Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2020 Número 1626 Ano 87
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Aluno e discípulo

fevereiro/2020

Se consultarmos um bom dicionário de nosso idioma, encontraremos que aluno, vem do latim alumnus  e significa pupilo, aluno. Especifica que estudante ou discente é o indivíduo que recebe formação e instrução de um ou vários professores ou mestres para adquirir ou ampliar seus conhecimentos, geralmente nas áreas intelectuais, levando em conta que existem diferentes aptidões e estilos de aprendizado para cada um, principalmente à medida em que avança na vida escolar.

Em sentido figurado ou metafórico, porém, aluno significa simplesmente discípulo, alguém que aprende de forma coletiva em estabelecimento de ensino pela mediação de um ou vários professores.

Podemos, no entanto, fazer algumas distinções entre aluno e discípulo.

A condição de simples aluno é uma contingência da formação intelectual ou profissional, ao passo que o discípulo se forma, aos poucos, pelas afinidades, pelos laços afetivos, que se criam e se consolidam pelo tempo, dentro e fora da escola.

Assim, há instrutores e professores que tiveram muitos alunos, mas não fizeram propriamente discípulos, na acepção estrita do termo. Outros, porém, conseguiram transformar muitos alunos em discípulos pela comunicação profunda, pela influência que tiveram até na personalidade dos alunos, e não apenas pela convivência nas aulas ou pela rotina dos contatos.

Discípulos, portanto, são aqueles em quem o mestre deixa raízes mais firmes, guardam, por isso mesmo, para sempre os reflexos de sua irradiação, seus exemplos, suas diretrizes.

Discípulo é aquele que afina com o mestre, vibra em consonância com ele, esforçando-se por seguir-lhe os exemplos (…)1

Dessa forma, nos referimos aos discípulos de Jesus, aqueles que O seguiram, O imitaram, se entregaram ao Seu Evangelho, reformulando as próprias vidas.

Em nos reportando a Allan Kardec, é de nos indagarmos se somos discípulos ou simplesmente os que o estudamos sincera e meticulosamente, mas apenas por interesse intelectual ou curiosidade transitória e, por isso mesmo, não sentimos certas facetas, não apreendemos tantas sutilezas inerentes à sua orientação.

 

Referência:

  1. AMORIM, Deolindo. Ponderações doutrinárias. Curitiba: FEP, 1989. cap. Discípulos de Allan Kardec.
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