Jornal Mundo Espírita

Fevereiro de 2021 Número 1639 Ano 88
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Amélia Rodrigues, o farol de Jesus

fevereiro/2021 - Por Mary Ishiyama

Coragem

Dorme em paz, coração, não tenhas medo

Da tempestade que lá fora se explode

Ela quebrar-te em seu furor não pode

Porque tu és forte, assim como um rochedo.

 

Tu tens em Deus o mágico segredo

De expulsar tudo quanto te incomode,

Ao seu aceno a calma presto acode,

E o sol p’ra iluminar-te sai mais cedo.

 

Deus vela enquanto dormes. Deus escuta

A voz de tua prece, vê teu pranto

E dá-te forças na contínua luta.

 

Seu olhar é uma túnica de amianto

Que te envolve – claríssima, impoluta

Dorme em paz, coração! Não temas tanto.

 

Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues, ou apenas Amélia Rodrigues, nasceu na Fazenda Campos, freguesia de Oliveira dos Campinhos, Município de Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 26 de maio de 1861. Filha de Felix Rodrigues e Maria Raquelina Rodrigues.

Professora, iniciou o exercício do magistério no Arraial da Lapa. Lecionou em Santo Amaro e, em 1891, transferiu-se para Salvador, onde lecionou no Colégio Central de Santo Antônio.

Foi uma mulher muito à frente de seu tempo. Poetisa, professora emérita, escritora consagrada. Foi um expoente das letras mas, acima de tudo, um grande farol na caminhada da iluminação feminina.

Em Salvador, colaborou nos periódicos católicos Pantheon, O Álbum, A Renascença, Leituras Religiosas, Almanaque das Famílias Católicas, Revista Santa Cruz, Vozes de Petrópolis, Luz de Maria, A União, Pequena Semente, Cidade do Salvador, Estandarte Católico e O Mensageiro da Fé, nesse, com o pseudônimo de Juca Fidelis.

Em Santo Amaro, escreveu para o jornal Echo Santamarense.

Entretanto, não lhe era suficiente. Em outros países, havia revistas voltadas para o público feminino que, contudo, apenas ressaltavam frivolidades. Por isso, em 1910, Amélia Rodrigues, juntamente com as intelectuais Maria Luíza de Souza e Maria Elisa Valente Moniz de Aragão, fundou a revista A Paladina, primeiro órgão do Movimento Feminista na Bahia.

[…] urge que a mulher brasileira também se revista de força e coragem, imitando as mulheres educadas (…) de outros países, e deixe de ocupar-se unicamente com coisas frívolas, de enfeites e divertimentos, para preocupar-se de assuntos sérios e graves […].1

Para os espíritas, que conhecemos Amélia Rodrigues, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, podemos identificá-la, com facilidade, nestas linhas: […] nós outras trabalhadoras da paz, acostumadas às lides do lar, da escola e da pena, peçamos um lugarzinho modesto à imprensa de nossa terra pelo nosso ideal tão bonito, pela defesa da moral, força diretriz da verdadeira grandeza entre os povos.1

Em 1912, A Paladina cedeu espaço para A Voz, revista oficial da Liga Católica das Senhoras Baianas, presidida por Amélia, surgida da Associação das Damas de Maria Auxiliadora, fundada por ela, em 1907.

A fala mansa e conciliadora traduzia o caráter reto e firme de uma mulher que sabia qual era o seu papel na sociedade.

Em 1988, a pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM/UFBA), Elizete Passos, descobriu um baú, com a produção de e sobre Amélia Rodrigues, na Biblioteca do Instituto Feminino da Bahia.

Graças a isso, temos conhecimento de suas obras.

Livros de poemas: Filenila (1880), Sonhos de Gutemberg, O Leproso, Minha Pátria, Ao Dois de Julho, A Abadessa da Lapa, Religiosa Clarissa (1916), Poemas Bem me Queres, Flores da Bíblia.

Peças teatrais: Fausta, A Natividade, O Filho Adotivo, Farsa, Vida intensa, Um passeio proveitoso, Um Castigo.

Literatura infantil: A Madrasta (1902); Borboleta e Abelha (1920); O Bilhete de Loteria, Marieta das Flores.

Romances: O Mameluco, Mestra e Mãe (1898), Um casamento segundo os novos moldes. A Promessa.

Crônica: Cartas a uma Amiga (1902 com o pseudônimo Dinorah).

Também a comédia Progresso Feminino (1924), Uma Flor do Destino (1924), biografia da Madre Vitória da Encarnação; Noção da Vocação Sacerdotal (1926), Flores Recreativas, Contos Avulsos, Rosas do Lar, e outros ligados ao Abolicionismo.6

A partir de 1918, Amélia passou a residir no Rio de Janeiro, trabalhou como editora nos periódicos dos Salesianos, na recém-criada editora Vozes.

Seu trabalho vanguardista foi tão grande na Bahia que, entre outras homenagens, em 20 de outubro de 1961, pela Lei nº 182, foi criado, pelo governo estadual, o município Amélia Rodrigues.

Ela desencarnou em Salvador, aos 65 anos, em 22 de agosto de 1926. Naturalmente, a morte não a deteve. Vamos reencontrá-la narrando as mais belas histórias sobre Jesus, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, ofertando-nos as obras:

  • Primícias do Reino (1969);
  • Luz do mundo (1971);
  • Quando voltar a primavera (1977);
  • Há flores no caminho (1982);
  • Pelos caminhos de Jesus (1987);
  • Trigo de Deus (1993);
  • Dias venturosos (1997);
  • …Até o fim dos tempos (2000);
  • A Mensagem do Amor Imortal (2008);
  • Vivendo com Jesus (2012).

Amélia nasceu para ser o farol de Jesus, e ela brilhou mostrando o caminho através da vivência e da divulgação dos Seus ensinos, no seu mais amplo sentido.

 

Referências:

  1. BARROS, Michele Stephanie Souza. A Paladina do lar entre o texto e o contexto: uma análise das publicações da primeira revista feminina da Bahia. 2019. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Cachoeira, 2019.
  2. http://feparana.com.br/topico/?topico=597
    3. http://www.mundoespirita.com.br/?materia=os-45-anos-da-serie-evangelica-amelia-rodrigues
    4. http://www.feeb.org.br/index.php/institucional/artigos/489-homenagem-amelia-rodrigues
  3. https://adrianoportela.wordpress.com/2016/05/23/a-santamarense-amelia-rodrigues/
    6. https://adrianoportela.wordpress.com/2016/05/25/poetisa-santamarense-amelia-rodrigues/
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