Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

A túnica e o manto

fevereiro/2008

“E se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica,
também lhes entregueis o manto; se alguém vos obrigar a caminhar
m
il passos com ele, caminheis mais dois mil” – JESUS –
Mateus 5 – 38 a 42

 

Iniciou-se em todo o mundo ocidental, e parte do mundo oriental, novo ano no calendário. Em face disso, nova etapa se descortina à criatura humana.

Como de praxe, eclode naturalmente o sentimento de renovação das ideias, metas e ideários, com projeção de novos planos visando atingir dias melhores, a superação de problemas e a busca pela paz de espírito.

Entretanto, em pleno ano oitavo do século vinte e um, vislumbra-se que a Humanidade se encontra premida por dificuldades enormes e o homem, visionário da felicidade, genericamente, pouco êxito tem logrado nessa tentativa.

Ocorre que a procura da felicidade, em claro desvio de foco, tem sido feita sobre os escombros do pensamento aprisionado nas conquistas materiais e quando não, amordaçado pelo fanatismo religioso que dá azo ao divisionismo.

Nesse passo, os espíritas que já fomos bafejados pelo conhecimento fundamentado no Consolador Prometido, interessa-nos sobremaneira, analisar em que quadra desses pensamentos temos estacionado nossa alma e o que estaremos projetando para o novo ano.

Aferindo essa condição, invade-nos a certeza de que em nosso planejamento de vida não há mais lugar para os interesses mesquinhos e muito menos para as contendas que ora e vez travamos de maneira desnecessária em nossos sítios e que tem proporcionado a desagregação, desde o núcleo familiar, social, e até do núcleo espiritista.

Escorados na imperiosa necessidade de viver os ensinamentos do Cristo de maneira mais definitiva possível, por evidente que nossos pensamentos e planos para o ano que se inicia, devem privilegiar a reconciliação, a paz, a amizade e o amor.

É assim que, por exemplo, além das demais atividades de nossa vida, a divulgação da mensagem cristã renovada, à qual nos atrelamos através das organizações espíritas, deve refletir na prática de virtudes como a compreensão, a solidariedade, a tolerância e a cooperação, que, a par de outras demais virtudes, nos encaminhará na direção da maturidade do senso moral que nos facultará o cumprimento das responsabilidades a que fomos chamados sob a fundamentação inegável da reencarnação.

Em que pese esse dever, entretanto, verificamos que a compreensão tem de há muito se feito ausente dos labores no meio espiritista, dificultando o entendimento das criaturas que nele militam, a solidariedade, a exigir o pleno exercício do amor como antídoto da crítica desavisada, quando não desalmada, também tem demarcado a sua ausência, a tolerância, como manifestação vital, no rumo de entender aqueles que às vezes não pensam como pensamos, ou que possuem diferentes visões sobre os fatos da vida, e até mesmo em face da insigne Doutrina dos Espíritos, tem andado meio esquecida, afastando de nosso convívio a união e a cooperação, que não se faz desavisada do dever de ajudar uns aos outros, de doar a nossa melhor fatia de trabalho desinteressado, incentivando os que lutam com dificuldades que muita vez não temos, devendo as iniciativas positivas servir de exemplos de realização e não cobertas de elogios ilusórios de vantagens que se transformam em geleiras que dividem e separam, a fim de que possamos alimentar o conjunto da obra de divulgação da amada Doutrina Espírita com as alavancas impulsionadoras do progresso necessário.

Ao vislumbre destas necessárias reflexões, para o ano novo ou novo ano, alertemo­-nos para o fato incontestável de que precisamos emprestar esforços permanentes para apertar os laços de união e da mais pura fraternidade, base essencial da caridade tão decantada pelo nosso excelso Codificador AlIan Kardec, sem dar margem aos atavismos, sem a prática nefanda do exclusivismo, fugindo do fanatismo e outras mazelas que nos separam do caminho imprescindível para se obter os galardões que nos propiciarão o enfileiramento nas hostes dos verdadeiros trabalhadores do Senhor da Vinha, sem o que, muito embora convidados de várias horas para o banquete, nos faltarão a Túnica e o Manto, que não demos e os dois mil passos que não caminhamos.

Assine a versão impressa
Leia também