Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Ante a mocidade

abril/2011

Meu filho:

Jesus nos guarde na sua paz.

Mocidade é força. Se esta não recebe direção, converte-se em agressividade e desastre.

Mocidade é vida. Se não vai conduzida com sabedoria, transforma-se em destruição e morte.

Mocidade é oportunidade. Se, no entanto, escasseia experiência, ei-la perdida.

Mocidade é esperança. Mal aplicada, constitui alucinação e queda.

Mocidade é promessa. Quando não aproveitada convenientemente, faz-se desengano e remorso.

Mocidade é encantamento. Utilizada em exagero se esvai, dando lugar a pesadelos e amarguras.

Mocidade é sede de conhecer, tentar, sentir. Graças à pressa injustificável, produz decepção, ruína, intoxicação do corpo e exaustão antecipada da alma.

Mocidade é festa. O prazer, sem embargo, satura sem saciar, perverte sem acalmar.

Mocidade é vigor. No entanto, só a sabedoria pode conduzir a vitalidade sem o perigo iminente do descoroçoamento e da fraqueza.

Mocidade é um estado de espírito, não apenas um transitório período orgânico.

A juventude do corpo é preparação para os labores da “idade da razão”.

Há jovens envelhecidos pelos insucessos da paixão e do desassisamento. Existem idosos ricos de juventude e vigor.

Na infância, o homem aprende. Na juventude, apreende. Na madurez das forças e da inteligência, compreende… Nem todos, porém…

Por esse motivo, o adulto orienta, graças à compreensão que tem da vida e à apreensão amadurecida dos fatos vividos, que lhe servem de divisor equilibrado, selecionador racional dos legítimos para os inautênticos valores éticos.

O jovem ouve e entende; todavia, porque as atrações do inusitado o conduzem à rebelião e à experiência pessoal, reage e impõe, violenta a razão que ainda não assimilou e parte em busca da vivência pessoal.

A vida, no entanto, para ser alcançada em plenitude, impõe o contributo da reflexão.

Num período a aprendizagem; noutro a vivência.

Permutar a ordem dos valores é perturbar o equilíbrio. Fruir antes de dispor dos requisitos significa exaurir os depósitos de forças ainda não realizadas, nem organizadas.

Inútil, portanto, afadigar-se pela sofreguidão na busca de “coisa nenhuma”.

Cada realização a seu turno; cada conquista à hora própria.

Conhecer Jesus em plena juventude, é honra, meu filho, bênção de inapreciável significação, preparando demorada realização em prol de ininterrupto porvir.

O que damos, possuímos; o que temos, devemos.

O gozo precipitado é débito; o prazer não fruído representa conquista.

Não tenhas pressa!

O amanhã é longo e formoso para quem sabe dilatar o hoje da edificação nobilitante.

Aplica a tua mocidade na realização da paz interior, ao invés de arrojar-te na intoxicação do desvario.

Há sempre tempo para quem não deve, enquanto são curtos os dias para quem se debate nas aflições dos resgates que se aproximam e não possui reservas para a libertação dos compromissos…

Jesus é porta, é caminho, é pão.

Chama e espera; convida e prossegue; nutre, porém, conclama o candidato à própria iluminação.

O mundo é escola. Cada qual se movimenta nas suas classes conforme aspira para si mesmo: felicidade ou ruína.

Reencarnar num lar cristão-espírita constitui acréscimo da misericórdia do Senhor, que impede, por antecipação, as escusas e justificativas do candidato, se este elege o fracasso ou o atraso na marcha.

Não te enganes, nem te permitas anestesiar os centros felizes da consciência ainda não atormentada por atividades ou atitudes infelizes…

O bem é sempre melhor para quem o pratica e a paz é sempre mais tranquilizadora para quem pode fitar o passado sem empalidecer de constrangimento ou corar de remorso e dor…

Firma-te, meu filho, nos postulados da Doutrina Libertadora e nada receies.

A felicidade real é trabalhada e custa um preço que todos devemos pagar a sacrifícios e renúncias.

Tudo são lutas, que o cristão transforma em conquistas superiores.

Ninguém se pode omitir ao esforço da sobrevivência. Viver exige o tributo do esforço, e quando na organização física, engendra o desgaste da própria máquina.

Amadurece no estudo, traçando as metas do futuro.

Equilibra-te na oração, harmonizando as emoções.

Preserva-te no trabalho fraternal da caridade e gasta-te nos deveres sociais para a aquisição do pão e promoção da carreira que pretendes abraçar.

Os dias passam, sucedem-se de qualquer forma. Melhor que transcorram em produção de felicidade e em realização de harmonia.

Não te faltarão socorros nem a proteção de abnegados Benfeitores Espirituais que zelam por ti e se fizeram fiadores da tua atual experiência evolutiva.

Supera os impulsos juvenis e condicionamentos do passado espiritual, atraído pelo tropismo sublime do Cristo Jesus.

Ontem são trevas; amanhã é claridade.

Sigamos, meu filho, no rumo do Meio-dia feliz ao anunciar-se o amanhecer da oportunidade nova.

Joanna de Ângelis
(Sementes de Vida Eterna, Divaldo Franco –
Diversos Espíritos, cap. 55, ed. LEAL)

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