Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Angelo Giuseppe Roncalli

janeiro/2016 - Por Jaqueline Ribeiro da Costa de Souza

Em 25 de novembro de 1881, em Sotto il Monte, Itália, nasceu aquele que, por sua proximidade com o povo e sua benevolência com os mais pobres, ficou conhecido como o Papa da Bondade.

Angelo Giuseppe Roncalli foi admitido na Ordem Franciscana Secular, sendo ordenado padre em 1904. Em 1915, destacou-se quando, como sargento do corpo médico na Itália em guerra, se tornou capelão dos soldados feridos, abrindo, ao final do confronto, a Casa do estudante, para atender às necessidades espirituais da juventude.

Sempre presente entre os jovens, trabalhou intensamente no diálogo com ortodoxos e muçulmanos, de forma reconhecidamente respeitosa. Também foi atuante no pós guerra da França, auxiliando prisioneiros de guerra.

Conhecido por sua simplicidade evangélica, mesmo na lida de assuntos diplomáticos mais complexos, sua postura parece ilustrar com perfeição os ensinamentos do Cristo, acerca dos brandos e pacíficos. Era movido por uma piedade sincera e sua pessoa irradiava a paz própria de quem confia no Senhor.

Em 1928, atuou com grande solicitude e caridade, aliviando os sofrimentos causados pelo terremoto que assolou o país.

Realizou-se em Jerusalém, em 29 de abril de 2013, uma conferência internacional sobre as ações de Angelo Roncalli, em favor dos judeus, durante a Segunda Guerra Mundial. O encontro contou com a presença de Avner Shalev, presidente de Yad Vashem, a instituição criada para honrar as vítimas do Holocausto e os heróis que arriscaram suas vidas para salvar os judeus perseguidos durante a Segunda Guerra Mundial.
Sendo delegado apostólico na Bulgária, Grécia e Turquia, antes e durante a guerra, Roncalli intercedeu diante do rei Boris, da Bulgária, em favor dos judeus búlgaros, e diante do governo turco, em favor de refugiados judeus que haviam fugido para a Turquia. Ele também fez todo o possível para evitar a deportação de judeus gregos.

Em 1944, Angelo Roncalli organizou em Istambul uma rede de salvação de judeus e outros perseguidos pelo nazismo, segundo explica o texto da Fundação Wallenberg, apresentado a Yad Vashem.

Por ter colaborado com o salvamento de milhares de judeus da perseguição nazista, o Memorial do Holocausto de Jerusalém marcou uma inscrição no portal Yad Vashem sobre João XXIII: Foi uma das pessoas mais sensíveis à tragédia judaica e fez muito para salvá-los.

Eleito Papa, em 1958, adotou o nome de João XXIII. Seu pontificado durou menos de cinco anos.

Sempre cordial, simples e atento às necessidades dos cristãos, ele era manso, simples, empreendedor e corajoso, características que lhe permitiram visitar encarcerados e doentes, recebendo homens de todas as nações e crenças e cultivando um extraordinário sentimento de paternidade para com todos.

Adotando o lema Obediência e Paz, demonstrou sua grande capacidade para conciliações, com espírito de tolerância e ecumenismo. Procurava dialogar com outras crenças e religiões e sua postura lhe garantiu a fama de um dos papas mais amados e populares, não somente entre os católicos.

Criou uma Comissão para a Unidade Cristã, com o fim de tecer laços amistosos com as igrejas protestantes e ortodoxas.

Vitimado por um câncer de estômago, morreu em 3 de junho de 1963.

Entre tantas contribuições para a Humanidade, destacamos um escrito de 1960, em que registrou uma página com notável sentimento de religiosidade universal. Chamada de O Decálogo da Serenidade é um verdadeiro roteiro para o homem que deseja pacificar-se:

 

1ª Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.

2ª Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência; cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.

3ª Hoje, apenas hoje, serei feliz, na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro Mundo, mas também já neste.

4ª Hoje, apenas hoje, adaptar­-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos.

5ª Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, assim a boa leitura é necessária para a vida da alma.

6ª Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação e não direi a ninguém.

7ª Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

8ª Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei. E fugirei de dois males: a pressa e a indecisão.

9ª Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no Mundo.

10ª Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor. De modo especial não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade.

 

Bibliografia:

http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20000903_john-xxiii_po.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/joao-xxiii-o-papa-bom-preparou-igreja-catolica-para-os-novos-tempos.html

http://www.infoescola.com/cristianismo/papa-joao-xxiii/

http://opusdei.org.br/pt-br/article/27-de-abril-joao-paulo-ii-e-joao-xxiii-santos/

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