Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2020 Número 1626 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Altivo Ferreira

fevereiro/2015 - Por Maria Helena Marcon

Ele foi o idealizador da criação de Mocidade Espírita, de âmbito estadual. Foi num domingo à tarde, 28 de abril de 1946, na sede da Federação Espírita do Paraná – FEP, com a presença do seu presidente, João Ghignone e cerca de cem pessoas, que ele apresentou sua ideia.

Conforme anotações da época, o jovem confrade [22anos] leu um belo estudo de sua autoria, demonstrando a necessidade inadiável da fundação de uma entidade que congregasse a mocidade espiritista do Paraná para, unidos, enfrentarem a luta pelo Ideal da Doutrina de Jesus – a busca da perfeição espiritual. Em seguida, expôs um programa mínimo pelo qual, no seu entender, se deverá reger a nova sociedade: 1º – Trabalhar pela união de todos os moços espíritas do Paraná; 2º – Estudar o Espiritismo sob seu tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso; 3º Criar um departamento para fomentar e desenvolver as aptidões para todas as artes, tais como: música, poesia, literatura e, principalmente a oratória, pois, dessa arte dependerão os futuros pregadores espíritas; 4º – Criar um departamento de assistência social; 5º – Criar um departamento recreativo.

A reunião foi solene, tendo como secretário João Hartmann, da FEP e usado a tribuna, com grande brilho a senhorita Dinorah Cavalcanti, Atilio Piza, Dr. Emilio Sounis, Carméla Meneghini, Diogo Luiz Pereira (representante do jornal A Nova Era e da Casa de Saúde Allan Kardec, de Franca). Todos os oradores teceram elogios à iniciativa de Altivo Ferreira.

O programa foi aprovado, após a manifestação de vários jovens presentes e foi nomeada uma comissão para elaborar o Regimento Interno da Mocidade Espírita e desenvolver propaganda, dela fazendo parte Altivo Ferreira, Dinorah Cavalcanti, Ramiro de Andrade, Dr. Emilio Sounis, Hizo Figueira dos Santos, Regina Schleder (futura esposa de Altivo), Lady de Quadros Souza, Amélia Schleder, Diair Ramos e Narciso Marques.

Altivo tinha ideias avançadas e de amplitude. Se pensou na criação da União da Mocidade Espírita do Paraná pensou em termos de movimento federativo, considerando o primeiro objetivo da UMEP. Demonstrava, igualmente, a preocupação com o estudo e a divulgação da Doutrina Espírita. Era um idealista.

Foi o primeiro presidente da UMEP, eleito na semana seguinte, 5 de maio.

Nascido em Colina, no Estado de São Paulo, a 9 de novembro de 1924, foram seus pais Nelson Ferreira de Araújo e Maria da Glória Ferreira, ambos espíritas.

Fez o curso primário em sua terra natal. Iniciando o curso secundário no Ginásio Municipal de Barretos, na cidade de Barretos, acabou por concluí-lo no Colégio Osvaldo Cruz, na capital de São Paulo.

Em 1946, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná concluindo o curso em 1951.

Exerceu a Pediatria como especialidade profissional durante trinta e cinco anos, dedicando-se, também, no magistério superior, tendo exercido durante seis anos a cátedra de Clínica Médica Pediátrica da Faculdade de Ciências Médicas do Paraná. É um dos professores fundadores da Escola de Saúde Pública do Paraná, onde exerceu a cadeira de Puericultura.

Em 1953, editou seu primeiro livro Versos Idealistas – Sonetos e Poemas, tendo revelado marcante sensibilidade poética. Ele mesmo definiu a obra como o retrato de sua alma quando a vida é jardim de pulcras flores. Foi sentido e vibrado entre os vinte e vinte e três anos, época da vida em que os moços sonham com visões sem dores…

Em 1956, deu a público seu segundo livro Espigas do céu – Contos e Sátiras, tendo recebido os mais entusiásticos encômios da crítica. Érico Veríssimo, em carta ao autor, opinou: Você escreve com fluência e correção, revelando dotes apreciáveis de contador de histórias.

Abguar Bastos comentou: É, evidentemente, uma experiência literária com profundas convicções sobre o Bem e o Mal. Um livro honesto porque não disfarça as chagas sociais com o esparadrapo das lisonjas fáceis.

Seu terceiro livro O cocotólogo – Contos – (Ficção e realidade na vida de um médico), veio a público em 1961.

Em 1974, publicou Cânticos às árvores – O evangelho das árvores, com segunda edição em 1981. Segundo sua esposa, ele tinha verdadeira veneração pelas árvores e morou, por dez anos, numa chácara.

Posteriormente, em 1985, publicou Cântico da terra, sob o pseudônimo de Palapoulos. Sob o mesmo pseudônimo, ainda, escreveu as peças teatrais: O bosque, O colecionador e O esqueleto do meu tio. Em 1992, publicou a novela Cristo no inferno, sendo definido pelos editores como um homem de sensibilidade autenticamente brasileira, tendo criado uma obra de alto nível literário (…). O domínio técnico e o equilíbrio são qualidades fundamentais em sua obra.

Em 1995, publicou Tricas e futricas de um telepata, um delicioso passeio por esses caminhos misteriosos, o que nos proporciona momentos de humor e descontração. O livro foi definido como pitoresco, interessante e divertido.

Altivo casou com Regina Schleder, na Alameda Cabral, número 314, em Curitiba, na casa de Lauro Schleder e  de Adelaide Schleder, a vovó Schleder. Regina Schleder é neta de Sebastião Paraná (primeiro presidente eleito da FEP) e filha de Lauro Schleder (diretor do Jornal Mundo Espírita por mais de duas décadas).  O casal Altivo – Regina teve seis filhos.

Altivo Ferreira desencarnou em data de 9 de fevereiro de 2005.

 

Fontes:

FERREIRA, Altivo. Tricas e futricas de um telepata. São Paulo, SP: Edicon, 1995.

FERREIRA, Regina Schleder. Entrevista pessoal em 16.5.2007.

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