Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
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Agênere

março/2018

Em O livro dos médiuns, publicado em 1861, no primeiro capítulo da primeira edição destacou Allan Kardec [traduzimos]:

Agênere (do grego: a, privativo, e géino, géinomai, gerar – não gerado) – Variedade de aparição tangível. Estado de certos Espíritos que podem revestir momentaneamente as formas de uma pessoa viva, a ponto de produzir completa ilusão.

Na 49ª edição francesa, traduzida ao nosso idioma, por Guillon Ribeiro, o Vocabulário Espírita figura como derradeiro capítulo, o de número 32 mas, de igual forma, agênere é a primeira palavra.

Em páginas notáveis, o Codificador salientou o que sejam aparições de espíritos (perceptíveis a alguns), aparições tangíveis, bicorporiedade (homens duplos) e agêneres.

Escreveu em A gênese – Os milagres e as predições segundo o Espiritismo, no capítulo XIV, item 36: É de notar-se que as aparições tangíveis só tem da matéria carnal as aparências; não poderiam ter dela as qualidades. Em virtude da sua natureza fluídica, não podem ter a coesão da matéria, porque, em realidade, não há nelas carne. Formam-se instantaneamente e instantaneamente desaparecem, ou se evaporam pela desagregação das moléculas fluídicas.

Os seres que se apresentam nessas condições não nascem, nem morrem, como os outros homens. São vistos e deixam de ser vistos, sem que se saiba donde vêm, como vieram, nem para onde vão. Ninguém os poderia matar, nem prender, nem encarcerar, visto carecerem de corpo carnal. Atingiriam o vácuo os golpes que se lhes desferissem.

Tal o caráter dos agêneres, com os quais se pode confabular, sem suspeitar de que eles o sejam, mas que não demoram longo tempo entre os humanos e não podem tornar-se comensais de uma casa, nem figurar entre os membros de uma família.

 Exemplos de agêneres se apresentam em trechos bíblicos. Podemos citar, a título de ilustração, os dois mensageiros enviados a Sodoma e que se hospedaram em casa de Lot (Gênesis, 19: 1-3). Também no Livro de Tobias, que se refere ao companheiro de viagem do jovem Tobias, e que, de retorno da jornada, se identifica como o anjo Rafael (12:15-22).

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