Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Amor de mãe

maio/2007

Havia um povo que morava ao pé da montanha. Eram pacíficos e se esmeravam no amanho da terra, cultivando flores e árvores frutíferas.

Formavam uma grande família, onde uns auxiliavam os outros.

No alto da montanha, uma outra comunidade se desenvolvia: eram criaturas não tão gentis, nem tão disciplinadas.

Um belo dia, o povo da montanha resolveu descer ao vale, na busca de riquezas. Surpreendeu-se ao descobrir pessoas trabalhadoras, de bom trato e tão solidárias.

Encantou-se com seus pomares e jardins e, por observar como eles enfrentavam tudo com disposição, auxiliando-se mutuamente, decidiram levar uma semente daquela preciosidade para a sua vila.

Assim, escolheram um bebê lindo de olhos brilhantes, através dos quais parecia traduzir a sua inteligência aguçada e, na sua viagem de retorno, o raptaram, desaparecendo entre a vegetação abundante, montanha acima.

A pobre mãe, ao descobrir o berço vazio, caiu em quase desespero. O Conselho da comunidade se reuniu e optaram por resgatar o pequenino.

Os homens juntaram provisões, cobertores, roupas quentes, pois à medida que subissem, teriam que enfrentar os ventos gélidos, que soprariam violentos.

Partiram. Os dias passaram lentos e angustiantes para toda a pequena cidade. Finalmente, os homens regressaram… de mãos vazias porque não tinham conseguido encontrar o caminho que os conduziria ao povo de cima.

Estavam arrasados, sentindo-se fracassados e até envergonhados em ter que confessar sua incapacidade em vencer a montanha e trazer de retorno o pequenino habitante raptado.

Foi então que um leve choro de bebê lhes chamou a atenção. Voltaram-se todos na direção do som e viram a pobre mãe que tivera seu bebê raptado vir ao encontro deles.

Nos braços, trazia um invólucro precioso: o seu bebê. Ela estava com as roupas rasgadas pelos espinheiros, a pele queimada pelo frio, mas o bebê estava todo enrodilhado em uma manta, protegido, são e salvo.

Como você conseguiu?, foi a pergunta de todos.

Como, se nós, homens vigorosos e treinados em andanças, não conseguimos encontrar a trilha certa e vencer a montanha? Como você, uma mulher, sozinha, conseguiu ir até o topo e resgatar o bebê?

E a mãe, aconchegando ainda mais ao peito o fardo pequenino, sorriu e respondeu:

Muito simples. Eu consegui porque era o meu bebê que estava lá em cima.

 

Adaptação do cap. Movendo montanhas, de Jim Stovall, do livro
Histórias para aquecer o coração das mães, de Jack Canfield,
Mark Victor Hansen, Jennifer Read Hawthorne e Marci Shimoff,
ed. Sextante.
Ilustração de Gustavo Tonietto

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