresso individual.

O espírita de qualquer idade deve aceitar o desafio de aprender a utilizar as ferramentas tecnológicas, sem medos e desculpas. Sabemos que, no mundo espiritual, a tecnologia está muito adiante da que conhecemos na Terra, portanto, o esforço e o conhecimento aqui desenvolvidos facilitarão a nossa adaptação na verdadeira pátria.

As atividades híbridas serão úteis porque o denominado grupo de risco não voltará de imediato para a Casa Espírita. Também haverá pessoas inseguras, com receio de adoecimento pela COVID-19, e esses grupos necessitarão do contato com o estudo e com os amigos da Doutrina Espírita, porque, ainda que virtual, os vínculos e as conexões vibratórias se estabelecem.

Os grupos de estudo, Juventude e Infância poderão seguir com os frequentadores presenciais e retransmitir on-line para aqueles que optarem por permanecer em casa.

O dirigente pode se utilizar de um celular ou um notebook (ambos com conexão à internet) para que a aula seja assistida ao vivo pelo participante que está em casa, que, inclusive, poderá interagir, acrescendo comentários ou fazendo perguntas.

A atividade de palestra e passes é muito comum nas Casas Espíritas e nela temos a maior aglomeração de pessoas, o que exigirá cuidados adicionais dos dirigentes, inclusive no que diz respeito à sanitização do ambiente, após a tarefa, e cumprimento das demais regras impostas pelas autoridades sanitárias.

Essa atividade poderá ser híbrida, com o escopo de alcançar aqueles frequentadores que não comparecerão num primeiro momento, podendo ser exibida on-line.

O passe também passará por alguns ajustes, porque normalmente as salas são pequenas e com pouca ventilação, havendo, ainda, a proximidade do passista. A título de sugestão, seria de bom alvitre se adotar o passe coletivo, induzindo o frequentador, presencial e a distância, no momento da prece final, a entrar num estado de recolhimento e quietude, para que possa receber os benefícios da fluidoterapia.

Será aconselhável que se explique que os benfeitores espirituais estarão aplicando o passe direto, mesmo àqueles que estão em suas casas; que se utilizarão, inclusive, dos fluidos dos passistas, que poderão ficar recolhidos nas salas de passe (mera sugestão). Com esse procedimento, os frequentadores mais descrentes irão se acostumando e passarão a confiar nesse tipo de ação da Espiritualidade, ficando cada vez mais receptivos.

Conforme a particularidade da Casa Espírita (tamanho das salas, quantidade de aplicadores de passe), será possível a mantença do passe nos moldes usuais, desde que se respeitem as distâncias e os cuidados exigidos pelas autoridades competentes.

Assim que possível, diante do aumento do sofrimento e, possivelmente, da busca de consolo e de esclarecimento que o Espiritismo oferta, será vital retornar o Atendimento Fraterno presencial, sem prejuízo da mantença do virtual ou por ligação telefônica. Aliás, como envolve menos trabalhadores e assistidos num único ambiente, será mais fácil atender às recomendações sanitárias.

Nesse período de quarentena, temos visto o surgimento de excelentes divulgadores, fiéis a Jesus e a Kardec, mas também há o perigo da massificação da informação espírita, porque aventureiros, sem o devido conhecimento doutrinário, se aproveitam da facilidade da divulgação virtual para apresentarem a Doutrina Espírita com incorreções.

O método mais eficaz para se evitar isso é o estudo sério e profundo do Espiritismo, iniciando-se pelas obras básicas de Allan Kardec, para que possamos ter lucidez de separar o joio do trigo.

Por derradeiro, concluímos que o momento é de vigilância e oração, consoante a recomendação de Jesus, para que possamos abraçar com mais afinco e fidelidade as tarefas espíritas, mantendo a sintonia elevada a fim de darmos conta dos novos desafios e demandas que surgirão no Movimento Espírita, certos de que nunca nos faltará inspiração superior.

Que Jesus e Kardec nos inspirem, hoje e sempre!

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