Jornal Mundo Espírita

Maio de 2020 Número 1630 Ano 88
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A mulher da vida e da morte

maio/2020 - Por Mary Ishiyama

Assim se autodenominava Elisabeth Kübler-Ross. Mais velha das trigêmeas, filha de Ernst e Emma Villiger Kübler, nasceu em 8 de julho de 1926, na cidade de Meilen, Zurique, Suíça.

Anos mais tarde dirá que, sendo a trigêmea mais velha, não havia espaço para ela no colo da mãe. Precisou aprender a se colocar de forma firme ante a vida e afirmou que o maior dom que Deus nos concedeu foi o livre-arbítrio. Ele põe sobre nossos ombros a responsabilidade por fazer as melhores escolhas possíveis.

Teve sua adolescência marcada pelo horror da Segunda Guerra Mundial. Prometeu trabalhar na Polônia e na Rússia, ajudando nos primeiros socorros aos necessitados. Cumpriu a promessa, servindo na Polônia devastada pela guerra.

Ela viu de perto os campos de concentração, os crematórios, os vagões de milhares de sapatinhos de bebês e de cabelos de vítimas do Holocausto que serviriam de enchimento para travesseiros na Alemanha. Percebeu a desumanidade do ser humano e o potencial de cada indivíduo para, segundo suas palavras, se tornar um monstro nazista ou uma Madre Teresa de Calcutá.

Seu pai, homem rijo, definira a profissão dos filhos. Ela deveria ser secretária na empresa dele. Elizabeth se negou. Sonhava se tornar médica, assim como seu herói, Albert Schweitzer.

Muitos lhe foram os percalços mas, em 1957, Elizabeth recebeu seu diploma de Medicina pela Universidade de Zurique.

Casou-se com Emanuel Ross e se mudaram para os Estados Unidos, onde ela fez residência médica no Hospital Estadual de Manhattan.

Foi ali que, horrorizada pelo tratamento dado aos pacientes, desenvolveu um programa de atendimento e atenção individual para cada um. Esse protocolo resultou em melhora significativa na saúde mental de 94% deles.

Como psiquiatra, tornou-se professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado. No ano de 1965, conheceu Cicely Saunders, pioneira do movimento de cuidados paliativos na Inglaterra. Graças a esse encontro, Elizabeth começou a abordar o tema morte.

Iniciou uma série de palestras e seminários para estudantes de Medicina e Teologia, falando sobre a morte e o morrer, tendo como resultado a publicação de seu primeiro livro, em 1969, On Death and Dying (Sobre a morte e o morrer).

Tornou-se best-seller mundial, traduzido para mais de trinta idiomas e ela foi pioneira em estudos sobre morte e Experiências de Quase Morte – EQM.

Nessa obra, relata suas primeiras observações acerca dos cinco estágios do processo do morrer: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Embora tenha dito que esses estágios não são universais, e que nem todas as pessoas os experimentam nesta ordem, foram mal compreendidos, no decorrer dos anos, como se fossem uma prescrição para se viver o processo de morrer ou  do luto.

Elizabeth buscou conscientizar profissionais da área da saúde, pacientes e familiares que O conforto físico e a ausência de dor vêm bem antes de qualquer apoio emocional, antes de qualquer ajuda espiritual, antes de qualquer coisa. Não se pode ajudar emocionalmente ou espiritualmente um paciente se ele está subindo pelas paredes de dor, ou se, por outro lado, lhe são dadas injeções que o deixam tão dopado e sedado que ele não consegue mais se comunicar.

O que fazer nos momentos cruciais, nos momentos em que não há mais volta? Há um momento na vida de um paciente em que a dor deixa de existir, quando a mente desliza para um estado sem sonhos, quando a necessidade de comida se torna mínima e a consciência do ambiente quase desaparece na escuridão. Este é o momento em que os parentes andam pelos corredores do hospital, atormentados pela espera, sem saber se devem sair e ficar com os vivos ou ficar por perto durante o momento da morte. (…) É o momento mais difícil para os mais próximos, querem que tudo acabe logo ou se apegam desesperadamente a aquele que estão perdendo para sempre. 1

Foi para dar conforto aos corações que Elisabeth Kübler-Ross se empenhou. Graças a ela e os que lhe associaram, hoje temos cuidados humanizados para quem está de partida para a pátria espiritual e aos seus familiares.

Essa mulher magnífica procurou mostrar que a morte é um processo natural de todo ser vivo: Você não vai receber outra vida como esta. Você nunca mais vivenciará o mundo exatamente desta maneira, com esses pais, filhos, familiares e amigos. Nem experimentará a Terra com todas as suas maravilhas novamente neste período da História. Não espere o momento em que desejará dar uma última olhada no oceano, no céu, nas estrelas ou nas pessoas queridas. Vá olhar agora. 1

A morte é apenas uma transição da vida para uma outra existência onde não há mais dor nem angústia.

 Tudo é suportável quando há amor.

 Meu desejo é que você dê mais amor a mais pessoas.

 A única coisa que vive para sempre é o amor.4

 Seus mais de vinte livros foram traduzidos em trinta e seis idiomas. Recebeu vinte diplomas honorários, mais de quarenta homenagens e prêmios. Foi incluída, em 2007, no National Women’s Hall of Fame, organização dos Estados Unidos que reconhece conquistas de mulheres estadunidenses. Tem sua biografia incluída no Dictionary of International Biography, Great Men and Women of Science, editado pelo International Biographical Center, de Cambridge, Inglaterra.

 

Referências:

1.https://ekrbrasil.com/livros-publicados/

  1. https://www.ekrfoundation.org/elisabeth-kubler-ross/awards-and-honors/
  2. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232013000900028
  3. KLÜBER-ROSS, Elizabeth. A roda da vida. Rio de Janeiro: Sextante, 1998. pt. 3, cap. 40.

 

ERRATA: A redatora desta coluna, na edição de abril, constou de forma equivocada, devendo a matéria ser creditada a Mary Ishiyama.

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