Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2019 Número 1623 Ano 87

Advertências atuais às casas espíritas

novembro/2016 - Por Alessandro Vianna Vieira de Paula

É sabido que vivemos na Terra um período de transição planetária, no qual o orbe terrestre irá avançar na escala dos mundos, tornando-se um mundo de regeneração, onde haverá a melhoria dos sentimentos, havendo o desejo do bem.

Sabemos, também, pela literatura espírita que falanges espirituais do mal se opõem a essa mudança do planeta, tentando criar embaraços e dificuldades aos novos cristãos, os espíritas, em particular, e aos homens de bem em geral, ante a impossibilidade de atingirem o Cristo.

Essa observação consta do capítulo 15, da excelente obra Perturbações Espirituais (1ª ed. LEAL), ditado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, através da mediunidade de Divaldo Franco.

Anote-se que esses obsessores, para atingir os espíritas, acabam atuando na Casa Espírita, tentando desfigurá-la dos seus propósitos nobres, fazendo-a implodir de dentro para fora, de forma que, na citada obra, há relevantes orientações sobre o correto e o equilibrado funcionamento da Casa Espírita, cabendo aos Dirigentes, neste momento grave do planeta, reavaliar o andamento das tarefas espíritas, motivando e qualificando os trabalhadores, tendo como modelo a Casa do Caminho em Jerusalém, onde os Apóstolos desenvolveram uma tarefa de amor, de consolo e de iluminação de consciências.

Dentre as orientações oportunas, tomo a liberdade de trazer algumas à tona para as nossas reflexões:

1. Algumas preleções espíritas se tornaram espetáculos de oratória vazia e artística, em lamentável imitação dos comunicadores dos veículos da televisão, surgindo campeonatos de exposição espírita, com a utilização de teologias doutrinárias muito difíceis de serem assimiladas pelas pessoas de cultura modesta.

Infelizmente, vemos, às vezes, o orgulho fomentando disputas entre os trabalhadores que atuam na divulgação do Espiritismo, quando, na realidade, deveria haver união e somatória de esforços, porque trabalhamos pelo mesmo objetivo, que é a iluminação de consciências, e o terreno é grande e fértil, havendo oportunidade de trabalho para todos.

Alguns se utilizam de linguagem complexa, de difícil entendimento, como se isso fosse sinal de qualidade na oratória, não conseguindo, muitas vezes, consolar e tocar o coração daqueles que buscam diretrizes para suas vidas.

À semelhança dos Apóstolos na Casa do Caminho, as preleções devem ser pautadas pela simplicidade, que não significa o uso de palavras chulas, de gírias, mas de palavras acessíveis que transmitam com fidelidade o ensinamento espírita, instruindo e consolando.

2.  Algumas Casas Espíritas são suntuosas, com auditórios pomposos, nos quais os pobres têm constrangimento de entrar, ou são discretamente barrados ao chegarem.

Mais uma vez a falta de simplicidade compromete o equilíbrio da tarefa na Casa Espírita, pois algumas se utilizam do excesso de luxo e adornos, gerando o afastamento natural dos indivíduos mais modestos do ponto de vista econômico.

Frise-se que simplicidade não significa desleixo ou descuido na manutenção da Casa Espírita, que necessita de reformas e melhorias, para melhor acolher o público, mas sem exageros e objetos suntuosos.

3.  Há Casas Espíritas que formam grupos ou cursos de estudos que se assemelham às universidades.

Os grupos de estudos devem ser organizados, sérios, mas não podem ter formalismos exagerados e desnecessários que desestimulem as pessoas que chegam à Casa Espírita e desejam estudar o Espiritismo.

Há cursos de estudo que ofertam diplomas, fazem provas e exigem uma frequência mínima com a possibilidade de excluir a pessoa do curso. Vejamos que diferença com a Casa do Caminho!

A frequência é questão de consciência daquele que deseja estudar e se melhorar moralmente, de tal sorte que não me parece correto expulsar a pessoa do grupo ou do curso de estudo. O dirigente pode optar por uma conversa reservada e fraternal, onde exporá a importância da assiduidade.

4. Algumas Casas Espíritas estabeleceram a desnecessidade das comunicações espirituais, o que deu lugar à tese de “Espiritismo sem Espíritos”.

Lamentavelmente, alguns grupos mediúnicos, por falta de estudo e diante da presença do orgulho e da maledicência, acabam por desequilibrarem-se e, em certos casos, também afetam a harmonia que deveria haver nas Casas Espíritas.

