Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2021 Número 1647 Ano 89

Aprender sempre

outubro/2021 - Por Antônio Moris Cury

Em geral, encontramo-nos na Terra, um planeta de provas e de expiações, com o objetivo principal de muito aprender e, como decorrência natural, crescer, evoluir, buscar o aperfeiçoamento intelectual e moral, exercitar a fraternidade e, de modo especial, aprender sempre e cada vez mais a amar, em sua mais ampla expressão, ainda que tudo isto se dê a pouco e pouco.

Natural que esses objetivos só serão alcançados com vontade firme, esforço, disciplina, adaptação, sacrifício, observação, autoconhecimento e estudo, como de resto se exige para qualquer conquista, uma vez que, praticamente, nada se obtém sem que tais requisitos estejam presentes.

Mas, além de perfeitamente factível, tal empreitada é prazerosa e revigorante. Em primeiro lugar, por sabermos que somos Espíritos imortais e que, portanto, viveremos para sempre.

Em segundo lugar, pela clara percepção de que o futuro está em nossas mãos, dependente das sementes que escolhermos e usarmos, uma vez que colheremos exatamente aquilo que plantarmos, daí o ensinamento do Cristo, tantas vezes esquecido, de que a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória.

Em terceiro lugar, porque na medida em que progredimos sentimos uma satisfação íntima indescritível e, deveras relevante, vamos nos tornando pessoas melhores, mais agradáveis, mais compreensivas e tolerantes, de melhor e mais fácil convivência, cada vez mais úteis, respeitadoras, simples, confiantes, mais otimistas e alegres, havendo grande benefício para todos, em decorrência de nossa nova conduta, tornando-nos capazes de auxiliar outras pessoas, próximas ou distantes, prestando, assim, ainda que, muitas vezes, sem o notar, contributo à harmonia e ao equilíbrio das relações humanas e sociais, nesta sociedade plural em que todos somos interdependentes, em maior ou menor grau.

Às vezes, é bom que se registre, são necessários apenas pequenos esforços, bastando a vontade, somente a vontade, como bem o confirma a lição evangélica que de há muito conhecemos.

Não por acaso, Léon Denis destacou com ênfase que1 O princípio superior, o motor da existência, é a vontade.

A propósito do autoconhecimento, perguntou o eminente Allan Kardec aos Espíritos Superiores2: Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

Recebeu uma enxuta resposta: Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.

E ainda registra que3 O conhecimento de si mesmo é a chave do progresso individual.

Enfatizemos: O conhecimento de si mesmo, o autoconhecimento, é a chave do progresso individual.

É fácil conhecer a si mesmo?

Não é fácil, mas é possível.

 

Aprendamos com Santo Agostinho3: Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma.

Vale ler essa questão por inteiro e, também, depois dela, o comentário pessoal do Professor Rivail, o nosso ilustrado Allan Kardec, de forma calma, pausada e refletida. Trata-se de excelente contribuição para o autoconhecimento.

Por outra parte, estamos em condições de aprender sobre diversos assuntos em nosso dia a dia. Para tanto, é preciso que prestemos atenção, que observemos com interesse e foco na aprendizagem, que, verdadeiramente, nos coloquemos na condição de aprendizes, como de fato somos todos os que fazemos parte da Humanidade terrestre.

Um exemplo simples e recorrente, por exemplo, é trazido pelo Espírito André Luiz, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier4: A melhor maneira de aprender a desculpar os erros alheios é reconhecer que também somos humanos, capazes de errar talvez ainda mais desastradamente que os outros.

Com efeito, estamos neste planeta azul para muito aprender, a começar pelo exercício da fraternidade, enxergando no próximo um irmão e fazendo a ele o que gostaríamos que ele nos fizesse, tal como nos orientou o Mestre Jesus, o Cristo, em seu ensinamento máximo: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

 

Referências:

1 DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. Rio de Janeiro: FEB, 1977. pt. 3, cap. XX.

2 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. 3. cap. XII, q. 919.

3 Op. cit. pt. 3, cap. XII, q. 919 a.

4 XAVIER, Francisco Cândido. Sinal verde. Pelo Espírito André Luiz. Uberaba: CEC, 1982. cap. 13.

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