Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2017 Número 1601 Ano 85

A pedra angular

setembro/2017

Pedra angular é a aduela colocada no centro de um arco com a função de balancear as forças concorrentes opostas que atuam em um arco, ou seja, a pedra angular não apoia nem sustenta peso algum, sua função é equilibrar a queda dos semicírculos opostos que se apoiam sobre as colunas que compõem um arco.

As aduelas são as peças que compõem cada lado de um arco.

Exemplos remotos magistrais do uso dessa técnica podem ser vistos no Coliseu e no Aqueduto de Roma, bem como em centenas de obras de arte do Império Romano, espalhadas por toda a Europa e no entorno do Mar Mediterrâneo.

Por essa razão de mediação e equilíbrio, a expressão pedra angular é usada, de modo similar à expressão alicerce, com o sentido de designar algo que seja fundamental, central, em um tema qualquer; por exemplo: A lei é a pedra angular da república. O amor é a pedra angular do casamento.

Pode-se, ainda, encontrar a expressão pedra chave ou somente chave, como sinônimo.

A última peça que se coloca na construção de um arco é a chave, a pedra angular. Seu coroamento chega para consolidar o equilíbrio.

Figuradamente, podemos dizer que a Unificação é a pedra angular do Movimento Espírita, cujas colunas de arco são formadas pela União dos Espíritas e de suas Instituições, como as aduelas (pedras ou peças) nas obras de engenharia.

Quando o Venerando Benfeitor Espiritual Bezerra de Menezes afirma: Unificação, sim. União, também. Imprescindível que nos unifiquemos no ideal espírita, mas que, acima de tudo, nos unamos como irmãos, temos a Unificação como a pedra angular, que vem como coroamento, dando devido equilíbrio à construção em que estamos empenhados: Movimento Espírita unido, coeso.

O conjunto forma o todo. E a conformação do arco em equilíbrio lhe dá a unidade, que é absoluta, e lhe permite suportar a carga para a qual foi erigido. O ajuste das aduelas com encaixes adequados é que dá forma ao arco pretendido. E, repetindo, a pedra angular é a junção das colunas, dando-lhe a força preconizada na afirmativa de que a união produz força. A mesma ideia formada pela assertiva do mesmo Benfeitor Espiritual: Solidários, seremos união.

Consta em Mateus, 21:42 –  Disse-lhes então Jesus: “Nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi feito isso e é maravilha aos nossos olhos?’”

A referência corresponde ao Salmo 118:22.

O mesmo apontamento encontramos em outros Evangelistas e em Atos dos Apóstolos 4:11, quando mais se afirma Jesus como a Pedra Angular: É ele a pedra que vós, construtores, rejeitastes, e que se tornou a pedra angular.

Utilizando-se a mesma figura da pedra, identificamos o Amor como base da Criação Divina, bem como formador do arco do triunfo aos vencedores na jornada evolutiva, conforme resumo da Lei e dos profetas: Amar ao próximo como a si mesmo (as colunas) e a Deus acima de todas as coisas (a chave, a pedra angular). Logo se conclui que o Amor é chave do Cristianismo.

Espíritas! amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades, preconiza o Espírito de Verdade.1

O amor é a essência, a excelência, a chave, a pedra angular.

O que falta, então, para a Unificação?

É Jesus que nos responde, ratificando o que sempre foi2: Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros.

Se o amor em seu sentido amplo ainda não predomina aqui e ali, é porque falta, ao espírita, atitude nesse sentido, com assertividade, como quem tem ciência e desejo de pertencimento ao Reino dos Céus, como discípulo dEle.

Não só discurso. Atitude consentânea. Congruência.

A maior descoberta de minha geração é que o ser humano pode alterar a sua vida mudando sua atitude mental, anotou William James, um dos fundadores da psicologia moderna.

Mude uma vírgula e se estará mudando uma frase. Mude de atitude e se estará mudando a história pessoal.

Ilustremos: Conta-se que um escritor morava em uma tranquila praia, junto de uma colônia de pescadores.

Todas as manhãs, ele caminhava à beira do mar para se inspirar, e à tarde ficava em casa escrevendo.

Certo dia, na praia, ele viu um vulto que parecia dançar. Ao chegar perto,  reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia para, uma por uma, jogá-las novamente de volta ao oceano.

Por que está fazendo isso? – Perguntou.

Você não vê?, explicou o jovem. A maré está baixa e o sol está brilhando. Elas irão secar e morrer se ficarem aqui na areia.

O escritor espantou-se e argumentou:

Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma.

O jovem pegou mais uma estrela, jogou de volta ao oceano, olhou para o escritor e disse:

Para esta aqui eu fiz a diferença…

Naquela noite, o escritor não conseguiu escrever, sequer dormir.

Pela manhã, voltou à praia, procurou o jovem, uniu-se a ele e, juntos, começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.

*

Espíritas! Façamos a diferença, mudemos nossa atitude, direcionemos nossos melhores esforços para a união de todos… E amemos!

 

[1] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap. VI, item 5.

2 BÍBLIA, N.T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 13, vers. 34-35.

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