Quando isso ocorre, deve-se adotar medidas terapêuticas, tais como, a intervenção da Diretoria da Casa Espírita, através de conversas fraternas, investindo-se, ainda, na qualificação dos membros do grupo, e, em casos mais graves, pode-se suspender temporariamente a reunião mediúnica, cujos resultados já estavam aquém do esperado, reforçando nesse período o estudo da mediunidade e do Evangelho, a fim de que, oportunamente, restabeleçam-se as reuniões de intercâmbio espiritual.

Algumas Sociedades Espíritas, por receio de que algum grupo mediúnico cause algum problema para o seu funcionamento, optam por não permitir o intercâmbio saudável, com prejuízos consideráveis para a tarefa integral que elas devem proporcionar, deixando de ofertar o aprimoramento da mediunidade e os belíssimos resultados alcançados pelas reuniões de desobsessão.

Por outro lado, há Casas Espíritas que multiplicam suas tarefas mediúnicas em detrimento de outros labores essenciais (evangelização infantil, mocidade, grupos de estudos, etc.), permitindo-se, ainda, a inclusão de pessoas despreparadas para esse mister, o que, fatalmente, gerará desafios mais adiante.

5. A necessidade de obter recursos econômicos faz com que algumas Casas Espíritas se utilizem de meios inadequados e injustificáveis sob o ponto de vista do próprio Espiritismo.

Há diversas formas equilibradas de se obter renda para a Casa Espírita, como, por exemplo, a venda de pizzas, a realização de chás da tarde, almoços ou jantares beneficentes, obviamente, que sem a venda e o consumo de bebidas alcoólicas, podendo-se, também, investir na ampliação do quadro dos associados contribuintes.

Devem ser evitados os espetáculos de má qualidade, bailes e comportamentos de nível inferior, bem como devemos ter cuidado com o denominado Clube do Livro, a fim de que não coloquemos obras de má qualidade doutrinária, devendo haver uma eficiente triagem dos livros a serem ofertados, inclusive nas bibliotecas e livrarias das Casas Espíritas.

A Casa do Caminho passou por dificuldades econômicas, mas os Apóstolos jamais abdicaram da ética e da fidelidade a Jesus, de forma que buscaram alternativas viáveis e irreprocháveis (por exemplo: algumas das Igrejas fundadas por Paulo passaram a contribuir para a manutenção das atividades da Casa do Caminho).

6. Perda do entusiasmo inicial, fazendo com que os labores espíritas sejam afetados pela rotina.

Temos que estar vigilantes para que a rotina não gere a perda do vigor inicial, fazendo com que as tarefas da Casa Espírita sejam executadas de forma automática e, em algumas ocasiões, sem o impulso do sentimento pelos trabalhadores.

A Casa Espírita funciona como hospital e escola, devendo colaborar para a tarefa de cristianização das criaturas humanas, de tal sorte que sempre pode servir mais e melhor, sem que os trabalhadores percam a alegria de trabalhar na vinha do Senhor.

A realização de reuniões periódicas para constantes avaliações das tarefas desempenhadas, a permanente qualificação dos trabalhadores, facultando, inclusive a formação de novos tarefeiros, e conversas que estimulem a motivação auxiliarão para que a rotina não limite a capacidade de aprimoramento e ampliação das tarefas a serem desenvolvidas nas Casas Espíritas.

Ademais, as reuniões frequentes, que abrirão espaços para que outros deem sugestões e façam críticas construtivas, ajudarão a eliminar as maledicências e as intrigas que, infelizmente, têm desestruturado muitas Sociedades Espíritas. Quando isso começa a acontecer, devemos agir rapidamente, através de conversas cordiais e fraternas, evitando danos maiores para a harmonia que deve viger nas aludidas Sociedades.

A obra Perturbações Espirituais é um marco significativo para a avaliação e o aprimoramento do movimento espírita e dos labores das Casas Espíritas, sobretudo neste período de transição planetária e de graves desafios morais.

As advertências constantes deste artigo estão exaradas nos capítulos 7, 10 e 16, sendo um convite para que as Casas Espíritas retornem à seriedade e simplicidade iniciais, cujas diretrizes estão exaradas no Pentateuco Kardequiano e no Evangelho de Jesus.

Reflitamos seriamente sobre essas questões e não nos esqueçamos das palavras de estímulo do benfeitor Philomeno de Miranda (cap. 7):

Meditai em torno das comunicações sérias dos Espíritos felizes que vos advertem, (… )

Tende ânimo e estai atentos para as vossas responsabilidades, (…)

Sereis convidados a prestardes contas de como aplicastes o tempo e o conhecimento, de como agistes em relação ao vosso próximo, em consequência, a vós mesmos, e à vossa consciência, (…)

Vigiai as nascentes do coração, (…)

Despertai e reflexionai com mais tento,(… )

Cantai a alegria de amar e servir à  doutrina que vos apresenta a bússola de orientação para o porto da plenitude.

Assine a versão impressa
Leia também