Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Aprender a ser com Jesus, eis o convite

outubro/2011

“Disse-lhe Pedro:
Nunca me lavarás os pés.
Respondeu-lhe Jesus:
Se eu não te lavar, não tens parte comigo.” (João, 13:8)

 

“É natural vejamos, antes de tudo, na resolução do Mestre, ao lavar os pés dos discípulos, uma demonstração sublime de humildade santificante.

Primeiramente, é justo examinarmos a interpretação intelectual, adiantando, porém, a análise mais profunda de seus atos divinos. É que, pela mensagem permanente do Evangelho, o Cristo continua lavando os pés de todos os seguidores sinceros de sua doutrina de amor e perdão.

O homem costuma viver desinteressado de todas as suas obrigações superiores, muitas vezes aplaudindo o crime e a inconsciência. Todavia, ao contato de Jesus e de seus ensinamentos sublimes, sente que pisará sobre novas bases, enquanto que suas apreciações fundamentais da existência são muito diversas.

Alguém proporciona leveza aos seus pés espirituais para que marche de modo diferente nas sendas evolutivas.

Tudo se renova e a criatura compreende que não fora esta intervenção maravilhosa e não poderia participar do banquete da vida real.”

É claro que a admoestação de Jesus não haveria de significar: ? Pedro, ou você me deixa mostrar minha humildade ou você não tem parte comigo!

O benfeitor espiritual vem nos demonstrar, por isso, o verdadeiro valor das palavras, qual seja: ? Pedro, você precisa purificar suas bases através dos meus ensinos e exemplos!

Fica clara a compreensão de Pedro, quando redarguiu, então, que não queria que fossem lavados apenas os seus pés (purificados os princípios), mas também as suas mãos (atitudes) e cabeça (pensamentos e sentimentos).

Emmanuel deixa claro que Jesus propõe que nenhuma renovação verdadeira acontece sem que se reformem as bases, os princípios.

Assim sendo, apesar da boa intenção, tentar mudar as atitudes sem nenhuma reflexão mais profunda (lavar apenas as mãos) não é suficiente.

Poderíamos chamar esta atitude de ativismo, uma armadilha da qual precisamos nos prevenir.

Não é suficiente fazer por fazer, para que sejamos diferentes. Precisamos ser deliberados nas nossas atitudes; precisamos compreender profundamente as razões que podem nos levar a agir desta ou daquela maneira.

Diz-nos Emmanuel, no livro Pensamento e Vida, capítulo 7, que não vale a pena agir por agir, visto que as regiões infernais vibram repletas de movimento.

Refere o mentor que o trabalho, que é ação, até pode reformar o ambiente, mas o trabalho que se configura como serviço reforma o indivíduo, aquele que trabalha.

Apresenta-nos, portanto, o caminho para aprendermos a ser com Jesus, à medida que nos indica que devemos refletir sobre o trabalho que nos cabe realizar, ao mesmo tempo em que permite-nos refletir sobre o trabalho realizado, aproveitando, desse modo, todos os ângulos da experiência para o processo de crescimento íntimo.

Jesus foi um grande motivador, porque sempre estimulou que os apóstolos e demais seguidores trabalhassem, mas também que refletissem sobre a maneira como se conduziam, a fim de que pudessem crescer continuamente.

Aquele que toma a charrua não olha para trás, referiu Jesus.

Paulo, tomado pelo sentimento do Cristo, propunha, de igual modo: “Assim é que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2ª Epístola aos Coríntios, capítulo 5, versículo 17.)

O pensamento do Cristo nos convida, portanto, para que não renovemos apenas o nosso modo de aprender, de agir e de nos relacionarmos, mas que consubstanciemos tudo isso a partir da reforma do ser.

“Aquele que conhece Jesus nunca mais é o mesmo” dizia Miriam, cristã dos primeiros tempos, em sentida mensagem anotada no último capítulo do livro Luz do Mundo, de Amélia Rodrigues.

A personagem tinha procurado Jesus para que lhe restituísse a capacidade de caminhar, mas Jesus a levou para um passeio muito mais significativo pela vida.

Suas pernas se conservaram inermes, mas seu Espírito se libertou para voos mais altos, deixando os grilhões do pensamento materialista e levando-a a territórios inexplorados e aos quais nossas pernas físicas não nos podem levar.

Assim sendo, os coordenadores de estudo, espelhando-se nos ensinamentos e atitudes do Cristo, buscando vibrar e sentir com o Cristo, para que se convertam em evangelizadores de almas e não apenas em doutrinadores, conforme a proposta de Emmanuel na questão 217 de O Consolador, precisamos reformar as nossas bases e auxiliar os nossos participantes de grupos a fim de que eles possam banhar-se na água lustral dos Evangelhos.

Não mais apenas a discussão erudita que não alimenta, mas a reflexão que nos permita prepararmo-nos para os voos da espiritualização.

Este, novamente, o convite. Para aprendermos a ser com Jesus, lavemos as nossas bases para que possamos ter parte com o mestre e ajudemos os outros a seguirem por esse caminho.

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