Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Agora, quando ouvirmos falar em Unificação…

agosto/2019

Nesses tempos, que se fazem difíceis, é de nos indagarmos para onde estamos dirigindo nossos interesses e valores existenciais.

Asseverou-nos Jesus que onde estiver o nosso tesouro, ali estará também o nosso coração.1

Também nos disse: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.2

Bem nos preconiza a Doutrina Espírita que Fora da caridade não há salvação, sem vincular e condicionar nossa fé e vivência aos templos de pedra e às formalidades de culto externo, mas à prática incondicional do amor a si próprio, ao próximo e a Deus, acima de tudo.

E não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Basta que se esteja em relações com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça, a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de praticá-lo. Porque, fazer o bem não consiste, para o homem, apenas em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu concurso venha a ser necessário.3

O Espiritismo conclama-nos ao amor, à instrução e à Unidade com Cristo, nosso Guia e Modelo, conforme o Seu enunciado: E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.4

A Federação Espírita do Paraná – FEP, em seus 117 anos, completando-os neste mês de agosto, de ação em prol da divulgação doutrinária, emprega seus melhores esforços pela união dos espíritas, conjunção que é força geratriz que abastece cada um em sua caminhada redentora, ao encontro da Unidade com o Todo.

O Movimento Espírita e a ação federativa, visto pelo lado da instituição filiada, a relação é pontual e individual: Instituição e FEP.

O Movimento Espírita e a ação federativa, visto pelo ângulo de visão do Sistema Integrado Federativo, é uma relação interativa, multipontual, coletiva: FEP e todas as Instituições que lhe integram a formação, e essas entre si.

O Movimento Espírita e a ação federativa, visto pelos olhos dos espíritas e pessoas interessadas, é atuação que polariza e congrega os indivíduos e as organizações interessadas no estudo e na prática dos princípios e propostas da Doutrina Espírita.

Figuradamente, visualizemos uma ampla sala com várias lâmpadas espalhadas.

Toda a fiação segue para um determinado interruptor, que funciona como um elo naquele circuito, um polo distribuindo energia por igual, a fim de que cada lâmpada irradie sua luz, ao tempo em que cada uma recebe apoio das outras lâmpadas, também acesas, de modo que o conjunto faz luz suficiente para iluminar todo o ambiente, beneficiando o ir e vir das pessoas com o bem-estar da claridade.

A inesgotável Energia Divina chega em todos os pontos da rede do bem pelo fio da Mensagem Espírita, cuja fonte geratriz é Deus e a grande Unidade distribuidora é Jesus.

A visão sistêmica do Movimento Espírita é a visão de uma grande rede (como as de pesca) com seus nós entrelaçadores, em constante ampliação, na qual a FEP faz parte da rede, entrelaçando-se com os demais, em igualdade, não cabendo a ideia equivocada de uma pirâmide, na qual a FEP estaria no topo e as Instituições integrantes, na base, ou seja, num ponto central, diretivo.

A horizontalidade dos laços de todos, formando a base segura das ações comuns em benefício do próximo, é que dá ao conjunto a condição de se oportunizar a cada um alcançar a verticalidade dos resultados positivos: a reforma moral para melhor, a redenção pessoal.

A visão sistêmica é a visão comunitária apresentada em Atos dos Apóstolos:5 E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.

Ou, no mesmo sentido de união e Unidade, nos ensina o apóstolo Paulo:6 Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.

Agora, quando ouvirmos falar em Unificação do Movimento Espírita, saibamos que se está falando em ação de unificar todos em torno da Mensagem Espírita, o mesmo que em torno do Bem e do Amor, esse foco de luz que nos revela que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, o religio (literalmente: conexão retrospectiva), o religare, que busca nos unir com a fonte, com a origem, com o Todo-Uno.

Unificação é o empuxo, cuja força na direção vertical, sempre acima, impulsiona toda a rede do bem tecida pelo Espiritismo, da Terra em direção ao céu.

Unificação é o interruptor acionado para deixar a Energia Divina fluir livremente e fazer luz nas tarefas das instituições do bem e nos corações de boa vontade.

Unificação é ação de congregar todos os que estamos a caminho da Unidade com Deus, sob a bandeira do Trabalho, da Tolerância e da Solidariedade.

Unificação é o amálgama que liga o eu ao tu e ao eles, e faz nascer a união com o nós.

Unificação é o lema da Federação Espírita do Paraná, há 117 anos.

Unidos podemos sempre mais.

 

Referências:

1.BÍBLIA, N. T. Lucas. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 12, vers. 34.

  1. Op. cit. Mateus. cap. 7, vers. 21.
  2. KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. 3, cap. 1, q. 643.
  3. BÍBLIA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 17, vers. 22.
  4. Op. cit. Atos. cap. 4, vers. 32.
  5. Op. cit. Romanos. cap. 12, vers. 5.
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