Jornal Mundo Espírita

Fevereiro de 2021 Número 1639 Ano 88
Genialidade e mediunidade Envie para um amigo Imprimir

Alexandre Dumas, Pai

janeiro/2021

Desencarnado em 1870, somente no ano de 2002, a França lhe tributou a honra de ter seu corpo exumado e transportado para o Panteão de Paris, o mausoléu onde os grandes franceses, como Victor Hugo, Voltaire, Marie Curie, Jean-Jacques Rousseau estão sepultados.

A exumação contou com transmissão televisiva e o caixão carregado por três homens vestidos como os mosqueteiros da clássica saga Os três mosqueteiros.

Seu pai fora um general  de renome, comandando mais de cinquenta mil soldados nas batalhas da sangrenta Revolução Francesa. Por ser filho de mãe negra, Thomas-Alexandre Dumas não teve o reconhecimento que merecia, nem seu nome nos livros de História.

Seu filho também sofreu o racismo. A honraria desejou apagar esse triste episódio. E atestou que, apesar da França ter produzido vários grandes escritores, nenhum deles foi tão lido quanto Alexandre Dumas. Suas histórias foram traduzidas em quase cem idiomas e inspiraram mais de duzentos filmes.

Ele escreveu mais de quatrocentos romances e trinta e cinco dramas, além de artigos, poesias e crônicas.

A inspiração foi a fonte mágica de seu gênio. Escrevia de um jato e jamais passava a limpo o que escrevia.1

Afirmava: Não faço romances nem peças, tudo isso se faz por si. Não crio histórias. Elas são criadas dentro de mim.1

Quando lhe pediam explicações de como tudo isso acontecia, dizia desconhecer. Descrevendo sua intensa atividade, adjetivada por alguns como exagerada, explicava: Vivo como os pássaros nas árvores. Se não há vento (isto é, inspiração), deixo-me ficar; se venta (isto é, se a inspiração sopra em meus ouvidos psíquicos), abro as asas e vou para onde o vento me levar.1

Conta-se que, ao morrer seu pai, e ele contava somente quatro anos de idade, tomou de um rifle e,  arrastando-o degraus acima, para o andar superior da casa, foi surpreendido por sua mãe, a quem disse iria para o céu, brigar com Deus por ter matado o seu pai.

Nos seus escritos, defendeu o Espiritualismo, proclamou a imortalidade da alma.

Pressentindo que seus dias na Terra estavam para findar, ele foi para a casa do filho, pretendendo morrer perto dele. Pareceu mergulhar em silêncio, levando os amigos a cogitarem que ele sofria o declínio das faculdades mentais.

Bem compreendendo seu pai, Alexandre Dumas, Filho explicava: Um cérebro como o de meu pai nunca entra em declínio. Se ele se recusa a falar conosco na linguagem de hoje é porque está começando a compreender a linguagem da eternidade.1

 

Referências:

1 SOARES, Sylvio Brito. Grandes vultos da Humanidade e o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1975. cap.  Alexandre Dumas, Pai.

2 https://www.aliancafrancesa.com.br/novidades/curiosidades-alexandre-dumas/

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