Jornal Mundo Espírita

Julho de 2018 Número 1608 Ano 86

A postos, a serviço do bem

julho/2018

Há o momento do encontro do anseio com o motivo do anseio.

Da pergunta com a resposta.

Da carência com a saciedade.

Do desejo com a satisfação.

Em todos esses momentos, a espera vira entusiasmo e se faz promessa.

Para se demorar com o que se encontrou, não medimos esforços. Refazemos agenda, reposicionamos nossa escala de valores, superamos a falta de tempo. E nos fazemos presentes, animados, movidos pelo vigor da expectativa e pelo entusiasmo da primeira hora.

Esse é o retrato de quase todos que se aproximam da mensagem do Bem, dos círculos religiosos, por exemplo.

O adepto novo vai então se posicionando com raiz.

Faz-se firme, disposto, proativo, prestativo, dedicado e eficaz, indo além do que dele se espera.

Sua crença em formação resiste aos apelos do mundo, da ganância, da vaidade, da luxúria, dos entretenimentos fugazes.

… E prossegue em ascensão perante a própria consciência.

No entanto, a forja da têmpera da sua fé ainda precisa resistir à ação do tempo em constante continuar, repetir, persistir.

Muitos conseguem e prosseguem.

Muitos, passado um certo tempo, se veem às voltas com o tédio, com o marasmo, com o fim do entusiasmo. Várias as razões: a novidade que se transforma em rotina, o mesmismo a que se permite, o compromisso que pede constância, o aprimoramento que seria bem-vindo, mas foi relaxado, o crescimento de outros interesses em outras ações, um futuro não acalentado, fraqueza diante das vicissitudes da vida e outros tantos motivos.

Vendo-se em situação assim, necessariamente não abandona seus postulados religiosos, mas se acomoda num dos degraus da escada evolutiva, e estaciona no já sabido, no já feito, perdendo contato com a imaginação, fonte de aspirações e rumos novos.

Se faz presente, com quase nenhuma contribuição.

Ocupa lugar, mas não preenche espaço.

Faz parte do entorno, mas não do contexto e não toma partido.

Atende escala, sem assumir maior compromisso.

Testemunha os fatos e os feitos, mas não assume a qualidade de protagonista do avanço.

Comparece, sem se entrosar no ambiente, no clima, no contexto.

Passa a ser mais um… apenas.

Jesus, Mestre por excelência, não deixou de alertar: Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera. (Mc, 4:19)

A mãe Terra é escola preparativa de almas, para que possam caminhar rumo ao infinito.

Como escola que é, tem suas exigências, as quais não são fáceis de serem superadas, mas são passíveis de vencidas.

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (Jo, 16:33)

Para os que renunciam à oportunidade do avanço espiritual para melhor, Ele roga ao Pai: Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. (Jo, 17,15-16)

O caminho espiritual é viver no mundo sem ser prisioneiro do mundo e libertar-se do mundo sem se afastar do mundo.

Quem se deixa aprisionar pelo mundo torna-se refém dos apegos.

Viver no mundo sem se apegar a ele é adquirir a capacidade de viver cada circunstância da vida dentro da sua necessidade. No momento em que a ação é necessária, a pessoa age; e no momento em que a necessidade termina, ela entra em repouso. No momento de trabalhar, trabalha, e no momento natural de descansar, descansa. Alcança o estágio em que o exercício das atividades mundanas não interfere no ritmo de desenvolvimento de sua consciência.

Foi-nos anunciado: Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.(Mt, 24:21)

Basta uma rápida visão sobre o momento atual do mundo para constatarmos que os tempos são chegados.

Momento precisado de todos os de boa vontade a fim de auxiliarem nas obras de benemerência e assistência aos necessitados.

Os Espíritas não podemos deixar de estarmos a postos, firmes, sob a bandeira do Consolador, nos pondo diligentes, operosos, a serviço do Bem.

Já não há tempo para titubeios e indecisões.

Sigamos resolutos e determinados, conforme somos conclamados pelo Senhor da Vida: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. (Mt, 5:37)

A empreitada regenerativa de todos nós é grande, e pede contribuição substancial de mentes e corações devotadas, que não medem esforços em nome da caridade.

O dia é hoje e o momento é agora.

Por maiores os problemas, por mais difícil a conjuntura pessoal, levantemo-nos, resolutos, atendendo ao chamado divino: Vem hoje trabalhar na Vinha do Senhor.

O bem faz bem primeiramente para quem pratica o bem. E o grande Apóstolo Paulo, recomenda-nos: E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.  (II Ts, 3:13)

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