Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Anúncios da nova era

O telefone do vento

julho/2017

No topo do Monte Kujira, de onde se avista o oceano Pacífico, encontra-se um lindo jardim. Em meio às flores e à grama está uma cabine telefônica branca. Todos os dias, faça chuva ou faça sol, e apesar do barulho causado pelas obras de reconstrução da cidade de Otsuchi, pessoas vêm usar o telefone para enviar suas mensagens aos que se foram. Ou simplesmente para tentar aliviar sua tristeza.

O dono do jardim é Itaru Sasaki, com setenta e um anos.

Comecei a planejar a cabine telefônica em 2009, explica. Naquela época, meu primo tinha sido diagnosticado com câncer e os médicos tinham dado a ele três meses de vida.

Em março de 2011, parte da costa noroeste do Japão foi devastada por um forte terremoto seguido de um violento tsunami. Cerca de dezesseis mil pessoas morreram e duas mil e quinhentas desapareceram.

Entre as vítimas estão mais de quatrocentos moradores da pequena cidade de Otsuchi. Hoje, em meio a ruínas e obras de reconstrução do local, habitantes ainda vivem o luto pela perda de entes queridos.

Eu trouxe a cabine telefônica para o jardim como um objeto de arte. Mas depois, vieram a doença do meu primo e o desastre de 2011.

Mais de 18 mil pessoas morreram. Todas essas pessoas – o pai que foi trabalhar,  as crianças que foram para a escola, as mães que terminaram seus afazeres domésticos e saíram para as compras – todos estavam cumprindo seus deveres. Mas, quando veio a noite, não puderam encontrar suas famílias novamente. E as famílias em luto talvez tivessem uma última coisa a dizer aos seus entes queridos, diz Sasaki.

Então, achei que era necessário conectar os sentimentos dos que partiram aos dos sobreviventes. A cabine não tem uma linha telefônica, mas o telefone ajuda o usuário a se conectar aos sentimentos das pessoas que morreram, afirma.

O telefone do vento funciona por meio da mente, complementa a esposa.

http://www.bbc.com/portuguese/internacional

Quando um ser humano se importa com a dor de outros tantos, estamos respirando ares da Nova Era. E, para quem tem dificuldades, para quem precisa de algo material, ainda, para conseguir conectar sua mente a dos que partiram, e dizer dos seus sentimentos, que criatividade de um homem sensível. Um convite para falar em um telefone desconectado, que funciona ao comando da mente.

Assine a versão impressa
Leia também