Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87
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Anna Prado, a mulher que falava com os mortos

junho/2013 - Por Maria Helena Marcon

Numa época em que a mulher vivia quase que exclusivamente para as atividades domésticas, Anna Prado teve alterada sua rotina de esposa e mãe. Tornou-se o principal canal de comunicação entre encarnados e desencarnados na região de Belém do Pará.

Sofreu pressões psicológicas, que abalaram sua organização física. Essa obra apresenta dados de sua ascendência familiar, terra natal, sua história no Espiritismo.

Escrito de forma clara e suave, o livro, de autoria de Samuel Nunes Magalhães, conjuga fato e emoção, razão e Espiritualidade superior, sem comprometer o denso conteúdo abordado, reunido em oito anos de meticulosas pesquisas.

O autor é membro do Centro de Documentação Espírita do Ceará, fundador dos Centros de Documentação Espírita do Amazonas e de Pernambuco, atualmente residindo em Brasília, Distrito Federal.

A apresentação é de Alberto Almeida que assinala que a pujança dos fenômenos produzidos por Anna Prado, no campo da imortalidade e da individualidade da alma guarda o mesmo nível de respeitabilidade de Eusápia Paladino, Florence Cook, Daniel Douglas Home, Elisabeth d´Espérance, bem como, no Brasil, de Francisco Peixoto Lins.

O livro é um verdadeiro resgate da história dessa extraordinária médium do Norte do Brasil: sua vida, suas lutas, a variedade de seus dons mediúnicos, os fatos paranormais incomuns, a rigorosa pesquisa feita na época e as repercussões em nível nacional e internacional,

Relaciona os periódicos, na Europa, que se ocuparam dos fatos, como a Revue Spirite, de maio de 1923 e a Revue Métapsychique, de abril de 1922 e janeiro de 1923.

Reproduz, ainda, parágrafos da obra La Réincarnation (traduzida ao nosso idioma por Carlos Imbassahy e publicada pela Federação Espírita Brasileira – FEB, com o título A reencarnação), de Gabriel Delanne, com a citação dos fatos mediúnicos provocados em Belém do Pará, pela médium. Explica o autor que reproduz todos os textos da obra original francesa, porque Imbassahy, quando da sua tradução, optara por suprimir alguns parágrafos cujo teor já constava no livro O trabalho dos mortos, igualmente publicado pela FEB.

Apresenta noventa e quatro ilustrações, que vão desde fotos da médium, marido, filhos a de Espíritos materializados como de João e Rachel Figner (filha de Frederico Figner, o conhecido Irmão Jacó, da obra mediúnica Voltei), a trabalhos executados pelos Espíritos em parafina, como cataleias, mãos e pés em gesso, à documentação fotográfica da desmaterialização parcial e total da médium.

A mediunidade excepcional de Anna Prado desfila a cada capítulo, que relata as manifestações iniciais, o progresso mediúnico e os tantos fenômenos de tiptologia, levitação de objetos, escrita direta, sonambulismo, psicografia cutânea, germinação de sementes, materializações de Espíritos (mais de um à vez), aparecimento de luzes espirituais, psicofonia, audiência.

No capítulo 5, a descrição de um fenômeno interessante: com o ectoplasma que se desprendia da médium em transe, o Espírito denominado Maria Alva, ligado à família do maestro Ettore Bosio, em passadas existências, forma algo semelhante a uma echarpe, em seguida, mediante a pergunta de alguém – para que lhe servia – transforma-a em uma cesta de vime e, logo, em uma bandeja de flores.

Impressionantes os relatos dos controles exercidos por médicos, autoridades de Estado, membros do Tribunal Superior de Justiça, engenheiros, jornalistas, o poeta Eustachio de Azevedo e o compositor Ettore Bosio.

A fiscalização era de tal forma rigorosa e minuciosa que, por vezes, a médium era encerrada em uma espécie de gaiola (um quadrado de ferro, com os quatro pés assentados sobre um estrado de madeira inteiriço, ao qual, por dispositivo especial, ficavam solidamente parafusados, pelo sistema de rosca), nada impedindo, contudo, a ocorrência dos fenômenos, fosse na própria casa da família Prado ou na do compositor Ettore Bosio.

Rico em documentação, o livro reproduz a conferência proferida por Manuel Justiniano de Freitas Quintão ( orador e escritor espírita, que exerceu vários cargos na FEB, inclusive a Presidência), no dia 21 de abril de 1921, perante uma plateia de mais de mil ouvintes, no auditório do segundo andar da sede da FEB,  no Rio de Janeiro. Quinhentas pessoas ficaram de pé, durante as quase três horas de relatos sobre os fenômenos que observara em Belém do Pará, em três sessões distintas.

No próprio dizer do apresentador da obra, a leitura  faz-nos recordar a fala inolvidável de Allan Kardec, acerca do Espiritismo: Os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos juízos, o argumento sem réplica. (O livro dos Espíritos, Introdução, item VII).

Com trezentas e cinquenta e oito páginas, publicado em junho de 2012, pela FEB, é leitura recomendada a estudiosos espíritas, especialmente os médiuns, não somente pela possibilidade da pesquisa, mas, em especial, pela demonstração das peregrinas virtudes que devem caracterizar aqueles que somos portadores da faculdade mediúnica.

Com certeza, também, uma justa homenagem à médium amazonense, um preito de gratidão a quem tanto serviu à Causa Espírita.

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