Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
Revivendo Ensino Envie para um amigo Imprimir

A mocidade e a sociedade futura

março/2018

O nosso Espírito sente que é impossível descrever o panorama grandioso que a nossa imaginação descortina no horizonte da sociedade futura através dos fatos do presente.

Os Espíritos do Senhor não têm cessado de advertir que o reinado do ouro cederá lugar a um reinado mais puro; o pensamento será dentro em pouco soberano e os Espíritos de escol, que hão vindo desde remotas eras iluminar os séculos em que viveram e servir de balizas aos séculos vindouros, encarnarão entre vós. Que digo? Muitos se acham encarnados. A sábia palavra deles será uma chama destruidora, que causará devastações irreparáveis no seio dos velhos abusos.

Sim, os pais do progresso do espírito humano deixaram, uns, as suas moradas radiosas; outros, grandes trabalhos, em que a felicidade se junta ao prazer de instruir-se, para retomarem o bastão de peregrinos, que apenas haviam deposto no limiar do templo da Ciência, e daqui a pouco, dos quatro cantos do globo, os sábios oficiais ouvirão, apavorados, jovens imberbes a lhes retorquir, numa linguagem profunda, aos argumentos que eles julgavam irrefutáveis… O materialismo será abatido… (Obras Póstumas, Allan Kardec, item A nova geração)

Estamos na fase da grande transição moral. Os Espíritos imperfeitos, atrasados, maus, criminosos, recalcitrantes, emigrarão em massa da Terra para mundos inferiores e serão substituídos aqui por Espíritos bons, pacíficos, amorosos, amantes da verdade, da justiça e do bem. Os maus já estão saindo do nosso planeta. Todos os horrores da hora presente são reflexos dos estertores da despedida desses maldosos que, em vez de se emendarem para ver se recuperam o tempo perdido, pelo trabalho e pela reparação de seus crimes, querem arruinar tudo.

Os elementos das duas gerações, diz um Espírito, se confundem, mas cada uma já se assinala no mundo pelos caracteres que lhe são próprios. Elas têm ideias e modos de ver inteiramente opostos. Pelas disposições morais intuitivas e inatas, torna-se fácil distinguir à qual das duas pertence cada indivíduo.

Valemo-nos da palavra autorizada dos Espíritos do Senhor, de preferência a pretendermos pregar novidades, para ver se os nossos contemporâneos despertam afinal para a compreensão da Verdade salvadora.

Durante dezenas de anos uma das maiores preocupações dos propagandistas do Espiritismo era a de quem nos substituiria no trabalho da Seara do Cristo. E, para esse fim, desde muito tempo vinha se processando o ensino do Espiritismo à infância e à juventude, aparentemente com pouco resultado. De repente, todos os semeadores começaram a sentir o aparecimento de Espíritos cheios de disposições intuitivas e inatas para o bem, no seio das novas gerações e nas nossas fileiras (…)

A geração mais experimentada sente que a hora é solene e grave. Todos os veteranos das lides espíritas são chamados a meditar sobre o que é mais urgente fazer. A entrega simbólica, a passagem dos postos de direção deverá ser feita dentro das corporações existentes. Nenhuma juventude ou mocidade deverá adquirir personalidade jurídica, porque cada uma delas é um departamento ou oficina de preparação das crianças e dos jovens, das corporações espíritas, sob pena de vermos, de um momento para outro, possíveis e prejudiciais atritos entre moços e velhos. De parte a parte deve haver a máxima cordialidade, para que a nossa obra colime os seus objetivos, unindo o entusiasmo dos moços à prudente experiência dos mais velhos.

Lembremo-nos, para concluir, do que disse Emmanuel: Orientar a infância e a juventude em Cristo, é iluminar o futuro do mundo.

Lins de Vasconcellos.
Jornal Mundo Espírita nº 837, de 25.3.1954.

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