Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2017 Número 1601 Ano 85

A permanente missão dos setenta e dois discípulos

maio/2017

Depois disso, o Senhor designou outros setenta e dois, e os enviou dois a dois à sua frente a toda
cidade e lugar aonde ele próprio devia ir.  E dizia-lhes: A colheita é grande, mas os operários
são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie operários para sua colheita. Ide!
– Lc, 10: 1 a 3

A primavera havia chegado na invernia dos padecimentos humanos e amanhecia a Era da esperança e da alegria.

A magia do Seu verbo e o encanto da Sua presença acalmavam as ansiedades mais perturbadoras e diluíam sentimentos inamistosos.

Seguiam-nO multidões numerosas…

Às praias do mar da Galileia chegavam os desvalidos e chibatados pelo abandono, corroídos pelos conflitos. Cegos, surdos, mudos, paralíticos.

Ele os atendia com ternura incomum, Irmão de todos e Amigo especial de cada um.

Essa, porém, não era a finalidade precípua da Sua mensagem. Usava da compaixão e da misericórdia, diminuindo-lhes a dores e as penas momentâneas, e atendia-lhes os apelos do estômago esfaimado, de modo a poderem ouvir o que Ele tinha a lhes dizer.

Aqueles momentos gentis da alegria precisavam ser levados a outras regiões, além da simplória Galileia.

Jesus reuniu, então, alguns daqueles ouvintes mais frequentes e sinceros, deu-lhes instruções e recomendou-lhes prudência durante toda a caminhada em benefício da divulgação do reino de Deus, antecendo-Lhe a chegada em cada lugar que viessem a estar.

Vão em frente!

Os setenta e dois escolhidos foram divididos dois a dois e, quais postos avançados do ensino e socorro divinos, partiram em missão sublime.

Alguns primeiros logo voltaram, em inusitado júbilo pelos resultados alcançados e pela receptividade à mensagem da esperança renascida.

Outros voltaram mais tarde. Alguns ainda estamos na caminhada…

Figuradamente, podemos agasalhar a ideia imaginária de que várias daquelas duplas seguiram rumos diversos no tempo e na História, fincando os pilares do reino dos Céus pela imensidão da Terra, fundando igrejas, ordens de benemerência, postos de socorro espiritual e físico; registrando ensinos, tecendo filosofias, definindo doutrinas; clareando mentes, dulcificando corações; alargando os horizontes, estabelecendo estalagens de amor.

A jornada desses peregrinos, portadores dos poderes de pisar serpentes e escorpiões e nada sofrerem de danos, abriram clareiras mundo afora para que Ele pudesse vir empós, numa das quais fincaram a bandeira do Consolador prometido, e ali falaram com clareza: Paz a esta casa, e como ali havia filhos de paz, a paz repousou sobre eles, dando prosperidade à comunidade dos Centros Espíritas, núcleos propagadores da Era da esperança e da alegria. Postos avançados do anúncio dos tempos novos, recantos de constante primavera a que podem recorrer os caminhantes da vida, fugindo do inverno dos seus padecimentos.

Esta é a religião, cujo nome foi dado por Jesus. O Consolador, não o esqueçamos.

Consolemos as lágrimas, estancando-as no seu nascedouro; atendamos à dor, ferindo-a na origem. Lutemos contra o mal em nossa alma e ganharemos a Terra da Paz.[i]

Organizações voltadas ao preparo dos corações humanos, como o lugar aonde Ele próprio deverá vir e ali permanecer.

Destinado aos infelizes, estes não são apenas os que sofrem as dificuldades econômicas e que são conhecidos como constituintes das classes humildes. A dor não se limita a questões de circunstância, tempo e lugar.[ii]

Há muita angústia aguardando a contribuição espírita, e muita loucura necessitando de socorro espírita.

Nosso compromisso é com Jesus – nossa barca, nossa bússola, nosso norte, nosso porto…

Jesus, meus amigos! Aquele a quem juramos fidelidade, amor e serviço.

Hoje é o nosso dia de apresentar o Evangelho restaurado à sofrida alma do povo.3

Cristo e Kardec estão erguendo o homem do caos em que jaz para os píncaros da Imortalidade.[iii]

Prossigamos, membros escolhidos dos modernos setenta e dois da Galileia.

A jornada não está finda. Apenas começa.

A colheita é grande, os operários são poucos.

São apenas setenta e dois os bandeirantes da Boa Nova da esperança…

Alegremo-nos com o Evangelho de Jesus, servindo com renúncia, amando com abnegação, vivendo com fidelidade.

O Seu verbo continua a entoar a musicalidade sublime do reino de Deus.

E o seu canto imorredouro irradia a luz do grande mandamento: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e de todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo.

Espíritas, amai-vos e Instruí-vos!

É Ele que permanece presente. A mesma voz. O mesmo canto de esperança e alegria.

A nossa não é outra, senão a tarefa de conduzir com segurança os náufragos das experiências humanas ao porto da paz.[iv]

 

Bibliografia:

1 FRANCO, Divaldo Pereira. Compromissos iluminativos. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. 4. ed. Salvador: LEAL, 2001. cap. 27.
2 __________. Sementeira da fraternidade. Por Espíritos Diversos. 2. ed. Salvador: LEAL, 1989. cap. 18.
3 __________. Compromissos iluminativos. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. 4. ed. Salvador: LEAL, 2001. cap. 25.
Op. cit. cap. 29.
5 Op. cit. cap. 25

 

 

 

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