Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Apocalípticas angústias

maio/2017 - Por Rogério Coelho

O único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano

No mundo só tereis aflições. Jo, 16:33

O Doce Amigo Celestial não iludiu a ninguém! Não prometeu facilidades ou privilégios a quem O quisesse seguir… Recomendou a autorrenúncia, a assunção da respectiva cruz e desenhou  os cruentos painéis existenciais nos quais Suas ovelhas ficariam à  mercê de lobos famélicos, vorazes…

Tão bem entendeu isso o Vidente de Damasco que, escrevendo aos hebreus[1], sentenciou categórico: Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita ao que recebe por filho.

E, dirigindo-se aos coríntios[2] adiu sem rebuços: Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos põe por último, como condenados à morte;  pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens; até  ao presente  temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e  como  a escória de todos.

Jesus, porém, ao mesmo tempo em que desvela as veredas inçadas de acerados acúleos (porta-estreita) que nos acessam os acumes evolutivos, conforta-nos o coração com a Sua solicitude ao estimular-nos coloquialmente:  Tende  bom  ânimo.3 Vinde  a mim, todos os  que  estais  cansados  e oprimidos, e eu vos aliviarei.4

Nesta hora em que os ombros da  Humanidade jazem  vergados  sob o  peso de  cruéis  vicissitudes,  trazendo  as carnes  d’alma  impiedosamente vergastadas pelas  chibatas  das carências de vário matiz, onde a lavoura do amor fenece à  míngua de  trato;  nesta hora em que as sociedades  familiares  esboroam fazendo eco ao desabar de vetustas Instituições, sob o impacto de infelizes  circunstâncias; ante o furor de soez materialismo  que grassa  infrene  sob os spotlights do egoísmo  e  corrupção,  o Evangelho de  Nosso  Senhor Jesus Cristo à luz  dos  formosos  e caroáveis ensinamentos dos Espíritos Amigos alteia-se como o  Sol que  dissipa  as trevas e os temores, oferecendo  calor,  roteiro seguro  e  aconchego  às  almas  enregeladas  pela  descrença   e descoroçoamento.

Os Espíritos do Senhor, atentos aos lances aflitivos, localizados na órbita  existencial de encarnados e desencarnados açodados por  inenarráveis  quão   superlativas angústias,  e,  sensibilizados com  nossa  indigência  espiritual agravada  por  onipresente labilidade, esforçam-se por  todos  os meios,  na árdua missão de lenir todas as ulcerações.

Nesse cortejo das Vozes dos Céus, alevanta-se altissonante a inconfundível e paternal voz do meigo Médico dos Pobres, acenando-nos com um plano de trabalho endereçado a todos nós os espíritas-cristãos5: Há muito trabalho sobre a face da Terra, amados irmãos meus; tendes de tomar neles parte ativa; há muita alma que geme, muito corpo transido de dor, muita criatura que desconhece o amor de Deus, muitos tristes que choram em vão, porque as suas lágrimas não recebem consolo.

Onde, pois, existirem essas dores, essas angústias, que só a alma tem o dom de comunicar a outra alma, ide com a palavra sagrada do Evangelho levar o remédio ao necessitado.

Nenhuma ciência, nenhuma outra religião tem este poder salutar, vós o sabeis por experiência própria. Ide, pois, de lugarejo em lugarejo, de choupana em choupana, de palácio em palácio, por toda a parte enfim, levar o consolo do Espiritismo.

Fazei com que a essas criaturas ignorantes chegue o conhecimento das verdades eternas, que transformarão suas noites tenebrosas em perfeitos dias de sol luzente.

 

Bibliografia:

1.BÍBLIA, N. T. Epístola aos hebreus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 12, vers. 6.
2.Op. cit. ICoríntios. cap. 4, vers. 9 e 13.
3.Op. cit. João. cap. 16, vers. 33.
4.Op. cit. Mateus. cap. 11, vers. 28.
5.FRANCO, Divaldo Pereira. Bezerra de Menezes – ontem e hoje, Rio de Janeiro, FEB, 2000. cap. 5.

 

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