Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86
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Albert Sabin

agosto/2014 - Por Marco Antonio Negrão

O médico e microbiologista Dr. Albert Bruce Sabin nasceu em 26 de agosto de 1906, em Bialystok,  atual Polônia, à época pertencente à Rússia. Em 1921, sua família migrou para os Estados Unidos, devido à perseguição contra os judeus. Naturalizado norte-americano, a adaptação da família foi difícil, em virtude da pobreza.

Com a ajuda de um tio, Albert Sabin começou seus estudos em odontologia, mudando depois para medicina. Em 1931, completou seu doutorado, na Universidade de Nova York.

Fez residência no Hospital Bellevue, de Nova York e trabalhou no Instituto Lister de Medicina Preventiva, em Londres (1934), como representante do Conselho Americano de Pesquisas.

Retornou aos Estados Unidos, tornando-se catedrático de pediatria na University of Cincinnati College of Medicine (1939-1946) e chefe da divisão de doenças infecciosas de uma de suas unidades de pesquisa.

Durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto servia como médico no exército americano desenvolveu vacinas contra a dengue e a encefalite japonesa, doenças que atacavam as tropas aliadas baseadas na África.

Como pesquisador, no assunto poliomielite – paralisia infantil (1946-1960), para o Instituto Rockefeller de Pesquisas Médicas, em colaboração com cientistas de outros países, foi o primeiro a demonstrar o crescimento do poliovírus no tecido nervoso humano fora do corpo. Foi ele que invalidou a teoria de que o poliovírus entra no corpo pelo nariz e pelo sistema respiratório, demonstrando que a poliomielite humana é uma infecção do trato digestivo.

Defendia que o vírus enfraquecido e vivo da poliomielite, administrado oralmente, daria imunidade por um longo período de tempo, em substituição à técnica de injeção com o vírus morto, conforme Jonas Salk (1953). Preparou então, uma vacina de uso oral de vírus vivos atenuados e, para garantir que a aplicação da vacina, por essa via, não traria riscos de contaminação e, sim,  imunidade mais duradoura contra a poliomielite, testou-a em si próprio.

Por esse motivo, em 1957, a Organização Mundial de Saúde – OMS decidiu testar a vacina no mundo. Comprovada a eficiência do produto, foi lançado no mercado em 1961/62, eliminando a paralisia infantil em muitos países por ela atingidos. Albert Sabin renunciou aos direitos de patente para facilitar a utilização da vacina em todas as partes do mundo.

A partir daí, Albert Sabin tornou-se conhecido mundialmente. Tornou-se membro do Instituto Weizmann de Ciência, na cidade de  Rehovot ( Israel), casou-se com a brasileira Heloísa Dunshee de Abranches Sabin  e esteve várias vezes no Brasil. Foi agraciado pelo governo brasileiro com a Grã-Cruz do Mérito Nacional (1967) e aposentou-se, em 1988, de suas atividades científicas.

O Brasil foi o primeiro país a implementar o Dia Nacional de Vacinação, conforme sugestão do Dr. Albert Sabin.

Hoje, no Brasil, a poliomielite é considerada,  pelas autoridades sanitárias, como doença erradicada (1994).  Podemos olhar para nossas crianças, seguros de que esse mal terrível está dominado, graças à gotinha salvadora, embora, em dias passados, tenha causado males irreparáveis a uma parcela muito grande da população mundial.

Em países como Nigéria, Paquistão e Afeganistão, a poliomielite continua a ser endêmica.

A poliomielite  é uma doença infectocontagiosa, conhecida desde a pré-história. Em pinturas no Egito Antigo aparecem figuras com membros atrofiados. Também há referências na Roma Antiga.

Em 1846, o médico Jacob Heine, ortopedista alemão, escreveu um texto caracterizando a doença. Outro médico alemão, Karl Medin, iniciou os primeiros estudos da doença, que passou a ser chamada de Doença de Heine-Medin. Em 1908, o vírus foi isolado.

Qualquer resfriado dava medo. A doença era um mistério, atingia todas as classes sociais e ninguém sabia como se disseminava. A Europa sofreu grandes epidemias no século XIX e o Brasil tem registros da doença, desde o início do século XX. Esse pesadelo é bem mais recente do que parece. Até a poucos anos, víamos crianças usando aparelhos ortopédicos nas ruas e utilizando pulmões de aço nos hospitais (em cada duzentos casos, um provoca paralisia). Os membros inferiores são atingidos primeiro, mas, quando a doença chega aos músculos do sistema respiratório, é preciso usar um aparelho que permita a respiração artificial, como é o caso do pulmão de aço.

No Brasil, até o final da década de 70, havia dois mil e trezentos casos/ ano e, a partir de 1980, com a introdução das campanhas de vacinação em massa, foi decrescendo. Três anos depois, em 1983, a incidência foi de quarenta e cinco casos. A última vítima a ser atingida pela paralisia infantil foi em 1989, na cidade de Souza, Paraíba.

Devemos ressaltar o desprendimento desse espírito missionário, que trouxe a vacina para essa doença e, com plena consciência da sua tarefa e confiança na sua competência, aceitou autoinocular-se para mostrar o quanto era segura. Mais ainda, abriu mão dos seus direitos de patente, em favor da Humanidade.

Albert Bruce Sabin morreu, vitimado por ataque cardíaco, aos oitenta e seis anos, em sua casa, em Washington, em 3 de março de 1993.

 

Bibliografia:

Revista da Vacina – Ministério da Saúde – Centro Cultural da Saúde

Enciclopédia Britannica

www.guiadoestudante.abril.com.br

www.portaldasaude.saude.gov.br

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