Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2021 Número 1647 Ano 89
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Anne Sullivan

maio/2021 - Por Mary Ishiyama

As vidas de Anne e Helen Keller estão profundamente entrelaçadas, no entanto Helen expressou-se com profundo respeito à sua mestra ao lhe escrever: Você é a vida da minha vida e eu lhe sou infinitamente grata por isso, mas somos duas personalidades independentes e eu, que acredito firmemente nos privilégios de cada um, não vou sacrificar o seu direito à própria individualidade! 1

Anne Sullivan, Annie Sullivan, ou Johanna Mansfield Sullivan Macy nasceu em 1866, em Feeding Hills, Massachusetts. Primeira filha de Thomas e Alice Sullivan, imigrantes irlandeses. Anne contraiu tracoma, por volta dos cinco anos, que lhe causou severa perda de visão. Órfã de mãe aos oito anos de idade, foi entregue por seu pai, homem violento e instável, a um paupérrimo e superlotado orfanato, conhecido como Casa do Pobre Almshouse de Tewksbury. Seu irmão Jimmie não suportou as condições desfavoráveis e morreu apenas três meses depois.

Durante uma inspeção na Casa, Anne rogou aos inspetores que a auxiliassem a estudar. Ela ingressou, então, em 7 de outubro de 1880, na Perkins School for the blind. Estava com quatorze anos, não sabia ler e escrever, não tinha família, sofreu o que chamaríamos hoje de bullying.

As coisas começaram a melhorar quando Sophia Hopkins a adotou, como filha, recebendo-a de maneira calorosa e compreensiva. Anne precisou se submeter a várias cirurgias a fim de recuperar sua visão. Fez amizade com Laura Bridgman, a primeira pessoa surdocega a estudar significativamente a língua inglesa.

Com ela, aprendeu o alfabeto manual. Formou-se em junho de 1886 com excelente destaque acadêmico, sendo escolhida para oradora.

O dever, disse ela, nos ordena ir para a vida ativa. Vamos com alegria, esperança e sinceridade, e nos proponhamos a encontrar nossa parte especial. Quando a encontrarmos, executemo-la de boa vontade e fielmente. Cada obstáculo que superamos, cada sucesso que alcançamos tende a aproximar o homem de Deus e tornar a vida mais como Ele a desejaria.

Apesar do discurso otimista, Anne estava com o coração oprimido porque não sabia para onde ir, não tinha qualificação suficiente para arrumar um trabalho.

Mas, a esposa do capitão Keller, através das Notas americanas, de Charles Dickens, tomou conhecimento da educação de Laura Bridgman. Imaginou que sua filha Helen também pudesse ser alfabetizada. Através do educador Alexander Graham Bell, o capitão Keller foi encaminhado a Michael Anagnos, diretor da Perkins School, que indicou Anne Sullivan como a melhor candidata para ensinar a menina de sete anos.

Anne se preparou por meses, lendo todos os relatórios sobre a educação de Laura Bridgman e, em março de 1887, partiu para Tuscumbia, Alabama, para iniciar um novo capítulo em sua vida.

Annie, como Helen a chamava, não via o deficiente visual como uma pessoa incapaz. Seus métodos pedagógicos foram adequados à realidade da criança difícil que era sua aluna, irritadiça, mal-humorada, insensível. Anne a ensinou a brincar, a ser criança. Os dedos de Anne pareciam faíscas elétricas na palma da mão de Helen dizendo o que era aquilo que faziam, perguntando como ela se sentia, o que pensava. Isso instigava a menina irrequieta a fazer perguntas, a querer saber nomes, formatos. O alfabeto manual de sua professora lhe abriu o mundo.

Helen queria conhecer tudo. Um dia, percebeu que a professora colocava os livros muito próximos aos olhos e descobriu que ela não enxergava bem. Isso a deixou preocupada e passou a cuidar para que Anne não forçasse tanto os seus olhos.

A união entre essas duas mulheres foi única, a ponto de Anne, ao se casar com John Albert Macy, em 1905, levar Helen para morar com eles. Isso durou até 1912, quando os Macy se separaram. Helen e sua mãe adotiva foram importantes nessa transição, dando apoio à professora, que muito sofreu.

Se Helen Keller foi a bandeira, na árdua tarefa de levar dignidade aos portadores de deficiência visual e auditiva, Anne Sullivan foi o mastro. Ela considerava os cegos e surdos como seres humanos dotados de direitos à educação, à recreação e a empregos apropriados a suas habilidades.

Para Graham Bell, Anne foi uma das pessoas que mais contribuíram para a educação de crianças surdas e não surdas, Maria Montessori prestou um belo tributo ao considerá-la uma verdadeira pioneira da Pedagogia.

Ao final de sua vida, Anne Sullivan recebeu o grau de Doutora em Humanidades da Temple University, o reconhecimento do Instituto Educacional da Escócia e a Fundação Memorial Roosevelt, pelo ensinamento a Helen Keller.

Anne morreu em 20 de outubro de 1936 e suas cinzas foram depositadas na Capela de São José, na Catedral de Washington, D.C, onde mais tarde foram colocadas as cinzas de Helen Keller.

Eu seu livro Lutando contra as trevas – minha professora: Anne Sullivan Macy, Helen escreveu:  A minha mestra foi uma pioneira no que diz respeito à educação dos cegos e dos surdos e eu devo manter a sua imagem diante de mim como um elixir de vigor para a longa, longa trilha que se estende para o futuro. Eis a maneira de assimilar o ideal que ela me instilou: considerar a utilidade de almas sãs em corpos imperfeitos e a sua justificação no Livro de Criação e, ao mesmo tempo, prestar uma homenagem a Deus.1

 

Referências:

1 http://www.deficienciavisual.pt/r-Lutando_contra_trevas-Helen_Keller.htm

2 http://www.deficienciavisual.pt/r-HistoriaDaMinhaVida-HelenKeller.htm#Parte_II

3 http://www.mundoespirita.com.br/?materia=helen-keller

4 BRADY, Nella. Anne Sulivan Macy. 1933.

5 LASH, Joseph P. Helen e Professor: A história de Helen Keller e Anne Sullivan Macy. 1980.

6 FUNDAÇÃO AMERICANA PARA OS CEGOS. Anne Sullivan Macy: Miracle Worker​​.

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