Jornal Mundo Espírita

Julho de 2020 Número 1632 Ano 88
Revivendo Ensino Envie para um amigo Imprimir

Algumas noções sobre perispírito

outubro/2018 - Por Vianna de Carvalho

A existência deste elemento de transmissão das impressibilidades entre o corpo e a alma já era pressentida, há milênios, pelos idealistas das Índias e conhecida nos santuários egípcios com uma proficiência que assombra aos investigadores das religiões comparadas.

O Livro dos Mortos* está cheio de referências a esse duplo cuja atividade após a terrestre vida, justificava os cuidados despendidos meticulosamente na construção dos túmulos.

Mas a parte propriamente demonstrativa, calcada em métodos de direta observação, no tocante à realidade objetiva do corpo denominado astral pela Teosofia, começou a constituir-se com o advento do Espiritismo.

A publicação das obras fundamentais de Allan Kardec provocou no mundo científico uma efervescência que se explica facilmente pela importância dos problemas resolvidos em sua imponente codificação.

Babinet, Faraday, Chevreiul  e, mais modernamente, Maxwell e Grasset, imaginaram teorias inconsistentes pretendendo reduzir a um mecanismo psicológico a manifestação de forças conscientes, agindo segundo as leis naturais, já sobre a matéria inorgânica, já sobre organismos apropriados a este gênero particular de fenômenos transcendentes.

Desvanecidas essas hipóteses arbitrárias, surgiram legiões de perquiridores explorando os domínios do invisível.

Em todos os países cultos, moveu-se um exército de experimentalistas verificando, com rigorosas minúcias, a veracidade intangível dos ensinamentos espíritas. Entre esses, despertou especial atenção o dinâmico estudo atinente ao perispírito, seu papel nas aparições, na bilocação, no sonambulismo artificial, nos casos de neuropatologia, no funcionamento da consciência subliminal e em tantas outras modalidades oferecidas à análise pela trama obscura de nossa vida mental.

Aquisições positivas de Baraduc, Gibier, Paul Joire, de Rochas, Aksakof etc. vieram definir e precisar, quanto possível, no estado atual da ciência, a eficácia desse mediador plástico na harmonia do complexo humano.

O perispírito é o modelador da forma típica dos seres.

Substrato fluídico, revestindo a alma em suas peregrinações progressivas, ele se ajusta e casa intimamente ao veículo físico, presidindo o arranjo molecular, dispondo em ordem as partículas materiais trazidas pela torrente do turbilhão vital. É o transmissor dos movimentos vibratórios, produtores das sensações, ao conhecimento do Espírito e das determinações voluntárias do sistema nervoso cérebro-espinhal. Explica as propriedades dos tecidos sem ser necessário o recurso das divagações metafísicas. Depois da morte, conserva a objetividade etérea, imponderável do ser pensante, podendo condensar-se como se observa na teleplastia (fenômeno de aparição materializada de alguém em local de onde está ausente) e agir mecanicamente como se constatou nos fatos telecinéticos (que se referem, pertencem ou são próprios à telecinesia, movimento de objetos à distância, por meio de um poder paranormal).

Evolui ao influxo de nossas ações e pensamentos, passando por coloridos que vão desde o escuro carregado ao faiscante brilho dos rubis sem mácula.

Nas criaturas de alta envergadura moral, o perispírito irradia lucilações de sol e causa a transfiguração vista pelos Apóstolos na face puríssima do Cristo.

Aquele, pois, que quiser possuí-lo nestas condições, observe os preceitos da bondade, aprenda o evangeliário da renúncia e se exercite amplamente nas Divinas obras da misericórdia.

Vianna de Carvalho
Revista de Espiritualismo, julho de 1922.

 

*O Livro dos Mortos – nome original, em egípcio antigo, era Livro de sair para a luz.

Data da época do Império Novo, período da história do Antigo Egito que se inicia por volta de 1580 a.C. e termina em 1160 a.C..

No entanto, a obra recolhe textos mais antigos – do Livro das Pirâmides (Império Antigo) e do Livro dos Sarcófagos (Império Médio).

O objetivo desses textos era ajudar o morto em sua viagem para o outro mundo, afastando eventuais perigos que poderia encontrar na viagem para o Além.

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