Jornal Mundo Espírita

Março de 2019 Número 1616 Ano 86
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Abraham Lincoln

fevereiro/2017 - Por Mary Ishiyama

Creia, senhorita Nettie, viverei até que minha missão esteja concluída. Até então, nenhuma força terrena poderá contra ela. Depois, já nada mais importará, contanto que eu tenha concluído meu trabalho; e isso de qualquer forma eu farei.1

Esta foi a última conversa entre a médium Nettie Colburn Maynard e o então presidente dos Estados Unidos da América, Abraham Lincoln, que seria assassinado logo após.

Ele era um espírito absolutamente consciente de sua missão na Terra. Chegou à presidência dos Estados Unidos da América, por ter um trabalho grave a realizar.

Ele não era espírita, mas procurou, muitas vezes, o concurso de médiuns, em especial, Nettie. Célebres tornaram-se as sessões realizadas na Casa Branca, sobretudo no período conturbado do conflito civil.

Em carta ao seu amigo Speed, escreveu que sentia ser controlado por misterioso poder alheio à sua vontade e, sempre que seguia o conselho desse poder, os resultados eram satisfatórios.

Lincoln, reconhecidamente um gigante, nasceu em 12 de fevereiro de 1809, em Hodgenville, Kentucky e morreu em 15 de abril de 1865, em Petersen House, Washington D.C., nos Estados Unidos, tendo sido seu 16º Presidente.

Sua vida não foi fácil. Sua mãe desencarnou, quando ele tinha nove anos. Foi criado pela madrasta Sarah Bush Lincoln, a quem muito amava. Aos vinte e um anos, saiu de casa, exercendo atividades como caixeiro de armazém e agente de correio para sobreviver.

Tornou-se advogado itinerante. Iniciou sua carreira política como parlamentar por Illinois. Casou-se com Mary Todd em 1842 e foi pai de quatro filhos, embora apenas um tenha chegado à idade adulta.

Venceu a corrida presidencial em 1860, por pequena margem. Como presidente, segundo seus biógrafos, o verdadeiro destaque foi a maneira como conduziu o conflito com os Estados Confederados do Sul, unindo as diferentes correntes políticas do Norte, contendo os avanços militares dos Estados do Sul, abolindo a escravidão e impedindo que seu país se dividisse, o que certamente resultaria na falência do sistema democrático norte-americano.

Lincoln, homem de paz, refletia sobre a responsabilidade nas tomadas de decisões de vida e morte.

A 1º de Janeiro de 1863 emitiu a Proclamação da Emancipação, que declarava livres os escravos. Em famoso discurso, declarou: Esta nação, sob a graça de Deus, terá um renascimento da liberdade; e o governo do povo, pelo povo e para o povo não perecerá sobre a Terra. O sonho de um país unificado foi assegurado, mas Lincoln não o usufruiu.

Esse homem poderoso, envolvido em tantos conflitos sociais, procurava solucionar os problemas pela paz. Certa vez, lhe chegaram as informações de que um jovem de quatorze anos fora condenado à morte por fuzilamento. Imediatamente, escreveu ao ministro da guerra sugerindo que o melhor seria dar-lhe umas boas palmadas e mandá-lo de volta para casa.

De outra vez, interferiu na execução de um soldado confederado, pedindo ao general Rosecrans que revisse a ordem e que nada fizesse em relação ao passado; que olhasse para o futuro porque o objetivo não era destruir o espírito do preso mas conquistar-lhe a lealdade pela bondade.

Quando em visita às instalações do hospital de City Point, na Virgínia, ao chegar à enfermaria, foi-lhe dito pelo Dr. Jerome Walker que talvez não quisesse visitar os rebeldes que ali estavam internados. A resposta de Lincoln foi: O senhor quer dizer confederados, e cumprimentou um a um, demonstrando interesse como o faria aos seus próprios soldados.

Certa vez, em uma festa, uma senhora o questionou como podia se referir aos inimigos com bondade, quando, em verdade, deveria dar cabo deles. Depois de pensar, ele respondeu: Acaso não dou cabo deles quando os converto em amigos?

Depositava irrestrita confiança em Deus. Amava as estrelas, conhecia o nome de muitas delas, a distância que estavam da Terra, a velocidade com que se moviam. E dizia: Sempre que as contemplo, sinto que estou contemplando a face de Deus. Compreendo que um homem olhe para baixo, para a terra, e seja ateu. Mas não posso conceber que ele erga os olhos para o céu e afirme que Deus não existe.

Ele sonhou com sua própria morte, o que o abalou, profundamente. Ao despertar, abrindo a Bíblia, de forma aleatória, deparou-se com a passagem  que narra o sonho de Jacó.

Lincoln morreu, em 15 de abril de 1865, pelas mãos infelizes de John Wilkes Booth, que o baleara, na noite anterior, no Teatro Ford, no camarote onde se encontrava com a esposa e convidados.

Após sua morte, sua esposa procurou William H. Mumler, precursor da fotografia espírita. Sem se identificar, pediu que ele a fotografasse. Na revelação, Mumler ficou impressionado ao ver, ao lado da senhora, a imagem esfumaçada do presidente Lincoln.

Abraham Lincoln não levantou apenas uma grande nação. Também ergueu o véu da imortalidade, testificando da vida que nunca morre.

 

Bibliografia:

1. MAYNARD, Nettie Colburn e RODRIGUES, Wallace Leal V. Sessões espíritas na Casa Branca. Matão: O Clarim, 1981.

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