Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2018 Número 1611 Ano 86

Anunciar o Evangelho…

agosto/2018

A Doutrina Espírita é eminentemente cristã.

Apoiando-se na moral do Cristo, na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na justiça de Deus, no livre-arbítrio do homem, propõe aos seus adeptos a necessária reforma íntima, renovando pensamentos, atos e hábitos, de modo que, a cada dia, se apresentem melhores do que no dia anterior.

Trabalha a máxima1: Reconhece-se o verdadeiro espírita pelas suas transformações morais e pelo esforço que emprega em domar as suas más tendências.

Sustentando-se nos mandamentos maiores: Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo, trabalha a religação do homem com Deus, demonstrando-lhe que o amor não somente é a essência da vida, como é a excelência do relacionamento humano, onde o próximo é irmão de jornada, e a caridade, significando amor em ação, é a linguagem da união e da redenção, falada em todo o Universo, ensinada por Deus.

Nos seus 116 anos, a Federação Espírita do Paraná repete com o Apóstolo Paulo2: Anunciar o evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe.

Não fazê-lo é negar a luz ao mundo, quando Jesus disse3: Eu sou a luz do mundo.

É recusar o alimento da alma, quando Jesus nos disse4: Eu sou o pão da vida.

É não indicar o caminho da paz, quando Jesus nos disse5: Eu sou o Caminho.

É sonegar a verdade, quando Jesus nos disse5: Eu sou a verdade.

É não demonstrar a vida verdadeira, quando Jesus nos disse5: Eu sou a vida.

É não reconhecer o Messias, quando Jesus nos disse6: Eu o sou.

É falhar com o compromisso da divulgação doutrinária, quando Jesus nos disse7:

Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

Necessidade que se impõe, em respeito à Humanidade e o dever de orientação que lhe devemos, pois, os Espíritos Luminares enfatizaram8:

Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?

Jesus.

Magna resposta que representa a grande síntese para a conquista da felicidade plena.

Como lemos em O Evangelho segundo o Espiritismo9: Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal.

Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis.”

E prossegue10: Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. (…) Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e consolados.

Diante do quadro de padecimento que de há muito assola a vida na Terra, como não repetir com o apóstolo Paulo1: Anunciar o evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe.

O homem sofrido, nos caminhos da vida, anseia pela paz.

*

Geralmente examinamos a parábola do samaritano pelo lado desse homem bom que descia de Jerusalém a Jericó, que, condoído, socorreu o caído do caminho.

Olhemos a mesma lição, pelos olhos do homem sofrido, ansiando pelo socorro.

Com dores, fome, sede, longe de tudo e de todos, quase sem vida, deposita sua confiança em Deus, e implora amparo.

Para maior agudeza em suas dores, vê, esperançoso, um e depois mais um homem, passar, os quais, pelas vestimentas, indicavam ser religiosos influentes. No entanto, passaram ao largo, em total desprezo pela sua dor.

Aproxima-se um outro alguém, vem em sua direção, e seus olhos, suplicando auxílio, logo se põem mais asserenados, expressando gratidão. Aquele homem sem nome, sem se saber de onde vinha, nem para onde ia, se achegou e sem demora, o atendeu com primeiros socorros; não satisfeito e vendo-lhe outras necessidades, levou-o à hospedaria próxima, pagou-lhe as despesas e recomendou que fosse atendido no que precisasse, anunciando que voltaria para revê-lo e, se preciso fosse, arcaria com despesas excedentes.

*

Há 116 anos, a Federação Espírita do Paraná tem ciência de que o samaritano de todos nós, Jesus, que socorre os que estamos caídos pelos descaminhos da vida, espera encontrar albergue onde possa recolher temporariamente os padecentes, e ali recebam o atendimento zeloso que Ele deseja aconteça, até que, logo mais, retorne para visitá-los e seguir com o atendimento.

Juntamente com as demais organizações espíritas do Paraná, se faz albergue para atender o samaritano de todos nós, distribuindo as bênçãos do consolo refazente e revigorante do corpo, da mente, do coração, do espírito, pensando as feridas da alma, e restabelecendo a esperança.

Sim, com determinação centenária, reprisamos1: Anunciar o evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe.

 

Referências:

1.KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 118. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap. XVII, item 4.

2.BÍBLIA, N. T. I Cor. O novo testamento: português e inglês. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais do Brasil, 1988. cap. 9, vers. 16.

3.Op. cit. João. cap. 9, vers. 5.

4.Op. cit. cap. 6, vers. 48.

5.Op. cit. cap. 14, vers. 6.

6 Op. cit. cap. 4, vers. 26.

7.Op. cit. Marcos. cap. 16, vers. 15.

8.KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 33. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. 3, cap. 1, item 625.

9.__________. O Evangelho segundo o Espiritismo. 118. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap. VI, item 5.

10.Op. cit. cap. VI, item 7.

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