Jornal Mundo Espírita

Abril de 2020 Número 1629 Ano 88

A organização do Centro Espírita e os grupos de estudo da Doutrina Espírita

junho/2010 - Por Coordenadoria de Estudos da Doutrina Espírita

Falamos anteriormente a respeito da importância dos grupos de estudo como células que qualificam e estimulam diversas ações do Centro Espírita, enquanto instituição.

Desta feita, desejamos examinar algumas das práticas e políticas organizacionais, que podem influenciar de maneira muito importante os grupos de estudo.

Dividimos estas ações em categorias, elencando iniciativas que são tomadas pelos grupos de estudo, sendo, algumas delas, facilitadoras do seu desenvolvimento e, outras, empecilhos. Vejamos:

Modelo de captação de participantes: muitas casas são muito tímidas no convite aos participantes, ou até mesmo impõem barreira ao ingresso destes em seus grupos de estudo. Estas barreiras podem ser: a exigência da frequência a um número mínimo de reuniões para entrar no grupo de estudos; a abertura de inscrições apenas em alguns períodos do ano, até mesmo apenas no início do ano; a impossibilidade de troca de grupo no decorrer do ano; um limite de faltas que o torna impeditivo a pessoas que têm horários de trabalho flexíveis ou variáveis, entre outros. Não fazemos nenhuma crítica específica à cultura ou à rotina deste ou daquele Centro Espírita, mas é importante que os dirigentes estejam conscientes de que, ao adotar medidas com estas, estão dificultando o acesso de algumas pessoas.

Vinculação entre trabalho e estudo: em diversos Centros Espíritas existe a cultura de que, para ser colaborador em geral ou para alguma atividade específica, é necessário estar vinculado a algum grupo de estudos. Em algumas destas Casas esta normativa está, inclusive, registrada no estatuto ou regimento. Este tipo de iniciativa claramente demonstra o compromisso e o crédito que a Instituição oferece ao estudo da Doutrina, sendo muito importante pelo símbolo que traz.

Vinculação entre eleição e participação em grupos de estudo: alguns Centros Espíritas também vinculam a participação nos cargos diretivos da Casa à afiliação a algum de seus grupos de estudo, o que, da mesma maneira que a iniciativa anterior, destaca o grupo de estudos como uma célula central ao funcionamento do Centro Espírita.

Cadeiras no Conselho e os grupos de estudo: há casos em que se avançou ainda mais na proposta anterior e a estrutura da Casa se organizou de tal maneira que os grupos detêm assentos no Conselho, aos quais só podem se candidatar os participantes daqueles, formando um colegiado. Neste caso, o grupo, em si, ganha um status, um poder, que mostra o quanto ele é importante para a Instituição. O Conselho, deste modo, torna-se um espaço mais democrático onde os indivíduos que compõem o coração da Casa, no caso, os grupos de estudo, indicam pessoas entre os seus pares para os representarem no Conselho e colaborarem na determinação dos rumos que a Instituição deve tomar. Esta é uma medida que empodera, que dá potência aos grupos de estudo e que valoriza o seu papel dentro do Centro Espírita.

Investimento em estrutura: o investimento em tornar o espaço físico mais agradável e adequado, com a distribuição adequada de funções para as diferentes salas, cadeiras apropriadas e materiais de apoio, consulta e consumo são, também, maneiras de o Centro Espírita investir em seus grupos de estudo. Às vezes temos grupos que não podem ser abertos por falta de espaço e não se aproveitam locais como a biblioteca, a secretaria ou a sala de aplicação de passes para esta tarefa. Por vezes surge a alegação de que estes ambientes não podem ser perturbados ou desorganizados, mas, afinal de contas, de que tipo de grupos de estudos estamos falando? Será que discussões doutrinárias desorganizam ou desarmonizam um ambiente? Talvez tenhamos que rever os nossos grupos se isso tem acontecido. Outras vezes é necessária a ampliação do espaço de pequenas salas, a divisão do espaço do salão e outras medidas que priorizem o grupo de estudos. Cadeiras soltas dão flexibilidade ao trabalho com pequenos grupos e são desejáveis. O acesso a livros e material de consulta deve ser facilitado, assim como investimento deve ser feito em materiais como papel, canetas, pranchetas e afins.

Fechamento dos grupos durante feriados e férias escolares: existem Instituições Espíritas que determinam o período de funcionamento de seus grupos de estudo. Estas mesmas instituições muitas vezes não determinam se o serviço de palestra e passes funcionará ou não, o grupo mediúnico e até mesmo as atividades de assistência social, mas determinam o prazo de funcionamento dos grupos de estudo. Não dizemos com isso que os grupos não possam, por acordo de seus participantes, suspender as atividades, se julgarem prudente e produtivo, ou fazerem férias, mas a obrigação da suspensão das atividades, por períodos maiores que um mês, é que nos chama a atenção. Entretanto, ainda que o grupo resolva não funcionar normalmente em alguns períodos, seria estratégico que se mantivesse algum tipo de plantão, já que as atividades normalmente são divulgadas em cartazes e placas e podem ter alguém as procurando justamente neste dia. Programas alternativos podem ser adotados pelos grupos que têm grande queda na frequência; grupos simultâneos podem provisoriamente se fundir, para ricas trocas e outras medidas criativas podem ser adotadas, mas a continuidade dos trabalhos parece uma política institucional que tende a demonstrar o valor da atividade.

Estas são apenas algumas, mas importantes características que a instituição pode ter e que facilitam o desenvolvimento dos grupos. Esperamos que, com isso, possamos refletir sobre a nossa maneira de apreciar os grupos de estudo em nossas instituições. Na próxima edição falaremos especificamente das estratégias institucionais em relação ao coordenador de grupos de estudo.

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